canalbrasil É difícil desvincular a obra do cineasta Ugo César Giorgetti da cidade de São Paulo, onde nasceu em 1942. A metrópole foi pano de fundo para muitos de seus trabalhos que, apesar disso, nunca ficaram restritos a temas regionalistas. A partir de 02 de julho, à meia-noite e quinze, o Canal Brasil exibe as principais produções assinadas por Ugo Giorgetti sob a apresentação de Leona Cavalli: "Quebrando a Cara" (1986); "Festa" (1989); "Sábado" (1996); "Boleiros – Era uma Vez o Futebol…" (1998); "O Príncipe" (2002); e "Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos (2006)". Além deles, será possível conferir o inédito "Cara ou Coroa" (2012), dia 30 de julho na faixa "Seleção Brasileira".

Em "Festa" (02 de julho, à 0h15), um músico (Jorge Mautner), um jogador de sinuca (Adriano Stuart) e seu assistente (Antônio Abujamra) são contratados para animar uma grande festa no segundo andar de uma mansão. No entanto, os três permanecem por longas horas no salão inferior da casa, aguardando o momento em que, finalmente, poderão mostrar seus talentos aos convidados. Durante a demorada espera, eles acabam encontrando algumas formas alternativas de se distrair, sendo frequentemente repreendidos pelo maître (Otávio Augusto) ou pela empregada (Iara Jamra). A comédia conta ainda com as participações especiais de Ney Latorraca, José Lewgoy e Patrícia Pillar, e foi vencedora dos troféus de melhor filme, roteiro, edição de som, figurino, ator (para Adriano Stuart e Antônio Abujamra) e do Prêmio da Crítica no Festival de Gramado de 1989.


"Sábado" é um dos destaques da Mostra Ugo Giorgetti no Canal Brasil
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Já no filme "Sábado" (09 de julho, à 0h15), com o objetivo de gravar um comercial para televisão, uma equipe de publicitários transforma o saguão de um velho e decadente edifício do centro de São Paulo num ambiente luxuoso. A chegada do grupo provoca mudanças radicais no cotidiano dos que residem no entorno: Magda Blum (Maria Padilha), diretora artística da campanha, fica presa no elevador junto com o cadáver de um morador do local e dois funcionários do Instituto Médico Legal. A partir daí, a narração se divide em três planos: no pátio, há uma multidão fascinada com as filmagens; no elevador, a convivência vai se tornando insuportável; e no terraço, a vizinhança tenta consertar o problema mecânico. No elenco, estão Maria Padilha, Giulia Gam, Otávio Augusto, André Abujamra, Jô Soares e Tom Zé, dentre outros. Em 1996, o longa-metragem conquistou o troféu APCA nas categorias direção e ator coadjuvante (Otávio Augusto).

"Boleiros – Era uma Vez o Futebol…" (16 de julho, à 0h15) aborda de uma maneira diferente a grande paixão nacional. Dentro de campo, não está apenas o futebol, mas discussões que envolvem ética, memória e amizade em seis histórias. Num típico bar paulistano, fotos de craques estão espalhadas pelas paredes. É este o ponto de encontro de um grupo de homens que têm algo em comum: todos são boleiros – profissionais e ex-profissionais do “esporte bretão”. Numa das tramas lembradas pela turma, destaque para o episódio do jogador metido a garanhão (Paulo Coronato) que tenta burlar a vigilância de seu rigoroso técnico (Lima Duarte) para se encontrar com uma hóspede do hotel (Marisa Orth) onde o time está concentrado. Em 1998, o título recebeu o prêmio de melhor direção no Festival Internacional de Amiens (França). No ano seguinte, faturou o troféu APCA de melhor roteiro.


Cena de "Boleiros 2", destaque no Canal Brasil
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Já em "Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos" (23 de julho, à 0h15), sequência do sucesso "Boleiros – Era uma Vez o Futebol…", continua tendo como inspiração o esporte mais popular do planeta. O longa-metragem, no entanto, propõe uma visão distante do romantismo saudoso da produção inicial. O elenco – praticamente com a mesma formação anterior – ganha os reforços de não-atores, como o ex-jogador Sócrates, o músico Paulo Miklos e o narrador Sílvio Luiz. O Bar do Aurélio, reduto tradicional de boleiros e ex-boleiros, está “repaginado”. A atual decoração é fruto da chegada de um novo sócio: Marquinhos (José Trassi), pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira e atacante de um milionário clube europeu. A narrativa acompanha justamente os acontecimentos subsequentes ao dia em que o jogador-empresário visita seu novo investimento. Ao seu redor, surgem cada vez mais presentes e influentes figuras extracampo: agentes, jornalistas, advogados e – como não poderiam faltar – as “marias-chuteiras”.

Tem ainda o documentário "Quebrando a Cara" (30 de julho, à 0h15), o documentário registra a trajetória de Éder Jofre, considerado o maior pugilista brasileiro de todos os tempos. Rodado em 16mm e apoiado em farto material de arquivo e imagens raras, o filme resgata sua história desde a infância, passando pela influência e tradição de sua família no esporte, até as principais conquistas. Nascido em São Paulo em 1936, Éder Jofre começou a dar os primeiros socos na academia do pai, um argentino radicado no Brasil. Sua ascensão foi tão rápida que, com apenas 20 anos, já disputava as Olimpíadas de Melbourne, na Austrália. Quatro anos mais tarde, ganharia, pela primeira vez, o título mundial na categoria peso-galo ao nocautear o mexicano Eloy Sanchez e, em 1962, sagrou-se bicampeão contra o irlandês Johnnie Caldwell. O apelido Galo de Ouro justificou sua supremacia no boxe até 1976, quando decidiu encerrar a carreira após a morte do irmão e parceiro nos ringues. No total, foram 81 lutas como profissional, sendo 58 vitórias por nocaute, 23 por pontos, quatro empates e apenas duas derrotas por pontos.


Eduardo Tornaghi em "O Príncipe"
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"O Príncipe" (06 de agosto, à 0h15), título referente à obra homônima do pensador político Maquiavel – conta a história de Gustavo Brás Martins (Eduardo Tornaghi), um homem de meia-idade que mora em Paris há mais de 20 anos. O protagonista leva uma vida pacata de intelectual sul-americano no exílio, feita de conferências, palestras, traduções e artigos para publicações especializadas. Durante todo esse tempo, não tinha feito nenhuma visita ao Brasil. Seu regresso se torna obrigatório quando a mãe pede ajuda no tratamento do sobrinho, Mário (Ricardo Blat), um professor com surtos psicóticos. Ao retornar ao país de origem, de dentro do táxi, passa pelas ruas da Vila Madalena, Praça da República, Avenida Sumaré, Bom Retiro e demais bairros da região. Durante o percurso, percebe a deterioração e o caos urbano de São Paulo e se impressiona ao constatar a lamentável transformação pela qual a cidade passou durante o período em que esteve fora. Terça, dia 06/08, à meia-noite e quinze.

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