Nesta terça-feira, dia 29 de janeiro, celebra-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data tem como função lembrar a luta pelo direito à vida, ameaçado pela violência contra milhares de transexuais e travestis no Brasil.

Infelizmente, o Brasil ocupa o primeiro lugar na lista dos países que mais matam travestis e transexuais do mundo. A informação foi compilada e divulgada pela ONG Transgender Europe (TGEu). A estimativa é que no Brasil se assassine em média 3 vezes mais que no país segundo colocado (México), para se ter uma ideia.

Pensando nisto, preparamos uma lista com 10 filmes com temática trans para conhecer, debater, sensibilizar ou mesmo se divertir.

Começamos com o brasileiro "Tatuagem". Recife, 1978. Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha (Jesuíta Barbosa), que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Não demora muito para que eles engatem um tórrido relacionamento, que o coloca em uma situação dúbia: ao mesmo tempo em que convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura.

Ainda do cinema brasileiro vem o longa "Madame Satã".No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. Após deixar o cárcere, João passa a viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua "esposa"; Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice; Renatinho (Felippe Marques), sem amante e também traidor; e ainda Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul. É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome retirado do filme (1932), dirigido por Cecil B. deMille, que João Francisco viu e adorou.

Em 1985, Hector Babenco apresentou ao mundo o longa "O beijo da mulher aranha". Em uma prisão na América do Sul, dois prisioneiros dividem a mesma cela. Um é homossexual e está preso por comportamento imoral e o outro é um prisioneiro político. O primeiro, para fugir da triste realidade que o cerca, inventa filmes cheios de mistério e romance, mas o outro tenta se manter o mais politizado possível em relação ao momento que vive. Mas esta convivência faz com que os dois homens se compreendam e se respeitem.

Um clássico do cinema é "Priscilla, a Rainha do Deserto". Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce são três drag queens que viajam pelo deserto australiano apresentando um divertido show. O transporte é um ônibus caindo ao pedaços batizado de ‘Priscila’. A empolgante trilha sonora traz músicas dos anos 1980 na voz de grupos icônicos como Abba e Village People, ou cantoras como Charlene, Patti Page e Gloria Gaynor.

Outra dica é o longa "Tomboy". Laure (Zoé Héran) é uma garota de 10 anos, que vive com os pais e a irmã caçula, Jeanne (Malonn Lévana). A família se mudou há pouco tempo e, com isso, não conhece os vizinhos. Um dia Laure resolve ir na rua e conhece Lisa (Jeanne Disson), que a confunde com um menino. Laure, que usa cabelo curto e gosta de vestir roupas masculinas, aceita a confusão e lhe diz que seu nome é Mickaël. A partir de então ela leva uma vida dupla, já que seus pais não sabem de sua falsa identidade.

Do início dos anos 2000 sugerimos o emocionante "Meninos não choram". História de um garoto transexual, Brandon Teena, morador de uma pequena cidade americana. Baseado em fatos reais, o roteiro mostra os violentos preconceitos que sofre quando sua transexualidade é revelada.

Sensível e inteligente poderiam definir "Transamérica". Bree Osbourne (Felicity Huffman) é uma orgulhosa transexual de Los Angeles, que economiza o quanto pode para fazer a última operação. Um dia ela recebe um telefonema de Toby (Kevin Zegers), um jovem preso em Nova York que está à procura do pai. Bree se dá conta de que ele deve ter sido fruto de um relacionamento seu, quando ainda era homem. Ela, então, vai até Nova York e o tira da prisão. Toby, a princípio, imagina que ela seja uma missionária cristã tentando convertê-lo. Bree não desfaz o mal-entendido, mas o convence a acompanhá-la de volta para Los Angeles.

Dos livros para o cinema vem "A Garota Dinamarquesa". Cinebiografia de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco o relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.Assista aqui

Quase fechando a lista temos "Meu Nome é Ray". Ray (Elle Fanning) é um adolescente que decidiu começar o tratamento de transição hormonal. Sua mãe solteira, Maggie (Naomi Watts) precisa rastrear o pai biológico de Ray (Tate Donovan) para obter seu consentimento legal para a mudança. Dolly (Susan Sarandon), avó lésbica de Ray, está com dificuldade em aceitar essa transição. Cada um deles precisa confrontar sua própria identidade, aprender a aceitar a mudança e sua força como família para finalmente encontrar compreensão e harmonia. Assista aqui

Por fim, indicamos "A morte e a vida de Marsha P. Johnson". Autodenominada "rainha da rua", Marsha P. Johnson, lendária peça no gueto gay de Nova York que, juntamente com a Sylvia Rivera fundaram a Transvestites Action Revolutionaries (STAR), um grupo de ativistas trans fundado no coração de Greenwich Village, em Nova York. O documentário comemora o legado político duradouro de Marsha P. Johnson, e procura finalmente resolver o mistério de sua morte inexplicável. Assista aqui