Em 2007 o Grupo Record lançou o seu canal de notícias: o Record News. Naquele dia o dono do grupo enfatizou: “A Globo é um câncer e vamos comer o fígado dela”. Desde então os ataques contra a emissora vem sendo constantes. De lá para cá muita coisa mudou. Para a Record, atualmente, esta sendo um desastre a frase “Em Busca da Liderança”.

Não é de hoje que a Record faz ataques pensando em agregar mais telespectadores e fiéis de sua igreja. Mas nos últimos tempos tem exagerado e criado histórias mirabolantes. São tão fantasiosas que a Rede Globo não resposte mais as ataques neuróticos da emissora concorrente.

E o ataque não resume somente a Globo, mas a outras igrejas como de Valdomiro Santiago. Há quase um mês atacou o pastor, que já foi da Igreja Universal do Reino de Deus, e hoje comanda a Igreja Mundial. Na reportagem do programa “Domingo Espetacular” denuncia o pastor por ter mansões, aviões e outros bens acima do considerado “normal”. O mais interessante é que Edir Macedo, dono da IURD e da Record, tem patrocínio igual ou até maior no Brasil e no exterior. É o sujo falando da sujeira que ele mesmo plantou.

Na semana seguinte, no dia 26 de março, o portal da internet R7, do grupo Record, divulgou os finalistas do Reality Show “Ultimate Fighter: Em Busca de Campeões” exibido pela Rede Globo. O programa foi parcialmente gravado, sendo que os finalistas vão competir no dia 23 de junho pela vaga de campeão. A questão discutida é se foi ético ou não da Record divulgar os finalistas. Em tempos de Olimpíadas de Londres, do qual a emissora da Barra Funda tem os direitos exclusivos não deveriam mexer com questões esportivas. Quem sai perdendo nesta briga? A resposta é clara: o esporte em geral. O UFC/MMA foi transmitido pela Rede TV! Até 2011, quando a Rede Globo comprou o evento, sendo que a Record também estava de olho. No futuro, quando for disputado o UFC/MMA, quem não vai querer a Record são os organizadores do esporte. É um mau sinal para as negociações. Sem contar que este tipo de briga pode respingar em outros eventos esportivos. A Rede Record que tanto quer exibir esportes na TV deu uma mancada feia e prejudicial para a emissora.

Ética na TV

É difícil medir ética na TV. Hoje muitos programas não são pautados pela ética, mas pela audiência. Certos canais abusam do direito de mexer com assuntos questionáveis. Os principais problemas são de imagens e discursos inflamados falando de profissionais de outras emissoras. É o caso de José Datena da Rede Bandeirantes que volte é meia fala mal de políticos e personalidades, incentiva violência com palavras, mexe em feridas em pleno horário da tarde, sem contar o episódio bizarro de sair da Band e assinar contrato com a Record e voltar para a Band em menos de um mês depois. Caso clássico de falta de ética e compromisso profissional. Neto, comentarista esportivo da Band, já falou até palavras de baixa calão de outros profissionais como de Tiago Leifert da Globo. Outro que sempre cuspe no prato de comeu por anos é Paulo Henrique Amorim, tanto na TV como no seu blog na internet contra a Globo. O sensacionalismo exacerbado também se torna falta de ética, visto que programas de fofocas volta e meia tocam em problemas alheias das emissoras. No jornalismo chega a ser deprimente cancelar toda a programação para exibir o julgamento de um assassino como de Naiara e dos Nardonis. A Record fez isso na época do julgamento de ambos acusados. As outras emissoras também fizeram cobertura ampla sobre os casos, mas não chegaram ao ponto de cancelar toda a programação e ficar somente em um único assunto o dia inteiro em prol a audiência.

Afinal, o que interessa saber sobre outros profissionais de emissoras concorrentes? O interesse é um só: denegrir a imagem. Ato paliativo diante de tantas informações que surge uma em cima da outra na internet e na TV. Ninguém mais sabe o que é real ou fantasia nas informações sobre emissora A ou B. Acaba ficando como especulações sem provas cabais. Ou seja, ética na TV não existe na sua plenitude total. Todas têm seus lados fracos.

Programação: esse é o melhor ataque

Na busca pela liderança, pela audiência, as emissoras brasileiras vêm se mexendo para valer nos últimos três anos. A Rede Globo apostou no seu elenco artístico e colocou no ar a novela “O Astro” no horário das 23 horas. Deu certo e combateu os concorrentes. Tanto que vem mais um remake no mesmo horário: a novela “Gabriela” baseada no livro de Jorge Amado. A Rede Record vem apostando nas histórias bíblicas com “A História de Ester”, “Sansão e Dalila” e “Rei Davi”, que conseguiram enfrentar a Globo contra o “Big Brother Brasil”. Mas não consegue tirar a liderança e fica na vice com certa folga. A Band contratou a turma do “Pânico na TV” e colocou séries premiadas e de grandes sucessos na faixa das 21 hs. “24hs”, “Os Sopranos”, “Bones”, entre outros fazem parte do cardápio da emissora. O SBT é a que menos investe em produções próprias. Sua grade é formada basicamente de realitys shows, filmes e novela já gravados. Pelo menos acabou com o festival troca-troca de programas de horários. Sobrevive até hoje graças a "Chaves”.

Mas do que atacar é preciso investir em bons produtos para conquistar os telespectadores. A Globo ainda se sobre sai diante de seus concorrentes. O horário nobre da TV (das 18 hs a meia-noite) não exibe programas reprises, como acontece com Record, SBT e Band. Tudo neste horário é de programas inéditos e produzidos pela emissora. Somente a sessão “Tela Quente” foge a regra. Até mesmo nos fins de semana a Globo aposta nas suas produções, mesmo sendo de gosto duvidoso. Na Record a volta da novela “Vidas Opostas” no dia 26 de março, bem na estreia da novela da Globo “Avenida Brasil”, mostra que não tem coragem para enfrentar a concorrente com produto novo. De quebra repetiu títulos: “Vidas Opostas” seguido de “Vidas em Jogo”. Aliás, as novelas da Record precisam ficar menores. A atual esta há 11 meses no ar. Contando o tempo de gravação, dá mais ou menos um ano e quatro meses prendendo os atores em uma única novela. Na Band o que pesa é o horário comprado para a igreja de R. R. Soares. Chegou a emitir comunicado dizendo que não teria mais na grade este ano, mas o dinheiro investido pelo pastor falou mais alto. Perdeu 1 hora de exibição de conteúdo. Quem ganhou foi somente o pastor. No SBT colocou no ar a novela gravada a mais de dois anos “Corações Feridos” de Íris Abravanel. Não basta ser mulher do dono para garantir um bom aproveitamento de espaço na emissora. O grande pecado do SBT é ser totalmente comandado por Silvio Santos. Corta o barato de muitos profissionais da emissora.

Com todos esses problemas, a Record poderia sobreviver a concorrente, tanto da Globo como da Band e SBT. Mas não consegue ir além. No início do ano demitiu vários profissionais, principalmente da área de jornalismo. Alguns atores saíram da emissora e hoje estão em pleno sucesso na Globo. É o caso de Gabriel Braga Nunes com seu vilão em “Insensato Coração” e Marcelo Serrado com o divertido Crô de “Fina Estampa”. Uma nova leva de atores também está ou estarão na emissora carioca nas próximas novelas. Na parte de jornalismo, para quem queria concorrer com a Globo News fazendo da Record News uma emissora aberta, apostou tudo para dar certo. O canal de notícias do grupo não chegou o pretendido. O certo seria ter lançado exclusivamente como canal pago. Esse tipo de canal só dá certo na TV paga. O brasileiro não costuma assistir notícias o tempo tudo na TV. À preferência ainda é a internet.

Finalizando, o resumo da ópera é bem claro: o desespero da Record hoje em dia é nítido. Não consegue passar pelos obstáculos a sua frente. Vive de conquistar o público com escândalos alheios. Não foca no principal: o telespectador. É produzindo que a Record vai chegar a ser uma Globo. Não é com ataques e nem com reprises que vai construir seu porto seguro. Vibrar por ficarem 2 minutos a frente da Globo não é sinal de boa saúde na emissora. Sinal claro de ataques da síndrome do pânico, desespero e profunda desconcentração no objetivo final: ser a líder. Mas para chegar lá, vai ter que se reestruturar toda sua maneira de fazer TV. É começando do zero e com passos pequenos e não com passos de gigantes. Sua aposta de comer o fígado da Globo não chegou nem beliscar. Ficou só da boca para fora. Record acertou nas produções bem cuidadas, mas esqueceu de cuidar da própria imagem. Não é a toa que esta na casa do desespero.

* Este é um texto de opinião e não reflete necessariamente uma posição oficial do VCFAZ.NET