Final de semana chegando e junto vem aquela vontade de comentar alguns acontecimentos do mundo da TV dos últimos dias. A partir de agora você confere semanalmente aqui no “Eita!” dicas do que tem mandado bem e daquilo que merece ser esquecido no limbo.

Nesta semana, a TV Globo estreou a série “Segunda Chamada“. A produção pode não ter dado uma grande audiência, mas com certeza chamou a atenção do público na web. A produção mostra as histórias de vida que se cruzam em uma escola pública de periferia. As aulas são noturnas e voltadas para a educação de jovens e adultos. Pareceu uma Malhação mais velhinha? É, meu resumo não ajudou muito, mas a série merece destaque e muita audiência. Texto bem feito, redondo, sem espaços para barrigadas e com uma trilha sonora de ficar ouvindo horas e horas.

A produção humaniza a educação, relembra a importância dos professores, da ciência e da educação. Coisas tão abandonadas e demonizadas na política atual deste país. Tem rostos conhecidos e respeitados como Débora Bloch (sensacional) e gente nova na atuação como Linn da Quebrada (a cantora manda muito bem interpretando uma travesti e seus dilemas).

Vish! Ainda na TV Globo estreou o novo reality show Mestre do Sabor. Depois de anos de atraso, a emissora resolveu finalmente apostar no carisma que o Masterchef conquistou com a Band. Mas tem alguma coisa que parece ter saído errado. O canal exibiu o primeiro episódio nesta última quinta (10 de outubro) e flutuou entre o apático e o ok. Não empolgou. Pareceu mais um “The Voice” estranho de comida. Em tempo: a Globo precisa parar de ficar delimitando tempo marcado para que os jurados votem. É um “quebra tesão” gigantesco ver o apresentador autorizar os jurados a votar. Deveria ser mais natural. Isso também é algo que incomoda no reality musical, na parte de batalhas o candidato perdedor precisa ficar ali parado esperando os técnicos decidirem se “roubam” ou não o possível futuro artista. Dá uma agonia ver este tipo de coisa. Há uma quebra da linha natural da narrativa do reality.

Parece que esta semana só vai dar a Globo, mas fazer o que? Semana de estreias. É curioso parar para pensar e tentar encontrar uma explicação sobre o que estão fazendo com a Maju após a jornalista assumir o comando do Jornal Hoje. Ser mulher no Brasil é ter de fazer sempre mais para mostrar que é capaz. Imagina se além de mulher ainda é negra. A cobrança se multiplica. Há vários jornalistas homens e brancos atuando nos principais canais brasileiros. Vários com diversos pequenos erros gramaticais ou de prosódia todo dia. Isso vira notícia? Dificilmente. Ninguém nota. Mas se quem apresenta é mulher e negra, a coisa muda um pouco. Notas começaram a bombar com críticas e um tom alarmista. Chegam a fazer lista com o todos os pequenos equívocos cometidos. Maju comete alguns deslizes? Sim, como todo jornalista neste país. Quem nunca sentiu uma pontinha de nervosismo ao trocar de emprego ou assumir um novo cargo? Quem nunca errou aquela concordância de vez em quando?

Já vai pra “séculos” que o SBT tirou seu sinal digital das parabólicas. Chegou a prometer rever o caso, mas até o momento não há nada sobre isto. Pensando bem, até que é bom isto acontecer. Já pensou ligar a TV num domingo a noite para descansar e ter de ver um senhor bem crescidinho perguntar para uma menina de 10 anos se ela prefere “sexo, poder ou dinheiro“? Já pensou se ele resolve colocar umas três ou quatro (também na faixa dos 8 a 10 anos) desfilando de maiô (ainda se usa este nome ou envelheci também?) e pedir para o público votar em quem tem o “melhor corpo“? Dá arrepios notar que naturalizam muito a sexualização de crianças e criam um tumulto gigantesco para uma HQ publicada há alguns anos e voltado para um público adulto. Brasileiro é meio estranho, né?