cultura Antônio Abujamra recebe nesta terça-feira, dia 3 de dezembro, a partir das 23h30 (e 20h30 em Rio Branco), dois jovens ligados à poesia contemporânea. Caco Pontes e Cláudio Machado são os convidados do programa Provocações, na TV Cultura.

- Publicidade -

[creditos:b0d7f24e7a]
Foto: Jair Magri / Divulgação TV Cultura [/creditos:b0d7f24e7a]

Durante o programa, Caco Pontes fala como surgiu a poesia maloqueirista e sobre a patrulha acadêmica, que insiste em definir sua obra. Segundo ele, o movimento nasceu de uma expressão independente das condições para se expressar. A intenção era inovar a linguagem poética. “Também houve uma provocação no início, com alguns de nós saindo para vender livretos de poesia nas ruas. Qual seria a nossa chance de fazer algo de novo já que houve várias vanguardas e “istas” como os modernistas, os surrealistas, os concretistas?”. Ele conta como saiu a definição dessa poesia, lembrando que quem ajudou a nomeá-la foi a moça do escritório de um companheiro que fundou o movimento, quando ela disse: “Você, desse jeito, o que você pode ser hoje? Maloqueirista? E ele falou: ‘É isso!’”.

Como todo trabalho artístico, a poesia de Caco está sujeita a críticas e ele diz sua opinião a respeito: “Eu acho que a crítica traz um embasamento intelectual, mas não acho que é de embasamento intelectual que vive a arte na sua essência. Isso fecha muito uma possibilidade de reinventar.Então, eu aceito as críticas construtivas, mas vejo muita patrulha acadêmica também, uma cobrança. Então, eu procuro medir o que vai me acrescentar”.

O jovem poeta paulistano ainda dá sua opinião em relação aos jornalistas culturais e o seu comprometimento com seu trabalho: “Uma impressão que eu tenho é que o jornalismo cultural está se perdendo… Antigamente, os grandes jornalistas não eram formados em jornalismo, mas eles tinham o comprometimento cultural com a sua função”.

Cláudio Machado é do interior de São Paulo e fala de sua relação com a poesia: “Eu comecei a escrever com 14 anos. Comecei a escrever porque na escola eu dava muito trabalho, eu era o terrível e, infelizmente, me ensinaram a não gostar dos livros e a poesia me salvou nesse sentido. Eu procurei nos livros uma resposta, mas fora dos muros da escola e não dentro dela. Não dentro da grade curricular, como diz o Rubem Alves, que deve ter sido inventada por carcereiro mesmo”.

Da escola pública do interior de São Paulo para a Europa, Cláudio conta como sua poesia extrapolou as fronteiras brasileiras: “O meu nome foi parar em Portugal devido à própria divulgação do Facebook. Alguns poemas meus foram via internet para o Jorge Vieira, que é um poeta do Porto. Começaram a ler os meus poemas falando que eu tinha facilidade de brincar com as letras”.

Cláudio é também palestrante e comenta sobre o teor de seus discursos: “Eu não dou palestras de poesia. Eu não vou falar pra eles sobre poesia, eu deixo que eles falem de poesia. Uma menina de 12 anos, por exemplo, falou que poesia é aquilo que ela sente dentro dela e não sabe explicar”.

- Publicidade -