O SescTV exibe na sexta-feira, 1º de junho, às 22 horas, O Velho Vinil Novo, episódio inédito da série documental TEMPORAL, dirigida por Kiko Goifman e Olívia Brenga. Produzida em 26 capítulos, a série recorta o cotidiano das relações intergeracionais para mostrar um mosaico da vida e tudo o que pode ser eternizado com a diversidade de experiências. Amor, jogos, atividades físicas, sexualidade, cultura, culinária e comportamento são alguns dos temas abordados com linguagem sensível e divertida nesta série documental.

No episódio O Velho Vinil Novo, a dupla de diretores resgata a origem do DJs no País e reflete sobre questões relacionadas à permanência do uso do vinil pelos DJS, e as facilidades e dificuldades no acesso a materiais exclusivos, inéditos ou raros depois da globalização. São entrevistados os pioneiros da categoria Sonia Abreu, a primeira mulher DJ na década de 60 e 70, e Osvaldo Pereira, o primeiro em São Paulo, criador da “Orquestra Invisível”, Mayara Leme, a mais nova de todos, Tony Hits, dono de uma das lojas mais antigas de vinil de São Paulo, e Renato Cohen, produtor de Techno House brasileiro, requisitado dentro e fora do país.

No clube 220, localizado no edifício Martinelli, em São Paulo, Osvaldo Pereira, hoje com 68 anos e considerado o primeiro DJ brasileiro, criou a “Orquestra Invisível”, discotecagem feita com as cortinas fechadas para dar a impressão de que havia uma banda tocando ao vivo. Osvaldo Pereira é do tempo que entre uma música e outra havia um período em silêncio para a troca dos discos. “Comecei a trabalhar com dois toca discos, mas as pessoas pediram que eu continuasse dando o tempo entre uma música e outra”, recorda. “Era o momento usado para a troca de casais”, conclui. Ainda na ativa, Osvaldo trabalha com equipamentos analógicos e digitais, e recorda histórias de sua carreira com seu filho e neto.

Sonia Abreu, a primeira DJ mulher do País, foi produtora musical da rádio Excelsior/Globo, entre 1968 e 1978. Ela também foi responsável pela produção das coletâneas Papagaio Disco Clubm e Excelsior Máquina do Som, pela Som Livre. A partir de 1977, começou a tocar na famosa “Papagaio Disco Club”, do empresário Ricardo Amaral. Depois de uma experiência extrassensorial com discos voadores, criou a rádio móvel Ondas Tropicais, transmitida de um ônibus com sofisticado sistema de som que perambulou por muitos locais conhecidos em São Paulo, como o Parque do Ibirapuera, a Praça do Pôr do Sol, no bairro de Pinheiros, e no coreto da Rua Augusta, no centro da cidade. Adepta convicta do material digital, Sonia relata histórias sobre suas dificuldades de adaptação à evolução de sua profissão.

Mayara Leme, 14 anos, a DJ mais nova da categoria, começou sua carreira aos 11 anos, quando acompanhou a mãe em uma balada. Diferente dos colegas de profissão mais velhos, ela tem paixão pelo vinil e quer trabalhar apenas com aparelhos analógicos. “Tenho um pouco de preconceito sim. Hoje em dia qualquer pessoa pode ser DJ com a facilidade dos equipamentos digitais. Quero provar minha capacidade usando o vinil”, argumenta.