A Simba, joint-venture formada pelas emissoras SBT, RecordTV e RedeTV!, acaba de anunciar seu maior acordo desde que foi criada: a operadora via satélite SKY firmou contrato com o grupo, possibilitando assim o retorno destes canais abertos às telas dos assinantes desta operadora. Anteriormente, a operadora Vivo já havia anunciado acordo com a Simba. Já o grupo NET e Claro ainda não anunciou acordo com a empresa. Após muita polêmica em torno do assunto, o VCFAZ traz uma análise com os 5 motivos que levaram a Simba até o cenário atual:

1. Falta de diálogo
Desde o início da briga com as operadoras, que teve seu ápice em março, a Simba apostou num tom arrogante em suas negociações com grandes operadoras, o que levou a uma rejeição natural por parte de todo o mercado. Trocaram o comando das negociações (inicialmente liderado por Marco Gonçalves, e hoje comandado por Ricardo Miranda, ex-presidente da operadora SKY) e, aparentemente, passaram a ter algum diálogo mais aberto com seus maiores aliados num momento complicado: as próprias operadoras. Se a primeira impressão é a que fica, só mesmo o tempo irá mostrar.

2. Valores abusivos
Em todos os veículos que noticiaram os valores de negociação – valores estes nunca confirmados pela Simba, diga-se de passagem -, o valor pedido para as operadoras era próximo ao pedido por canais como HBO e Telecine, rondando em torno dos R$ 15,00 por assinante. Valor este considerado bastante elevado em relação ao que os canais de fato valem, segundo avaliação do próprio mercado. E perguntamos a você, assinante: pagaria algo próximo a este valor, para ter acesso a estas emissoras? Especula-se que o acordo feito com a SKY tenha sido em torno de R$ 1,00 por assinante, bem abaixo do valor inicial, diga-se de passagem.

3. Canais não essenciais
Passados quase 5 meses após a saída dos canais SBT, Record e RedeTV! da programação de grandes operadoras, como NET, Claro e SKY, a possível debandada de clientes que pudessem se sentir lesados pela perda dos canais não aconteceu. Um claro sinal: os clientes que sentiram falta dos canais, de alguma forma, deram um jeito para continuar assistindo programas como "Superpop", "Programa do Ratinho" ou "Fala que Eu Te Escuto" – seja por TV digital aberta ou por meio de outra operadora. Desta forma, as operadoras puderam endurecer ainda mais as negociações que, até o início, estavam a favor da Simba.

Além disso, um dos apelos iniciais da Simba, por meio das emissoras, foi para que os assinantes exigissem desconto em suas mensalidades pela perda das emissoras abertas. Em 26 de julho último, no entanto, a Simba sofreu um duro golpe da Anatel, que não considerou as operadoras obrigadas a conceder desconto pela perda de tais canais.

4. Efeito midiático quase nulo
Desde março, as três emissoras da Simba optaram por uma comunicação de guerrilha em rede nacional – mesmo sendo este, até então, um problema relacionado à cidade de São Paulo. Toda a programação, e até mesmo os telejornais, foram preenchidos por matérias e manifestações em tom de protesto ao que estava acontecendo: nada além de uma negociação entre empresas. Numa edição especial do "Programa do Ratinho", veiculada pelo SBT no dia 29 de março, o empresário, apresentador e presidente da RedeTV!, Marcelo de Carvalho, deixou claro que a retirada de sinais do ar era uma decisão das próprias emissoras, e não das operadoras. Um claro sinal de que aquilo não ia terminar muito bem.

Nas redes sociais, não foi diferente: a hashtag #QueremosContinuarComVc foi utilizada à exaustão, embora por poucas vezes tivesse sido um "trending topic". Desde o início, as três TVs convocaram os maiores nomes de seus castings (Ratinho, Luciana Gimenez, Rodrigo Faro, Marcos Mion e até Silvio Santos) a provocar os telespectadores da forma mais óbvia possível: pedindo para que eles entupissem as operadoras de ligações, fossem à Anatel e até mesmo cancelassem suas assinaturas e "comprassem uma antena por R$ 29,90 na Santa Ifigênia” (mercado popular situado na cidade de São Paulo), recomendação feita pelo próprio Silvio Santos. O efeito, como todos podem ver, foi praticamente nulo. Relembre:

5. Simba… Who?
Inicialmente, a Simba iria apenas unificar as negociações entre as três emissoras e as operadoras. Depois, tornou-se algo maior, uma programadora que futuramente poderia distribuir canais, como fazem Globo (com a Globosat e suas dezenas de canais) e Band (com seus canais BandNews, BandSports e Arte 1), por exemplo. Tudo seria muito bom se isto fosse uma realidade: ao negociar com as empresas, nem mesmo a Simba sabia definir o quê/como seriam estes futuros canais, e em que condições eles seriam criados (Um novo Canal Viva? Um canal com reprises dos programas já exibidos pelas emissoras?). Mais motivos para aumentar toda a tensão e gerar ainda mais desconfiança.

A conclusão: como diria a música do próprio filme que deu origem ao nome da joint-venture entre SBT, RecordTV e RedeTV!: “Hoje à noite, aqui na selva, quem dorme é o leão”…