Nessa Sexta-Feira Santa, dia 14 de abril, data religiosa cristã que relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo, a repórter Bette Lucchese visita os Caminhos Sagrados do Líbano com a equipe do ‘Globo Repórter’. Eles percorrem parte da Galileia, onde estão algumas das mais antigas cidades do mundo para mostrar o lugar onde Jesus Cristo passou a maior parte da vida. Uma terra de milagres e mistérios, que guardam milênios de história.

Entre os lugares visitados pela equipe estão uma floresta de oliveiras e cedros gigantes, que estão entre as árvores mais antigas do mundo; o Vale do Kadisha, o vale santo, onde muitos cristãos se refugiaram durante as perseguições; o Vale do Beckaa, um dos lugares mais encantadores do país, onde há plantações de trigo e uvas; Sidon, a cidade das civilizações e da história de sete mil anos; e Caná da Galileia, lugar onde Jesus Cristo teria feito seu primeiro milagre, transformando água em vinho, até hoje muito visitado.

Para Bette, a viagem foi emocionante, um grande aprendizado. Ela elege a visita ao Vale do Kannoubine como a parte mais encantadora do passeio, onde encarou uma trilha de uma hora para tentar encontrar um dos últimos quatro eremitas do mundo. “Só no Líbano existem eremitas que vivem como os antigos padres do deserto: fazem apenas uma refeição por dia, não comem carne, dedicam 14 horas por dia às orações. São religiosos que preferiram o recolhimento, o isolamento”, conta a repórter.

A equipe percorreu a trilha cheia de incertezas: não havia um endereço e não era possível agendar uma entrevista. Eles arriscaram. E não se arrependeram. “Encaramos a trilha. Passamos por um penhasco com uma vista alucinante, daquelas que tiram o fôlego, sem exagero. O silêncio do lugar comove e nos convida a fazer orações”, conta a repórter. “E o que seria de nós, jornalistas, se não fosse a tal da sorte. Tivemos o privilégio de encontrar um dos eremitas, o Padre Dario”, conta Bette.

A repórter encontrou o padre colombiano do lado de fora da gruta, conversando com os visitantes. O que não é comum, ele assume. “Normalmente não converso com ninguém. Vivo em silêncio. Mas quando estou no pátio e me encontram aqui, respondo ao que me perguntam”, conta o eremita que vive na região há quase 20 anos. Bette ainda teve a oportunidade de conhecer o aposento do padre, em uma gruta, um lugar pequeno e escuro. “Lá tudo é muito mais simples e difícil do que parece”, revela Bette. Nesse eremitério há duas capelas e numa delas as pessoas deixam pedidos. Padre Dario deixa uma mensagem para o público que o assiste: “Que vivam uma vida ordinária de forma extraordinária”.