O reality show Big Brother Brasil é um programa de entretenimento e em raros momentos escancara problemas sociais que afligem os brasileiros. Nesta última segunda-feira, dia 5 de abril, os participantes problematizaram a questão do racismo e o programa chegou a ter picos de quase 35 pontos de audiência.

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Durante o jogo da discórdia, uma técnica utilizada para movimentar o programa nas segundas-feiras (normalmente um dia sem muita ação no reality), o participante e professor João chamou a atenção ao desabafar sobre a dor sentida no último sábado ao ser vítima de um suposto ato de racismo por outro participante que fez “piadinha” sobre seu cabelo. Ao vivo, Rodolffo não só confirmou, mas reforçou a “brincadeira” sem graça.

O racismo estrutural no Brasil é crítico. Somos um país que nega qualquer tipo de preconceito, mas que segura a bolsa um pouco mais forte quando vê um negro se aproximando, que compara o cabelo crespo a itens pejorativos como esponja de aço, que associa mau cheiro à cor da pele e etc.

Ter o cabelo comparado à peruca dos homens da caverna pode não significar nada para você leitor branco ou pardo, com cabelos lisos ou levemente encaracolados, mas é motivo de dor constante para quem foge a este estereótipo. Crianças negras são estimuladas a manter o cabelo raspado ou cortado muito baixo, meninas são incentivadas desde cedo a esticar e alisar seus cabelos.

Nem sempre a dor do outro é a sua dor, perceber isso é humanizar as relações. É um processo importante para começar a reconhecer os “pequenos” sinais de preconceito e tentar corrigir um problema histórico que não é só brasileiro.

O programa se silenciou diante do caso. O apresentador não foi capaz de esboçar nenhuma reação. A direção não tomou medidas mais positivas. Em versões estrangeiras do Big Brother, participantes que demonstram qualquer tipo de preconceito são advertidos e expulsos em casos graves. O Big Brother Brasil foi conivente e preferiu ir para o intervalo. A mensagem passada é que está “ok” ter atitudes de racismo e tudo vale para o entretenimento. Nas redes sociais, o perfil de João sofreu ainda mais ataques racistas.

A população brasileira é, em sua maioria, preta ou parda. Há um ano vem sofrendo perdas de diversas formas. Tudo que não precisava era ligar a TV para se divertir com o BBB e reviver a dor de uma “piada” sem graça sem qualquer advertência.

Vale lembrar, racismo no Brasil é crime. A dor de João é histórica e não é apenas dele. O programa foi omisso e a TV Globo apenas repercutiu o caso na manhã desta terça-feira.

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