Dirigido por Belisario Franca, Mestres da Arquitetura: Affonso Eduardo Reidy, estreia no SESCTV dia 12 de abril, às 21h30, no programa Coleções, série documental com foco nos principais elementos da cultura regional brasileira. Cineastas, arquitetos e professores resgatam a história de Affonso Eduardo Reidy (1909 – 1964), desde sua primeira obra, o Albergue da Boa Vontade, construção de 1931, até seu projeto mais incisivo e imponente, o MAM (Museu de Arte Moderna do RJ). Entre os depoimentos, Carmem Portinho, companheira de vida e trabalho do arquiteto, fala sobre a arte e vertente social que direcionou toda a carreira do introspectivo Reidy.

Arquiteto de talento incrível, Affonso Eduardo Reidy ingressou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro aos 17 anos e aos 25 foi patrono da turma em que Oscar Niemeyer se formou. Concursado público, contribuiu para arquitetura carioca, atuando principalmente no centro da cidade, a partir da década de 30. Influenciada pelos principais nomes da arquitetura moderna, como os alemães Walter Gropius, Mies Van der Rohe e o francês Le Corbusier, a obra de Reidy se destacou por aliar a arte com a função social. O MAM (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), e o Conjunto Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como Residencial Pedregulho, são exemplos marcantes de sua personalidade profissional. No projeto do Palácio Gustavo Capanema, antigo prédio do Ministério da Educação e da Cultura, Reidy trabalhou ao lado de Oscar Niemeyer, sob a direção de Lucio Costa, com a colaboração de Corbusier.

Capitaneados por Lucio Costa, pioneiro da arquitetura moderna no Brasil e responsável pelo Plano Piloto de Brasília, Reidy fez parte do grupo de arquitetos que queriam trazer ao Brasil uma nova linguagem. Os dois se conheceram ainda na Escola de Belas Artes, e seus trabalhos em parceria, como o prédio do Ministério da Educação, hoje chamado de Palácio Gustavo Capanema, e o Residencial Pedregulho, a primeira experiência em unidades de habitação popular, construído na Zona Norte do Rio de Janeiro, se tornaram conhecidos também fora do Brasil.

O documentário destaca a vertente moderna e social do trabalho de Reidy, que demonstrou preocupação em realizar projetos populares, embora sofisticados, desde o início. Seu primeiro projeto, o Albergue da Boa Vontade (1931), aprovado quando ainda cursava a Escola de Belas Artes, foi construído durante o governo provisório de Getúlio Vargas, para realizar uma triagem dos imigrantes que desembarcavam no porto. Com características singulares, apesar dos traços germânicos sem muita identidade, a construção foi concebida a frente do estilo de sua época.

Em Mestres da Arquitetura: Affonso Eduardo Reidy, Alfredo Britto, arquiteto e professor da PUC/RJ; Ana Maria Magalhães, atriz e cineasta; João Masao Kamita, arquiteto e professor da PUC/RJ; Elizabete Martins, coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Documentação da FAU/UFRJR e Carmem Portinho (1903-2001), umas das primeiras urbanistas a se formar no país e companheira de Reidy, contribuem com depoimentos e o resgate da história do arquiteto, que embora brilhante, ainda é desconhecido pela maioria da população. Entre outras coisas, Reidy é um dos responsáveis pelo aterro do Flamengo, projeto paisagístico de Burle Marx, concebido para harmonizar a natureza e o urbano.