Paulo José Gómez de Souza é uma das personalidades mais importantes da história da dramaturgia no país. Nascido no município de Lavras do Sul (RS) em 1937, o polivalente ator e diretor começou sua trajetória em Porto Alegre, onde ajudou a criar, em 1955, o Teatro de Equipe. Anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, local em que trabalhou intensamente nos palcos ao lado de nomes como Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, principalmente entre as décadas de 1960 e 70. Desde então, foram mais de 80 papéis, entre participações no teatro, na TV e no cinema.

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Sua carreira é extensamente reconhecida: já venceu por três vezes o Candango de melhor ator no Festival de Brasília; e recebeu o Troféu Oscarito pelo conjunto da obra no Festival de Gramado; dentre muitos outros. Para homenagear este grande intérprete – que no mês de março completa 75 anos –, o Canal Brasil exibe 14 títulos com a participação sempre marcante de Paulo José: O Padre e a Moça (1965); Todas as Mulheres do Mundo (1967); O Homem Nu (1967); Macunaíma (1969); Edu, Coração de Ouro (1969); Cassi Jones, O Magnífico Sedutor (1972); O Rei da Noite (1975); Faca de Dois Gumes (1989); Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998); Benjamim (2004); Juventude (2008) e Insolação (2009); além dos curtas Morte. (2002) e O Teu Sorriso (2009).

Estreia: terça, dia 13/03, às 18h30 e às 22h.

Mostra em dois horários principais: de terça a quinta, às 18h30 e às 22h até o dia 22 de março.

Confira os filmes da Mostra Paulo José:

Terça, dia 13/03:

18h30: O Padre e a Moça (1965) (106’)
O filme marca a estreia de Paulo José nos cinemas. Baseado no poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade e na lenda da Mula sem Cabeça, a produção recebeu, em 1966, os prêmios de melhor atriz (Helena Ignez) e fotografia no Festival de Brasília, além do diretor Joaquim Pedro de Andrade ter sido indicado para concorrer ao Urso de Ouro em Berlim.

A chegada de um jovem padre (Paulo José) sacode o imobilismo de uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. Entre o religioso e uma bela moça (vivida por Helena Ignez) do lugar, nasce uma atração. De início, casta, ela se transforma, posteriormente, numa ardente paixão. Por causa desse amor, ambos são consumidos pela fúria de um vilarejo escandalizado.

22h: O Teu Sorriso (2009) (19’)
Dirigido por Pedro Freire, o curta-metragem foi vencedor de diversos prêmios no 37º Festival de Gramado de 2009, como os de melhor filme, atriz (Juliana Carneiro da Cunha) e o Prêmio Aquisição Canal Brasil.

Rodrigo (Paulo José) tem 72 anos e Suzana (Juliana Carneiro da Cunha), 60. Eles formam um casal da terceira idade completamente apaixonado, que vive um relacionamento quase adolescente. Juntos, brincam, riem, comem, tomam banho e fazem sexo. Em meio às muitas conversas, lamentam terem começado a namorar tão tarde. Ele queria tê-la visto grávida, ter tido netos e envelhecido ao seu lado. A cada momento, os dois têm a certeza de que nunca é tarde para descobrir o amor.

E logo depois os curtas:

Morte. (2008) (23’)
Com roteiro e direção de José Roberto Torero, o filme desconstrói a ideia de que o óbito deva obrigatoriamente ser levado a sério e traz o assunto de maneira cômica. Seu humor reside na quebra de expectativa e no absurdo de se ocupar com a morte, enquanto ainda há vida. O curta-metragem rendeu o prêmio de melhor ator a Paulo José no Vitória Cine Vídeo de 2002.

Um casal simpático de idosos decide organizar o seu funeral. Ele (Paulo José) e ela (Laura Cardoso) começam, então, a planejar o evento. A dupla compra caixões, flores, contrata um organista e pessoas para simularem o velório. Juntos, preparam o testamento e conversam sobre os filhos. Porém, o mais difícil é ter que esperar o momento chegar.

Juventude (2008) (75’)
O longa-metragem narra o encontro de três amigos que decidem fazer um balanço de suas vidas. No elenco, Paulo José divide a cena com Domingos Oliveira – que também assina a obra –, Aderbal Freire-Filho, Aleta Vieira, Edward Boggis, Pedro Saback e Paulo Oliveira. Dentre os troféus conquistados pela produção, destacam-se os Kikitos de melhor direção, roteiro e edição, além do Prêmio de Qualidade Artística no Festival de Gramado de 2008.

Na trama, o diretor teatral Antônio (Domingos Oliveira), o milionário Davi (Paulo José) e o cardiologista Ulisses (Aderbal Freire-Filho) são companheiros desde a infância, quando se conheceram para encenar a peça A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas. Em um fim de semana, eles se reúnem para repensar atitudes e passar a limpo a longa parceria. O filme propõe uma reflexão – de forma poética e, muitas vezes, irônica – sobre os conflitos psicológicos envolvendo homens entre 65 e 70 anos.

Quarta, dia 14/03:

18h30: Policarpo Quaresma, Herói do Brasil (1998) (125’)
Paulo José dá vida ao defensor da cultura nacional, imortalizado na obra de Lima Barreto. A versão cinematográfica de Triste Fim de Policarpo Quaresma traz na direção o cineasta Paulo Thiago. No elenco, estão Giulia Gam, Antonio Calloni, Othon Bastos e Luciana Braga, dentre outros. Em 1998, a produção ganhou os prêmios de melhor filme (júri popular) e ator (Paulo José) no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, em Mato Grosso. No mesmo ano, levou o troféu de melhor diretor no Festival de Cinema Latino-americano, em Trieste, na Itália.

A paixão pelo Brasil guia a trajetória do major Policarpo Quaresma (Paulo José). Entre suas propostas, estão a cassação de políticos gananciosos e a adoção do tupi-guarani como idioma oficial. As ideias do visionário, no entanto, encontram a resistência da elite, admiradora da tradição europeia e avessa a abrir mão de seus privilégios.

22h: O Rei da Noite (1975) (97’)
O primeiro longa-metragem de Hector Babenco lança luz sobre o submundo da noite paulistana. O tema é pano de fundo para a história de um personagem cuja trajetória é marcada por encontros e desencontros amorosos. Paulo José – prêmio de melhor ator no Festival de Brasília de 1976 –, Marília Pêra, Vick Militello, Cristina Pereira, Dorothéé-Marie Bouvyer, Yara Amaral, Isadora de Faria, dentre outros, integram o elenco.

Tezinho (Paulo José) é apaixonado por Aninha (Dorothéé-Marie Bouvyer), mas se vê obrigado a se afastar da jovem a pedido dos pais dela. Ela sofre de sopro cardíaco, e o relacionamento dos dois chega ao fim. Mesmo assim, eles permanecem se correspondendo à distância, prática que se prolonga para o resto da vida de ambos. Após o episódio, Tezinho mergulha na boemia e se envolve com Pupi (Marília Pêra), cantora de cabaré, que passa a sustentá-lo.

Quinta, dia 15/03:

18h30: Todas as Mulheres do Mundo (1967) (91’)
Paulo José e Leila Diniz vivem os protagonistas desta comédia romântica, uma das produções mais cultuadas da cinematografia nacional. Sob direção de Domingos Oliveira – que transpõe às telas sua conturbada relação com a atriz principal –, o longa ganhou, em 1966, os Candangos de melhor ator (Paulo José), filme, direção e roteiro no Festival de Brasília, além de receber menção honrosa para Leila Diniz. No ano seguinte, levou os troféus de melhor roteiro, ator, atriz e montagem na cerimônia do Instituto Nacional de Cinema.

A história de amor com a professora Maria Alice (Leila Diniz) não sai da cabeça de Paulo (Paulo José), bon vivant inveterado que se apaixonou à primeira vista. Embora a moça fosse comprometida, ele partiu para a conquista, mas o posterior namoro passaria por períodos críticos. Ao amigo Edu (Flávio Migliaccio), o rapaz confidencia as diversas fases do relacionamento: convivência, crise, ruptura e reconciliação.

22h: Benjamim (2004) (108’)
Paulo José, Cléo Pires, Danton Mello e Chico Diaz, dentre outros, no filme de Monique Gardenberg. Baseado no romance homônimo de Chico Buarque de Hollanda, Benjamim recebeu os prêmios de melhor filme, ator (Paulo José), edição e direção de arte no Festival de Cinema Brasileiro de Miami e melhor atriz (Cléo Pires) no Festival do Rio; todos em 2003.

A história de uma tragédia amorosa vai se desenrolando paulatinamente em idas e vindas ao passado de Benjamim Zambraia (Danton Mello na juventude e Paulo José na maturidade). Solitário e esquecido ex-modelo fotográfico de meia-idade, imitava Elvis Presley e era bastante assediado pelas garotas na década de 1960. Ao conhecer a jovem Ariela Masé (Cléo Pires), de impressionante semelhança física com sua antiga e frustrada paixão, a politizada e rica Castana Beatriz − também vivida por Cléo Pires −, Benjamim passa a procurá-la obsessivamente. Ele, então, viaja pelas lembranças contando detalhes do relacionamento e promovendo um acerto de contas com a própria consciência.

Terça, dia 20/03:

18h30: Edu, Coração de Ouro (1968) (85’)
Novamente, Domingos Oliveira escala Leila Diniz e Paulo José para os papéis principais de uma comédia de sua autoria. Dividido em capítulos, o filme amadurece a ideia do bon vivant que vive o típico cotidiano de um malandro carioca. Dentre outros prêmios, o filme ganhou o Candango de melhor ator (Paulo José) no Festival de Brasília de 1967.

Pelas ruas de Ipanema, o simpático Edu (Paulo José) vive divertidas histórias ao se envolver com as mais diferentes mulheres. O rapaz tenta conquistar uma solitária garota, namora uma jovem vinda do interior e, por vezes, se encontra com uma ou outra moça casada. Mas, ao conhecer a misteriosa Tatiana (Leila Diniz), o galã descobre como é ser verdadeiramente fisgado.

22h: Macunaíma (1969) (104’)
Adaptação do romance de Mário de Andrade sobre “o herói brasileiro sem nenhum caráter”, a produção é considerada uma expressão cinematográfica do Tropicalismo, movimento cultural brasileiro dos anos 1960 com profundas influências na música e no teatro. Em 1969, o filme foi premiado no Festival de Brasília ao levar os Candangos de ator (Grande Otelo), cinegrafia, figurinos, roteiro (Joaquim Pedro de Andrade) e ator coadjuvante (Jardel Filho).

Nascido numa tribo de índios da Amazônia, um menino negro (Grande Otelo) cresce habituado a ingênuas malandragens. Em delirantes aventuras, ele sai em busca de uma medalha da sorte e chega a São Paulo, onde, já adulto e branco (Paulo José), reafirma seu comportamento de preguiçoso e sem índole.

Quarta, dia 21/03:

18h30: O Homem Nu (1968) (118’)
A comédia narra as confusões causadas por Sílvio Proença (Paulo José), um professor de música folclórica que fica acidentalmente trancado pelo lado de fora do apartamento de uma amiga, completamente nu. A partir do fato, ele passa por uma série de situações inusitadas, fugindo e se protegendo de pessoas escandalizadas.

Baseado na obra homônima de Fernando Sabino, o roteiro foi escrito pelo autor, em parceria com Roberto Santos, também diretor do filme. A produção capta, com sensibilidade e despojamento estético, o conservadorismo e a hipocrisia da sociedade brasileira e termina ultrapassando sua premissa humorística. O longa-metragem conta ainda com Leila Diniz, Joana Fomm e Ruth de Souza, dentre outros, no elenco.

22h: Faca de Dois Gumes (1989) (94’)
Com direção de Murilo Salles, o filme é baseado no livro homônimo de Fernando Sabino. Além de Paulo José, compõem o elenco Marieta Severo, José de Abreu, Pedro Vasconcelos e Flávio Galvão. A produção foi vencedora dos prêmios de direção, som, fotografia e cenografia no Festival do Cinema Brasileiro de Gramado, em 1989; no ano seguinte, recebeu os troféus de melhor filme e montagem no Festival de Cinema de Natal.

Jorge Bragança (Paulo José) é um marido apaixonado, integrante de uma família ilustre. Traído pela bela mulher – que é amante de seu sócio e melhor amigo –, ele planeja um crime perfeito, articulando meticulosamente todas as fases de sua ação. A atitude passional e fatores imprevisíveis – envolvendo corrupção e o sequestro de seu filho – acabam por transformar a situação numa faca de dois gumes, onde tudo se encaminhando para um final dramático.

Quinta, dia 22/03:

18h30: Cassi Jones, O Magnífico Sedutor (1972) (94’)
O último dos longas assinados por Luís Sérgio Person foi ganhador de importantes prêmios, como o de melhor filme pela Associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo e o Kikito de melhor diretor, no Festival de Gramado; ambos em 1973. O elenco é formado por Paulo José, Sandra Bréa, Glauce Rocha, Grande Otelo e Carlos Imperial, dentre outros.

A trama gira em torno de Cassi Jones (Paulo José), um sedutor incansável, desejado por todas as mulheres. Aos poucos, porém, o assédio feminino começa a causar-lhe um certo cansaço. Depois de um tempo fugindo das moças, Cassi encanta-se por Clara (Sandra Bréa), cuja rígida educação parece dificultar qualquer tentativa de aproximação. No entanto, ora se fingindo de padre, ora se fazendo passar por um professor de balé gay, Cassi está disposto a tudo para conquistá-la.

22h: Insolação (2009) (101’) – O amor utópico e quase febril que os cineastas Daniela Thomas e Felipe Hirsch retratam em Insolação levou o filme a ser exibido no Festival de Cinema de Veneza, em 2009, como parte da Mostra Orizzonti, espaço destinado às novas tendências. O argumento partiu da ideia de adaptar contos russos do século 19 sobre o amor, escritos por autores como Tchecov, Turgeniev e Pushkin. Personagens diversos são representados pelos atores Paulo José, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Maria Luisa Mendonça e Leandra Leal, dentre outros.

Na tela, uma solitária e inóspita cidade que, na ausência de qualquer vida humana alheia aos protagonistas, se transforma ela mesma em mais um sonho. Num ambiente vazio, castigado pelo sol, jovens e idosos confundem a sensação febril da insolação com o início delicado da paixão. Como espectros, eles vagam entre construções e descampados numa busca infrutífera, desde as primeiras experiências de adolescência até as últimas, à beira da morte.

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