Acabou nesta quarta-feira, dia 14 de março, a novela da entrada do canal Fox Sports na operadora Sky. A negociação da entrada do canal do Grupo Fox Channel durou 3 meses. A principal reclamação da Sky era o preço alto: R$ 1,50 por assinante. Ninguém sabe ao certo se este preço é real e muito menos ainda a que preço o Fox Sports entrou na Sky.

Mas este é um dos pequenos problemas da Sky. O maior surgiu com os novos pacotes da operadora, lançado no início de fevereiro: preços altos e a falta de alguns canais nos combos HDs. A Sky detém cerca de 3,5 milhões de assinantes.
Além de aumentar os preços, no pacote mais caro, o Combo Sky HDTV Plus Top 2012 (composta a partir do pacote Light 2012), que custa R$ 315,70, não tem os canais Studio Universal, Syfy, Fox Life (todos do grupo Fox), Canal Brasil, Ratimbum e TV Climatempo. Estes canais estão no pacote Sky Mix 2012 (R$ 95,90). Não se sabe o porquê que estes canais só são oferecidos no pacote mais barato do que no mais caro. A lógica seria que todos seus canais deveriam estar no Top 2012. O pior de tudo é que não dá para trocar nos combos HDs o pacote Light pelo Mix 2012. A operadora, desde então, não se manifesta sobre o assunto. Nem para dizer que esta negociando os canais ou se esta esperando a nova lei do cabo, que será aplicado a partir de abril.

Também pesa na Sky não ter certos canais que já estão no mercado brasileiro. É o caso dos canais I-Sat, Tooncast, TBS, Bem Simples, Baby TV, entre outros. A operadora nos seus comercais diz ser a mais completa. Como pode ser completa se não tem tais canais e não ter mais canais em HDs como Megapix HD, Telecine Touch HD, Telecine Fun HD, Comedy Central HD, entre outros que já são oferecidos por suas programadoras. Se for ofertado HDs gratuitamente, porque esses canais não entram na Sky? Até mesmo novas maneiras de ver TV não são colocadas à disposição do assinante. É o caso da opção de legenda e áudio de alguns canais, como HBOs e Telecines que já possuem a escolha como o assinante quer assistir os seus filmes. Portanto, a Sky esta atrasada e corre o risco de ficar para trás se não entrar de vez na era das novas tecnologias disponíveis pelas programadoras.

Lei do Cabo

É difícil saber como vai funcionar na prática a nova Lei do Cabo de n° 12.485/11. A Sky esta fazendo campanha contra a nova lei. O argumento é o aumento da mensalidade e da falta de escolha do assinante, visto que determina 3 horas e meia de programação nacional nos canais pagos por semana e no horário nobre. Por um lado a Sky esta certa, pois quem deveria fazer a programação dos canais são as programadoras e não um órgão do governo. Já temos bastantes canais feitos e produzindo aqui no Brasil. Não precisa de fiscalização e ditadura em cima dos canais pagos. Por outro lado, esta não é uma briga para operadoras. Restringe as programadoras e produtoras de conteúdo.
A lei é muito vaga em certos pontos como o esporte ao vivo, jornalismo e programas dublados. Não há definição destes gêneros e tipos de transmissão dos canais. Nem mesmo os canais de filmes não sabem como proceder diante da lei. Mas o que mais assusta é quem vai controlar isso tudo: a Ancine. A Agência Nacional do Cinema não é o órgão ideal para fazer isso. O certo, o mais correto, seria criar a agência de comunicação para a TV paga, assim como já temos o controle da TV aberta com suas classificações etárias. A nova lei é só para dar mais visibilidade para a Ancine e criar mecanismos de controle sobre o que o assinante esta assistindo. O complicado é fazer valer a lei para canais transmitidos via panregional. Isso pode criar constrangimento entre o Ministério das Comunicações, a Anatel (que até então fazia o papel de julgadora dos canais pagos), as programadoras internacionais e até mesmo pode causar a saída de alguns canais no Brasil. É certo que ninguém quer isso, mas é preciso pensar no que vai vir de bom na nova lei. Até agora não surgiram o que vem de bom, só as partes ruins do projeto.

Apesar da tão esperada entrada do canal Fox Sports, a Sky ainda esta devendo muito para os assinantes. Isso porque não foi falado dos problemas comuns de todas as operadoras no Brasil: atendimento péssimo, falhas nas instalações, erros de cobrança e falta de comunicação direta com os assinantes. Se a maior operadora do Brasil tem esses problemas, não é bom imaginar como é a menor do país.