Beleza Pura será a estréia da escritora Andrea Maltarolli como autora de novela. Formada em História e em Comunicação Social, Andrea Maltarolli entrou na TV Globo em 1994, através da oficina de autores e roteiristas da emissora. Ao lado de Emanuel Jacobina, um de seus colaboradores em Beleza Pura, desenvolveu o projeto de Malhação. Confira abaixo a entrevista:

Qual o argumento central de Beleza Pura?

Beleza Pura é a história de Guilherme Medeiros (Edson Celulari), um homem que, à medida que vai descobrindo a estética, também vai descobrindo a ética. É isso que acontece. Guilherme é um cara egoísta, fechado nele mesmo; é uma estrela que não quer saber de mais nada. E o primeiro mandamento da ética é considerar que existe o outro. Como para ele não existe o outro – ele sequer sabe o nome da empregada -, a novela vai mostrar essa caminhada dele.

De onde surgiu a idéia de falar sobre estética e beleza?

O Brasil é um dos países que mais fazem cirurgias plásticas no mundo. Este é um assunto muito presente aqui e no mundo. Não há feio que queira permanecer feio. E estou falando sobre o feio ético e estético. As duas coisas se correspondem. Uma no nível material e outra no nível moral. Podemos fazer as correlações perfeitamente. Desde criança, a mãe fala para o filho “não faz isso que é feio”.

De que forma você acha que o público vai se identificar com a protagonista Joana?

Joana (Regiane Alves) é uma moça muito batalhadora, que começou do zero. É uma órfã abandonada, que não tinha dinheiro, família, orientação, não tinha nada. Eu gosto muito destas características da Joana. E acredito que o público se identificará com ela justamente por causa disto.

E os vilões da trama? Como você os descreveria?

Norma (Carolina Ferraz) é uma vilã engraçada, dessas de história em quadrinhos. Ela não mata ninguém. Com o acidente, Norma passa por um momento de crise e se culpa. Na maioria das vezes, seus planos dão errado. Já o Renato (Humberto Martins) é um vilão que faz o que faz simplesmente por amor. Às vezes, chega a ser um pouco infantil. Ele acaba se aproximando de Norma e a ajudando em seus planos, porque quer muito conquistar Joana. Mas os dois têm motivações completamente diferentes.

Como é o trabalho com o Silvio de Abreu?

Ótimo. Acho que nunca vou ter palavras suficientes e adequadas para descrever como é trabalhar com o Silvio. Ele é de uma alegria e de um entusiasmo únicos, além de dono de uma técnica dramatúrgica que já valeria a convivência. Mas é mais que isso: ele tem paciência, tem um talento nato para ensinar, não guarda truques na manga, é de uma generosidade incrível. Nosso tipo de humor é muito parecido e todos os nossos encontros foram divertidíssimos. Eu tive muita, muita sorte de tê-lo como supervisor. Aliás, dei muita sorte em tudo: com os autores que trabalham comigo (Emanuel Jacobina, velho companheiro, Ricardo Hofstetter, Daisy Chaves, João Brandão e Flávia Bessone), com o Papinha e a equipe dele, que são encantadores e fazem milagres com as câmeras, com a equipe de produção, de figurinos, cenários… Nossa, tudo! Não sei como se juntou tanta gente boa num só momento, numa só equipe, viu?!

Como está sendo a parceria com o Papinha?

Perfeita! Papinha também foi outro lucro que eu tive nesta novela. Ele é adorável, tem características raras num diretor. Ele nos convidou, a mim e ao Sílvio, para conversarmos com os atores e fazermos leituras de texto antes de iniciarem as gravações. Foi aí que tivemos a oportunidade de dizer ao elenco o que queríamos e como achávamos que os personagens deveriam ser. E o Papinha ouvia e dizia: “Eu estou só aprendendo”. Isso foi muito legal.

De que forma a experiência em Malhação está contribuindo com seu trabalho em Beleza Pura?

Experiência é tudo. Os anos à frente de Malhação contribuíram, principalmente, no ritmo do trabalho. Eu agora sou mais rápida. O fato de ter lidado com uma linguagem dinâmica em Malhação também me ajudou bastante. Eu sempre fiz humor em televisão e Malhação me ajudou a entender como é meu humor em dramaturgia, que é diferente de você fazer um programa de esquete. E eu estou usando isto agora na novela. Já me disseram, inclusive, que parece um pouco com sitcom.

Qual a sua expectativa para a estréia?

Tenho a expectativa que todos têm: que dê certo, que as pessoas gostem. A gente escreve para o público. O escritor não faz poesia para ficar na gaveta. Uma coisa legal da TV é que a gente tem uma resposta imediata. E você ser vista é muito importante. Quando falo sucesso, quero dizer na verdade ser vista. Quero que gostem de mim. E, de resto, não estou nervosa. Todos me perguntam isto, mas de fato não estou. Talvez porque tivemos bastante tempo de preparação, porque estou cercada por pessoas legais e por uma equipe maravilhosa.