cultura Antônio Abujamra recebe no Provocações desta terça-feira, dia 18 de junho, às 23h, o jornalista Goulart de Andrade, criador da célebre frase Vem Comigo, guardada no subconsciente de todos os espectadores que acompanharam sua trajetória à frente do programa Comando da Madrugada. O convidado dá sua opinião sobre a qualidade da TV brasileira, fala do seu ofício como repórter e conta que não existe mais boemia na madrugada.

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Com 80 anos de idade e 60 dedicados ao jornalismo, Goulart de Andrade começou sua carreira na televisão em meados dos anos 1950, na TV Rio. Mas foi em 1978, com o Plantão da Madrugada, exibido na Rede Globo, que criou seu estilo próprio de fazer reportagens e de investigar o que acontecia nas ruas, no fim da noite.

Ele conta que a ideia surgiu quando descobriu a densidade demográfica de São Paulo durante a madrugada. À época, era a terceira cidade mais populosa do país. “Comecei a encher o saco do Boni, que eu queria fazer umas materinhas entre os filmes. O Boni topou. A primeira tinha 25 minutos e interrompeu o filme. No dia seguinte, Boni me disse: ´Você tá louco. Você quebrou o padrão da Globo´. Mas fez sucesso”.

Goulart ressalta que o Comando da Madrugada completou 32 anos e contabiliza 16 mil horas de entrevistas, exibidas em todas as emissoras de televisão. “Sempre fui independente. Posso trabalhar de graça, mas quero ter liberdade para trabalhar. Eu tenho os direitos autorais do programa”.

Questionado por Antônio Abujamra sobre a qualidade da programação da televisão brasileira, afirma que a TV incorporou o manto das finanças e se afastou da qualidade. “A televisão está tão medíocre que é difícil eleger o pior”.

Conhecido como o repórter descobridor da madrugada de São Paulo, Goulart de Andrade fala ao Provocações sobre o seu trabalho: “Eu tenho o privilégio de encarar o que eu faço como ofício, não como profissão”. Revela ainda que se desiludiu da face noturna da cidade. “Até a data que eu construi o Comando da Madrugada existia a boemia. Hoje são outros caminhos, caminho das drogas, caminhos pobres”.

O apresentador diz que sempre foi um bom repórter tanto diurno como noturno, e que sempre primou pela qualidade de sua matérias. “Fico irritado com a incompetência de uma equipe de produção. Cada um tem que cumprir sua função no time”.

Goulart conta que, na ditatura militar, sofreu agressão moral ao ser preso e que o deixaram pelado durante cinco dias na sede da marinha. “A ditadura me sacaneou. Isto não me agrediu. Sou carioca, vivi na praia até os 22 anos. Pra mim, era normal ficar pelado.

Diz ter sido o primeiro profissional da imprensa a criar o informe publicitário. O motivo era simples: “Precisava pagar a produção”.

Em muitas pautas, Goulart saía de sua posição de repórter para acompanhar in loco, às vezes na pele, o dia a dia de um entrevistado. Tanto é que criou o quadro Na Pele do Lobo. “Eu até me vesti de travesti, porque queria mostrar como eles conduziam suas vidas. Me inseri no meio e não descobriram nada”.

Questionado por Abujamra se o apresentador Faustão, lançado por ele, é melhor hoje ou no início da carreira, responde: “Era muito melhor. Ele ganhava um pouco menos, pois eu era o produtor. Eu pagava mil dinheiros (sic), mas ele era muito melhor. Ele fazia bem humorado o que ele faz hoje”.

Goulart está atualmente na TV Gazeta com o programa Vem Comigo. A ideia é propor para estudantes de Comunicação a missão de reproduzir, com um olhar contemporâneo e reflexivo, matérias feitas por ele à época do Comando da Madrugada.