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"A Força do Querer" termina como grande novela da década
Vcfaz - 27 Out 2017 - 12:46


Olá, internautas

Nesta sexta-feira (20/10), a TV Globo exibiu o último capítulo de “A Força do Querer”. Missão dada. Missão cumprida. Assim, simboliza a conquista de Gloria Perez, direção e equipe. A autora e demais companheiros de jornada elevaram os índices de audiência da então combalida faixa horária, a mais tradicional da TV brasileira.

A emissora platinada retornou para a casa dos 50 pontos com “A Força do Querer”. A novela demonstrou a força da Globo nos lares brasileiros. Sempre ressaltamos neste espaço que Gloria Perez é a melhor autora de telenovelas do Brasil. E ela justificou o título com uma obra competente que envolveu o telespectador. Também é importante salientar a direção de Rogerio Gomes que trouxe um bom ritmo no desenvolvimento da história.

Gloria trouxe conjunto e harmonia ao texto. Fato que sempre cobramos neste espaço. Em outras novelas, há retalhos de diferentes autores e colaboradores que formam um capítulo desalinhado. Gloria escreve sozinha as suas obras. Trabalho redobrado, mas recompensador ao público.

“A Força do Querer” termina como uma das três grandes novelas da década. Todas as histórias foram contadas com um ritmo que não deixou a famosa “barriga”. A estrutura do roteiro fugiu do tradicional núcleo principal irrigado por histórias paralelas. Bibi, Jeiza, Silvana, Ivan/Ivana, Ritinha e até a antagonista Irene formavam um conjunto de protagonistas da novela sem uma atrapalhar a outra. Todas brilharam ao mesmo tempo.

Antes do nosso tradicional balanço com os pontos positivos e negativos, gostaria de deixar alguns registros. Fiuk, que interpretou Ruy, foi alvo de uma campanha negativa nas redes sociais. Discordo do achincalhamento sofrido pelo rapaz. O ator desempenhou um trabalho correto e não comprometeu a novela. Nitidamente, evoluiu em comparação a trabalhos anteriores. Já Maria Fernanda Cândido também cumpriu sua missão ao trazer sua feminilidade, impregnada em Joyce, para duelar com a masculinidade de Ivan/Ivana.

Segue o nosso balanço final.

PONTOS POSITIVOS

Juliana Paes (Bibi): a atriz viveu o auge de sua carreira ao encarnar Bibi “Perigosa”. Uma personagem que demonstrou a competência da estrela da TV Globo. A atriz trouxe a humanidade da mulher que escolheu um caminho e pagou as consequências. A novela não glamourizou o mundo do crime. Ao contrário. “A Força do Querer” expôs uma chaga que assola a sociedade brasileira. Bibi foi punida e mereceu a redenção ao lado de Caio (Rodrigo Lombardi). Sempre torci por esse final.

Isis Valverde (Ritinha): a atriz, mais uma vez, sobressaiu. Isis sempre se destaca nas novelas da TV Globo. Realiza ótimos trabalhos um atrás do outro. O público ficou encantado com a “sereia”. Isis personificou a liberdade da mulher com a personagem.

Paolla Oliveira (Jeiza): era visível o prazer da atriz ao interpretar Jeiza, policial e lutadora do UFC. Viveu uma das melhores fases de sua carreira. Paolla demonstrou competência e segurança com esse trabalho. Personificou os dilemas da mulher contemporânea.

Marco Pigossi (Zeca): um dos trabalhos mais desafiadores para o ator. Superou o desafio de encarnar um sotaque complicadíssimo. Encontrou o tom durante o desenvolvimento da história e envolveu o público que torceu pelo final feliz do personagem com Jeiza.

Carol Duarte (Ivan/Ivana): a grande revelação de “A Força do Querer”. A atriz encarnou a personagem mais desafiadora da novela. Com o texto sensível de Gloria Perez, a atriz conseguiu passar o drama de Ivan/Ivana e a questão da transexualidade que até então era incompreendida por grande parte da sociedade. Importante trabalho de conscientização no combate ao preconceito.

Zezé Polessa (Edinalva): a atriz mostrou sua versatilidade em “A Força do Querer”. Interpretou uma das personagens mais populares da novela. Formou uma boa “tabelinha” com Tonico Pereira. Seu Abel é uma cobra caninana.... O pau te acha, Ritinha..O pau te acha... Responsável pelos bordões que caíram na boca do povo. Ótimo trabalho.

Elizangela (Aurora): a atriz personificou a reação do telespectador ao perceber a hecatombe da filha Bibi. Elizangela brilhou ao viver Dona Aurora com uma interpretação concisa e emocionante.

Lilia Cabral (Silvana): Silvana foi a personagem que mais conquistou o seu espaço do início ao último capítulo. O talento da atriz Lilia Cabral ajudou a alavancar o drama da jogadora compulsiva.

Betty Faria (Elvira): a atriz ressurgiu na tela em um trabalho que honrou a história da atriz na teledramaturgia. Conduziu as “peraltices” de Elvirinha com maestria.

João Bravo (Dedé): o ator mirim emocionou o telespectador em diferentes momentos, principalmente do aniversário de Dedé que contou com apenas o amigo Yuri (Drico Alves).

Rodrigo Lombardi (Caio): o ator cumpriu a sua missão ao viver o ético Caio. Ele passa virilidade no vídeo. E, em nenhum momento, relembrou o histórico Raj na nova parceria com Juliana Paes.

Jonathan Azevedo (Sabiá): outra ótima revelação da novela "A Força do Querer". O ator aproveitou a oportunidade e demosntrou competência ao viver o traficante Sabiá.

PONTOS NEGATIVOS

Edson Celulari (Dantas): personagem totalmente solto e desconectado. Sobrou na estrutura do roteiro. O ator ficou perdido na novela.

Bruna Linzmeyer (Cibele): apesar do final interessante, a personagem também sobrou na estrutura de “A Força do Querer”. Ficou solta e desconectada desde o rompimento do casamento com Ruy (Fiuk).

Último capítulo: o último capítulo não honrou a excelente novela que já deixa saudade. Para finalizar a história dos personagens, a edição surgiu “videoclipizada”. Pá Pum. Sem grande desenvolvimento de histórias que poderiam ainda render no vídeo. Na realidade, faltaram alguns capítulos adicionais (pelo menos, cinco) para retratar com mais parcimônia os desfechos. Claudio viu Ivan/Ivana e ficou chocado. Logo em seguida, aceitou um beijo “chocho”. Sem grandes explicações. Estão juntos. E ponto final. E o que falar do tão aguardado “reencontro” de Ruy e Zeca? Caíram no rio novamente, acordaram e notaram o índio. Trocaram olhares e, logo em seguida, um chama o outro de irmão no Rio de Janeiro. Sem conversas. Sem diálogos entre os dois. Faltou emoção neste momento tão esperado desde o primeiro capítulo.

Abertura da novela: a abertura da novela poderia servir para qualquer novela. Não tinha identidade alguma com a obra. A impressão passada é que pegaram cenas gravadas no Monte Roraima, de Império, juntaram com outras e pronto!

Título da novela: a autora poderia ter criado um título mais marcante para a obra. “A Força do Querer” ficou genérico.

Fabio Maksymczuk



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