globonews Para falar sobre a revolução das mulheres na sociedade, que desde o século XX foram para o mercado de trabalho, invadiram as universidades, assumiram tarefas que muitos não acreditavam que elas seriam capazes de realizar e ainda diminuíram o número de filhos e mudaram radicalmente o papel pré-definido para elas ao longo de séculos, Miriam Leitão convidou cinco mulheres bem-sucedidas profissionalmente para, juntas, discutirem diversas questões sobre a mulher contemporânea. O bate-papo vai ao ar no GloboNews Especial’ de domingo, dia 28, às 20 horas.

As convidadas de Miriam Leitão são: a estilista Andréa Muller, 48 anos; Cláudia Sender, 38 anos, presidente da TAM; a desembargadora Leila Mariano, 68 anos, primeira presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; Márcia Cristina Santos da Silva, 44 anos, primeira mestre-de-obras do Brasil, que comandou o canteiro de obras do "Minha Casa, Minha Vida"; e a Major da PM Priscilla Azevedo, 35 anos, a primeira mulher a comandar uma Unidade de Polícia Pacificadora. Elas vão falar sobre como está a vida da mulher nos dias de hoje, os desafios que elas têm que enfrentar, além de fazer um balanço do caminho percorrido até agora. E cada uma das entrevistadas tem muito a contar.

Aos 30 anos, Major Priscilla assumiu o comando da UPP do Dona Marta e conta sobre o que enfrentou para obter sucesso nessa missão. “Infelizmente temos que trabalhar um pouco mais que os homens para provar que somos capazes. Além disso, tentamos diminuir ao máximo a possibilidade de erros, porque qualquer erro cometido por uma mulher cresce e se transforma em um monstro”, compara a Major. Cláudia Sender, que assumiu a presidência da TAM aos 38 anos, complementa dizendo que o fato de ser mulher tem sido mais comentado até do que a sua idade, considerada jovem para o cargo que ocupa como executiva.

Andréa Muller, por sua vez, tomou uma decisão considerada inesperada para muitas mulheres da sua geração. Depois de 15 anos dedicados ao mercado da moda, onde atuou como estilista de acessórios de grifes importantes como Maria Bonita, Animale e Chocolate, além de trabalhar na Itália e na Alemanha, Andréa decidiu abandonar temporariamente a carreira para se dedicar aos dois filhos. E assume que esta foi uma das decisões mais difíceis da sua vida, principalmente porque ela já havia conquistado uma posição e um salário considerados altos para o mercado em que atua. “Eu estava com olho comprido, vendo as mães levando os filhos à escola, e queria vivenciar um pouco dessa experiência, que eu ainda não havia tido a oportunidade”, desabafa. Ela conta ainda sobre a saia justa que passou ao preencher sua profissão na ficha escolar da escola dos filhos. “Fiquei perplexa quando me deparei com essa situação e percebi que não tinha mais um trabalho. O que vou dizer? Dona de casa?”.

É o gancho que a apresentadora precisa para apresentar uma nova questão à discussão: “a mulher está no mercado de trabalho para complementar a renda da família ou para se realizar, ter a sua carreira?” Márcia, a mestre-de-obras, é enfática em responder: “Para se realizar. Eu mesma já larguei empregos em que ganhava muito mais do que ganho hoje porque não era feliz”. Mas ela não largaria o emprego por causa do casamento. “Esse erro eu já cometi e não faria de novo. Antes de mais nada, quero me realizar profissionalmente e pessoalmente. Depois vêm os outros”.