O canal de TV por assinatura GNT exibe neste domingo, dia 10 de janeiro, a partir das 22h, no programa "Marília Gabriela Entrevista" uma entrevista com a cantora, assistente social e pastora Flordelis, que também é mãe adotiva de 46 filhos.

No programa, ela conta o que a levou a acolher tantas crianças e jovens, e fala sobre o filme "Flordelis – Basta uma Palavra para Mudar" (veja o trailer ao lado), com atuações de Leticia Sabatella, Reynaldo Gianecchini, Alinne Moraes, Cauã Reymond, entre outros atores.

Criada na favela do Jacarezinho, no subúrbio do Rio de Janeiro, Flordelis lembra que teve uma boa criação, mas conviveu com pessoas que não tiveram a mesma sorte. Quando viu alguns de seus colegas morrerem no tráfico resolveu reagir. Começou a frequentar bailes funk para entender o que levava os jovens a se encantarem com o universo das drogas. Percebeu, então, que a violência doméstica, incluindo abuso sexual, era o principal motivo para o uso, e não a pobreza, como muitos pensam. "Na favela nem todo mundo é miserável. Tem crianças cujos pais batalham muito. A questão é a violência dentro de casa. Abuso sexual de padrastos, tios, com a mãe ausente".

Diante do desconforto, Flordelis comprou um videogame e começou a receber cinco jovens em sua casa. Na época já havia dado à luz três crianças. Em uma noite, um desses jovens ia ser fuzilado a mando de um chefe do tráfico. A mãe do menino procurou por ela, para rezar. "Aprendi que a palavra ‘oração’ fala de orar e agir. Não tem que orar e cruzar os braços", conta a convidada. Foi ao traficante e garantiu com a própria vida que o condenado não lhe traria mais problemas.

Em apenas uma noite, a pastora acolheu outras 37 crianças de uma só vez. Elas dormiam na Central do Brasil quando um carro passou atirando nelas. Flordelis chegou ao ponto de ter 43 filhos abrigados em sua casa na favela, com apenas dois quartos e um banheiro. Contou por um tempo com a ajuda de Betinho, e depois dos irmãos e empresários Pedro e Carlos Werneck. E com o apoio de outras pessoas, conseguiu fugir para Irajá, e depois para uma favela em Parada de Lucas, ambos no subúrbio do Rio, quando foi descoberta pelo Juizado de Menores. Procurada como sequestradora de crianças, foi à imprensa para falar. A promotora responsável pelas acusações viu os filhos de Flordelis de perto, e mudou de ideia. Batalhou para que o quadro judicial fosse revertido.