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Com a paralisação das gravações das telenovelas, a Record TV também apelou para as reprises no horário nobre. A emissora já tinha encontrado uma saída no buraco deixado com a extinção do “Programa da Tarde” com a sua sessão “Vale a Pena Ver de Novo”. Quase todas as suas telenovelas da década passada já ganharam reprise.

Agora, a emissora resolveu resgatar duas produções inspiradas em textos bíblicos. Uma atrás da outra. A inédita contemporânea “Amor Sem Igual” saiu do ar e cedeu espaço para a pior produção exibida na Record desde 2004: Apocalipse. Foi a pior novela daquele ano.

Na relação dos piores, justifiquei: ““Apocalipse” logo nas primeiras semanas mostrou a que veio. A Igreja da Sagrada Luz, inspirada nitidamente na Igreja Católica, incomodou profundamente parte do público. A novela foi dirigida claramente aos evangélicos. Não abarcou todos os telespectadores. “Apocalipse” foi a trama, dentre todas (inclusive minisséries), que mais segmentou uma trilha religiosa. E o resultado ficou ruim. Até mesmo os efeitos especiais não despertaram repercussão, como ocorreu em “Os Dez Mandamentos””.

A Record TV poderia ter escalado “Vitória”, de Cristianne Fridman, para a faixa horária. Uma boa novela que poderia ter conquistado, naquela oportunidade, melhores índices de audiência.

Já a faixa das 21h30, o canal permaneceu com a faixa de reprises das novelas com teor bíblico. Chegou a vez de “Jesus”, outra novela que não engrenou nos índices de audiência em sua primeira exibição. E o mesmo acontece agora. Frequentemente, fica até atrás de “Os Mutantes – Caminhos do Coração” exibida na programação vespertina. Dudu Azevedo ganha dose dupla no vídeo ao mesmo tempo. Na TV Globo, aparece como Wallace Mu em “Fina Estampa”. Na Record, encarna o Messias.

É uma reprise prematura. Foi ao ar no ano passado. Publiquei neste espaço com o título “Record perde oportunidade com “Jesus””: “A emissora perdeu uma preciosa oportunidade para incomodar, até mesmo, a TV Globo. “Jesus” tinha todas as condições de tornar-se mais um fenômeno de audiência no estilo de “Os Dez Mandamentos”. Porém, desde quando a Record cedeu a produção de suas obras para a Casablanca, a teledramaturgia enfrenta dificuldades até para garantir uma vice-liderança isolada mais folgada”.

Apocalipse e Jesus simbolizam a era da terceirização do Departamento da Record TV. Os índices de audiência giram ao redor dos singelos 5 pontos de média. Para uma breve comparação: “A Escrava Isaura”, mesmo sendo à tarde e em sua quinta exibição, conquista 8 pontos.

Fabio Maksymczuk