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13 Reasons Why: qualidade, coragem e empatia
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Ricardo em 5 Abr 2017 - 4:16       Administração
anos | Ago 2003 | Mensagens: 5931 | Pontes e Lacerda - MT
  
 

13 Reasons Why: qualidade, coragem e empatia

Fonte: http://www.updateordie.com/2017/04/03/13-reason...oragem-e-empatia/

A partir do momento em que o primeiro episódio de 13 Reasons Why começa, você tem apenas uma certeza: já é tarde demais.

A nova produção original da Netflix inicia sua trama nos dias posteriores ao suicídio da jovem Hanna Baker, em meio ao caos que um acontecimento desses gera no colégio onde ela estudava e na vida das pessoas que interagiam com ela.

Hanna era uma garota bonita, espirituosa, inteligente e única. Ela tinha pais amorosos e até mesmo um interesse romântico, o carismático e socialmente deslocado Clay.

Então por que ela cometeria suicídio?

É o que o espectador é convidado a descobrir quando Clay recebe uma caixa cheia de fitas K7. Nelas, Hanna gravou os 13 motivos que a levaram a tirar a própria vida… e também revela as pessoas que compartilharam a responsabilidade pelo fato.

Somos então jogados em uma história que vai muito além do drama existencial da adolescência. Claro que todas as questões famosas do gênero estão lá, como a busca pela identidade, o preconceito, o isolamento, o bullying. Mas a série vai além, apostando também em elementos de investigação/mistério e sendo mais do que bem sucedida em gerar uma atmosfera de suspense.

Claro, pois acompanhamos a maior parte dos acontecimentos pelo ponto de vista de Clay, um cara que parece ser muito gente boa. Mas, se é assim, por que diabos ele estaria naquelas fitas? A espera pela resposta é enervante!

Claro que não vou dar nenhum spoiler aqui. Mas, se você tem a intenção de assistir, saiba desde já que não é uma tarefa fácil ou leve. O tom vai ficando cada vez mais sombrio conforme a trama avança, até o ponto em que não desviar os olhos da tela se torna uma tarefa quase impossível.

Um dos grandes acertos da série está na cuidadosa construção de personagens. Você consegue enxergar aquelas figuras como pessoas reais, complexas, com sonhos, medos e fraquezas. Alguém que em um primeiro momento desperta o seu ódio, após alguns capítulos acaba te surpreendendo e se mostrando muito mais uma vítima das circunstâncias. Como saber se não faríamos o mesmo se estivéssemos ali, em seu lugar?

Não há conclusões fáceis, embora alguns personagens soem menos tridimensionais do que outros.

A série acerta em não investir em um maniqueísmo simplista de certo/errado. O que temos, na verdade, são diversas versões e pontos de vista para o que aconteceu. E é muito legal perceber que mesmo Hanna não escapa das falhas, pois as coisas que relata não são necessariamente fatos, mas uma visão sobre esse fatos. E não é à toa que um personagem, em determinado ponto da história, afirme que conhece a verdade de Hanna, resta conhecer as outras verdades.

Também nos chama a atenção o universo tão rico de personalidades que, por um lado, escapa dos clichês, mas, pelo outro, os utiliza com eficiência – afinal, clichês existem por um motivo: eles são reais. Sendo assim, ao mesmo tempo em que temos o atleta imbecil e que pratica bullying diariamente, também temos o gay que poderia ocupar o papel de galã machão em uma produção menos inteligente.

A série ainda não se contenta em levantar velhos debates, mas faz questão de levá-los a outro nível de profundidade, como quando um personagem em conflito com a própria sexualidade diz que jamais poderia se assumir como gay já que seus pais adotivos o são (obviamente antevendo comentários preconceituosos de gente ignorante que acredita que a inclinação sexual é algo a ser aprendido ou doutrinado).

Assim, a cada novo capítulo, 13 Reasons Why nos leva adiante em uma jornada na qual conhecemos mais desses personagens e seus dramas, em um verdadeiro exercício de empatia.

E empatia aqui é a palavra chave. Sim, pois há duas maneiras de assistir a essa série…

A primeira é com distanciamento, enxergando-a como mero entretenimento adolescente. Se esse for o seu caso, pode até ser que você não assista todos os episódios, trocando-os por algo mais ágil, agradável e digerível. E tudo bem se essa for a sua escolha.

A segunda maneira é com o coração aberto, disposto a se conectar com todos aqueles jovens. Essa, obviamente, é a minha sugestão… mas saiba que, se você trilhar esse caminho, a experiência que viverá, embora poderosa, não será nem um pouco gentil. E aqui tenho que tirar o chapéu para a coragem demonstrada pela Netflix em apostar no que é necessário ao invés de apenas no que é legal.

Pois, quando aquela certeza que eu mencionei lá no primeiro parágrafo deste texto se concretiza, quando finalmente vemos o instante que coloca toda uma cadeia de acontecimentos em movimento, ela vem como um soco. É brutal e angustiante.

Não há nada de belo ou romântico no suicídio de Hanna Baker. Apenas os instantes finais de uma história que poderia – que deveria – continuar, mas que é substituída por um ato final que dá origem a um sem números de danos colaterais, impactando para sempre outras vidas.

Sim, pois essa é a maior tragédia por trás do suicídio: o fato de que existem pessoas que sofrem com a perda e que amam aquele que se foi… só que este jamais saberá disso.

Veja, quando uma pessoa chega a um ponto de desespero tamanho que parece não haver outra alternativa, é porque essa pessoa não consegue mais se enxergar fazendo parte. Ela está sozinha, desconectada, vazia. Ela realmente acredita que o mundo e as pessoas nele estariam melhores se ela não existisse.

Então ela faz a única coisa que está ao seu alcance para parar de sofrer e para parar de atrapalhar os outros: ela desaparece.

E desaparece na que talvez seja a mais solitária das mortes.

Eu não consigo nem começar a conceber o tamanho da angústia de um suicida nos momentos que antecedem a tomada de decisão definitiva.

Já parou pra pensar em como deve ser segurar uma lâmina entre os dedos enquanto faz os cortes transversais no pulso? Depois ainda ter que trocar a lâmina de mão e fazer a mesma coisa com o outro pulso, enquanto as veias expulsam o sangue e a vida do seu corpo?

Será que você sente frio ou calor? Será que fica amortecido ou sente a dor até o fim?

Eu tento fazer um exercício imaginativo sobre saltar de um prédio e sentir o coração disparado conforme o vento passa cada vez mais rápido pelos ouvidos. Tento imaginar como a mão deve tremer quando se encosta o cano gelado de uma arma contra a própria cabeça, sabendo que basta fazer um movimento de dedo para deixar de ser uma pessoa e virar um objeto.

Eu tento usar a criatividade para ter uma mínima ideia do que é morrer completamente sozinho, trancado em um banheiro ou em um quarto ou em uma garagem. Morrer sem ninguém para segurar a minha mão ou dizer que sentirá a minha falta.

Eu tento. Só que eu nunca consigo imaginar até o fim.

E por isso não sei dizer como um suicida se sente. Sei apenas que deve ser triste e doloroso demais experimentar a existência como uma tortura.

Você consegue imaginar algo do tipo? Eu não consigo.

E, justamente por não conseguir, eu acho que não tenho o direito de julgar. Não tenho o direito de dizer que é frescura ou pecado ou covardia.

Hoje mesmo, ao pesquisar sobre o filme, eu vi um comentário de um leitor em um famoso site de cultura pop dizendo que a série era besteira pois claramente se tratava de uma garota que se comportou como vadia e depois não aguentou o tranco. Pois é, consegue acreditar em uma coisa dessas?

Esse tipo de comentário mostra como estamos alienados, como estamos falhando.

Por tempo demais lidamos com esses problemas como se fossem algo que deveríamos varrer para debaixo do tapete. Algo que acontece com pessoas fracas, mas que nunca rolaria com a gente, ou com um amigo, ou com um filho.

Só que acontece. E não tem nada a ver com fraqueza.

O ser-humano é um animal social. Pelo bem ou pelo mal, nós precisamos uns dos outros. Precisamos olhar ao redor, sorrir, brigar, ter discussões, discordar e encontrar pontos em comum. Precisamos perceber uns aos outros. Precisamos ouvir esses gritos silenciosos que com tanta raiva e desespero nos dizem:

“Eu existo, você não vê?”

13 Reasons Why viu.

A série não apenas teve sucesso como storytelling de entretenimento, mas também levantou uma discussão importante, que precisa transcender os círculos escolares e chegar em lares, rodas de amigos e ambientes de trabalho.

Já passou da hora de prestarmos mais atenção.

Se não formos capazes disso, então tudo o que conquistamos até aqui não serviu pra muita coisa e um dia todos morreremos sozinhos.


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fadaco em 5 Abr 2017 - 10:00       
anos | Set 2005 | Mensagens: 1159 | Florianópolis - SC
  
 

Interessante o texto me fez relembrar novamente as aulas de sociologia sobre a obra de Émile Durkheim entre outros acontecimentos.
Sobre a série estou vendo de "coração aberto", queria poder ver tudo na mesma hora, mas falta tempo...tempo.


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Ricardo em 6 Abr 2017 - 4:51       Administração
anos | Ago 2003 | Mensagens: 5931 | Pontes e Lacerda - MT
  
 

Terminei o 10º episódio. Agora vem a história de XX que tanto comentam.

A narrativa tem uma "barrigada" (aquela esticada lá pelo 4 ou 5 episódio), mas dá pra encarar. O episódio 9 começa com um aviso, mas não achei a cena tão pesada (já vi filmes bem piores).


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Ricardo em 13 Abr 2017 - 3:24       Administração
anos | Ago 2003 | Mensagens: 5931 | Pontes e Lacerda - MT
  
 

Uma semana depois de assistir a série, penso o seguinte:

13ReasonsWhy é uma série pretensamente niilista que "glamoriza" e torna didático o suicídio. A produção caminha rumo ao abismo, para a negação da humanidade. Mas no final tenta dar um valor moral sutil à narrativa, como se tentasse dizer que há pessoas boas.

Há um certo exagero na cena do suicídio. Não havia necessidade de uma demonstração tão didática do ato (quem não sabia como fazê-lo, agora saberá e isto é perigoso). E ainda corre o risco de repetir efeito semelhando ao ocorrido após a publicação de "os sofrimentos do jovem werther" (o livro foi sucesso de crítica e público, mas não demorou muito e diversas pessoas começaram a "imitar" e cometer o suicídio influenciadas pela narrativa).

Não expurga, falha no caráter catártico. No final o público não desliga a tv com a sensação de ter expurgado qualquer sentimento suicida, de culpa ou de afeto. Quando muito cria uma certa empatia pela personagem, mas nada suficientemente forte.

A produção é desleixada. Há falhas de maquiagem, por exemplo. Clay passa a série toda com uma ferida na testa que nunca se cura. Em um episódio leva uma surra enorme e se recupera rapidamente logo em seguida como se nada tivesse acontecido. Banaliza a inteligência e percepção do público.

É recheada de clichês. Garoto nerd nada popular é o herói. O garoto super popular é o bandido. O latino funciona como escada/guia e não tem sua participação bem explicada. As garotas são fúteis. O conselheiro falha justamente na sua função. As personagens são "planas", rasas. Não há debate psicológico ou filosófico que dê alguma profundidade a nenhum deles. A atuação é boa, mas o texto é ruim (enquanto elemento estético).

Há ganchos para a segunda temporada: o julgamento; o possível suicídio de Alex (ou ele teria sido vítima de um ataque do fotógrafo que esqueci o nome?)... Será que na segunda temporada o ponto de vista mostrado seria de Alex?

Vale a pena assistir? Para algumas pessoas sim, para outras não. Na dúvida é melhor procurar outra série para curtir. A Netflix tem várias outras, melhores até.


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CyberBattery em 13 Abr 2017 - 12:31       
anos | Out 2015 | Mensagens: 1426 | Carapicuíba - SP
  
 

Vish... agora fiquei na dúvida se assisto, no rotten a avaliação é altíssima, 90~90%, no iMDB 91 pra + de 30.000.


Sorriso amarelo


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fadaco em 13 Abr 2017 - 16:11       
anos | Set 2005 | Mensagens: 1159 | Florianópolis - SC
  
 

Eu acho que vale a pena, o assunto é controverso e sou da opinião que quanto mais se falar (de modo educativo) melhor, sem querer dar spoiler, mas empurrar o problema para debaixo do tapete não resolve o problema... Saiu reportagem sobre os problemas dos alunos da USP e especialistas criticaram a abordagem da série. Comentários sobre o livro falam que a cena trágica foi muito bem descrita e narrada no livro com detalhes, não poderia ser diferente na série, foi chocante... foi, mexeu bastante comigo, cada um tem história antes e depois dos fatos.

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Ademir em 13 Abr 2017 - 17:07       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 3934 | Paranavaí - PR
  
 

Já tinha ouvido falar da série, mas ainda não assisti.

Pelo texto do tópico, me lembrou a famosa série dos anos 90 "Twin Peaks?", do diretor David Lynch.


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fadaco em 20 Abr 2017 - 12:08       
anos | Set 2005 | Mensagens: 1159 | Florianópolis - SC
  
 

Texto interessante para ampliar a discussão sobre tudo o que está relacionado

Jovens não precisam de 13 razões para se matar
http://emais.estadao.com.br/blogs/daniel-martin...-matar-basta-uma/


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