O documentário inédito Baré: povo do rio, dirigido por Tatiana Toffoli, narra a cultura, crenças, ritos ancestrais e lendas dos Barés, revelando aspectos dessa etnia que vive ao longo do Rio Xié e alto curso do Rio Negro, no Noroeste da Amazônia. O filme estreia no domingo, dia 19 de abril, às 22h30, no SescTV e integra projeto realizado pelo Sesc São Paulo, que também é composto por um livro homônimo lançado em março deste ano.

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O povo Baré sofreu violência cultural e exploração extrativista por parte do homem branco durante muitos anos, até sua língua de origem, da família linguística aruak, se perdeu. Hoje eles falam nheengatu – conhecida também como língua geral amazônica, difundida no século XVIII por missionários jesuítas e carmelitas – e têm a agricultura e a pesca como principal meio de subsistência.

Apesar da interferência dos brancos, essa etnia ainda preserva costumes de seus antepassados, como o kariamã, ritual de iniciação para a vida adulta. Neste cerimonial, apenas os rapazes recebem conselhos e ensinamentos dos mais velhos sobre como viver bem na floresta, e se preparam para tocar instrumentos considerados sagrados do Jurupari, figura da mitologia indígena.

Durante o kariamã, os garotos, em jejum, seguem pelo rio em uma canoa. Em um determinado lugar da floresta, isolados, fazem peças artesanais, como balaio e peneira, caçam e plantam. Ao retornarem, eles prosseguem em outra etapa do ritual: expulsar o saruãça, espírito do mal, do corpo dos jovens, com benzimento e surra. Ao final do kariamã, peixes e outros animais que servirão de alimentos também são abençoados. Assim os meninos são preparados para a vida adulta. Durante esse ritual, acontece outro, o dabucuri, quando alimentos e bens são ofertados às mulheres.

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