Os recursos naturais do planeta estão ameaçados pelo crescente hábito da população mundial de comer carne. Esta é uma das conclusões apresentadas pelo premiado documentarista Dr. Michael Mosley, que também é graduado em Medicina e trabalha como especialista em investigações científicas da BBC há 25 anos. Para realizar o especial The Truth about Meat – no ar no BBC Earth, terça-feira, dia 6 de outubro, à meia- noite – Mosley viajou pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos para registrar que existem maneiras de se alimentar sem prejudicar a natureza.

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O documentário começa com um dado alarmante: atualmente, a população do planeta tem se alimentado com duas vezes mais carne do que há cinqüenta anos. O crescimento deste consumo está impactando o meio ambiente por meio da emissão de gases do efeito estufa durante a digestão do gado, pelo desmatamento para o uso de terras para criação extensiva e para a produção de cereais que são utilizados na alimentação dos animais. Entre os exemplos deste impacto na natureza, estão imagens de arquivo da Amazônia brasileira, que mostram como a floresta é derrubada para abertura de áreas de pecuária e cultivo de soja.

The Truth about Meat destaca recentes estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (UN FAO, sigla em inglês) que sugerem a pecuária ser responsável por 14,5% das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem – a mesma quantidade produzida por todos os carros, aviões e barcos do mundo somados juntos. Mosley entrevista especialistas, como o professor Tim Benton, do Programa Global de Segurança Alimentar do Reino Unido, para discutir como o consumo de carne nos padrões atuais é insustentável. Já Philip Lymbery, CEO da organização Compassion in World Farming, critica o alto uso de água, terras e combustíveis para a criação de animais. “É loucura alimentar gado com comida de gente”, afirma.

Michael Mosley visita uma churrascaria nos moldes brasileiros, localizada nos Estados Unidos, para comparar a eficiência dos animais na transformação de alimento em carne. São impressionantes as diferenças de consumo de proteína necessárias entre as vacas e frangos para produzir apenas 100 gramas de carne animal.

Também nos Estados Unidos, Mosley visitou a Wrangler Feedyar, empresa de criação de gado no Texas. Mike Engler, CEO da companhia, explica como a produção intensiva de gado em áreas restritas e com alimentação de cereais diminui a emissão de gases da digestão em quase 50%. Engler considera esta forma de produção ecologicamente correta, mas Mosley questiona que para produzir mais carne desta forma, a Wrangler Feedyar recorre a fórmulas não ecológicas como o uso de hormônios e antibióticos.

No Reino Unido, o ativista e pesquisador Simon Felly, pratica, em sua fazenda, a defesa de que o equilíbrio pode ser atingido por meio das formas de produção tradicionais, como alimentação natural e a criação simultânea de diferentes animais, como vacas leiteiras, porcos e galinhas. The Truth about Meat aponta a redução do consumo de carne bovina como uma das soluções para diminuir o impacto ambiental da pecuária. Para os interessados na alimentação de forma sustentável, o documentário revela qual é a pequena quantidade máxima de carne que pode ser consumida por uma pessoa diariamente com o objetivo de preservar o meio ambiente.

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