Vcfaz.tv
Agora na TV Me Chama de Bruna
01:10 - 01:50
Vida no Alasca
01:36 - 02:00
Marcados Pela Guerra
00:30 - 02:45
revista eletronica  
Moderador O Vcfaz está com inscrições abertas para novos moderadores e colaboradores. Veja aqui como fazer parte da equipe!
    Você está lendo um tópico
Novo Tópico Responder Mensagem 

Papo Aberto   
Primeiro caso de transexualidade das Forças Armadas brasileiras vira filme
As mensagens são de responsabilidade de seus autores.
Este tópico possui Mensagens 0 respostas e Visualizações 162 visitas.


fadaco em 26 Jun 2017 - 10:45       
anos | Set 2005 | Mensagens: 1148 | Florianópolis - SC
  
 

Primeiro caso de transexualidade das Forças Armadas brasileiras vira filme
Estreia no começo de 2018 o longa-metragem sobre o drama da cabo que se tornou o primeiro, e ainda único, caso de transexualidade das Forças Armadas do Brasil. A história real se passa na capital do país, onde ela servia e ainda mora


compartilhar: Facebook Google+ Twitter

postado em 25/06/2017 08:00 / atualizado em 25/06/2017 08:46
Renato Alves
Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
O drama do primeiro cabo transexual das Forças Armadas do Brasil, Maria Luiza, será contado em um documentário feito pelo cineasta Marcelo Diaz


Dez anos após a Justiça lhe dar o direito de pertencer ao sexo feminino, a vida de Maria Luiza da Silva ainda é marcada por preconceitos, humilhações. Aos 56 anos, ela ainda luta para voltar de onde a expulsaram por causa do gênero: a Aeronáutica. Venceu as batalhas jurídicas na primeira e segunda instâncias. Falta o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Enquanto isso, a cabo continua morando no Cruzeiro Novo, indo às missas aos domingos, praticando fotografia e pintura. A novidade é que a guerra sem fim da primeira transexual das Forças Armadas do Brasil vai ganhar os cinemas no primeiro semestre de 2018, por meio de um longa-metragem de uma hora e meia de duração.


Leia mais notícias em Cidades


Esse drama brasiliense vai ser contado em um filme dirigido por cineasta nascido e criado na capital. Formado da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Díaz ganhou notoriedade por realizar documentários sobre personagens da cidade, como o artista plástico Galeno e o mecânico José Perdiz, que transformou sua oficina em teatro. “O filme sobre a Maria Luzia é uma sequência da minha carreira, marcada por histórias de transformação. Maria Luiza tem uma história de busca de respeito, afeto e felicidade. Simples e profunda. O filme vai mostrar isso e tocar na questão de gênero nas Forças Armadas. Vai tocar muita gente”, resume o diretor de 42 anos, sobre o seu primeira longa-metagem.




Maria Luiza nasceu José Carlos, em Ceres (GO), mas nunca se reconheceu homem. E isso lhe trouxe enormes transtornos na carreira militar. Em 2000, quando era cabo da Aeronáutica, veio o parecer do Alto Comando, que a diagnosticou como transexual, “incapaz, definitivamente, para o serviço militar”, mas “não inválido, incapacitado total ou permanentemente para qualquer trabalho”. À época, ela, com o nome masculino, servia na Base Aérea de Brasília, onde era mecânico de aeronaves. A decisão do comando culminou na aposentadoria (reforma, na linguagem militar) a contragosto, com metade do salário (o soldo). Acuada, sob ameaça para não tornar a decisão pública, pediu ajuda ao Ministério Público do DF.

Diego Bresani / Diazul de Cinema
Formado da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Díaz ganhou notoriedade por realizar documentários sobre personagens da cidade, como o artista plástico Galeno e o mecânico José Perdiz, que transformou sua oficina em teatro


O promotor Diaulas Ribeiro, da Promotoria de Defesa dos Usuários de Saúde (Pró-Vida), comprou a briga. Em meio à guerra judicial, em 2005, ela se submeteu à cirurgia de mudança de sexo. Dois anos depois, a juíza Lília Simone Rodrigues da Costa Viera, da 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do DF, deu a sentença que reconheceu o direito de Maria Luiza — nome escolhido antes da cirurgia — pertencer ao sexo feminino. O juiz José Batista Gonçalves da Silva, da Vara de Registros Públicos do DF, acolheu a manifestação do MPDFT e determinou a alteração do nome e a averbação à margem do assento de nascimento. Maria Luiza tinha uma nova certidão. Em 2010, outra grande conquista. O juiz Hamilton de Sá Dantas, da 21ª Vara Federal, mandou a Aeronáutica reintegrar Maria Luiza. Mesmo que na reserva, com soldo igual aos militares nunca reformados. A cabo, porém, não voltou à ativa, em função da idade. Completou 49 anos. O tempo de serviço, 30 anos adotados nas Forças Armadas, já havia transcorrido. Por fim, a Aeronáutica recorreu ao STJ.

Estereótipos


Com o salário pela metade, Maria Luiza ainda luta para permanecer no apartamento funcional de dois quartos que a Aeronáutica também quer lhe tomar. Decisão liminar lhe garante a ocupação do imóvel até o processo se esgotar. Na tarde de quinta-feira, uma equipe do Correio encontrou Maria Luiza e Marcelo Díaz. A cabo apresentava a mesma fisionomia e o mesmo comportamento de quando o drama dela veio à tona, por meio do jornal. De calça jeans, blusa florida sem decote, tamancos azuis claros, unhas pintadas de rosa claro, brincos e batom da mesma cor, ela falou das batalhas judiciais, do cotidiano e do filme.

Diego Bresani / Diazul de Cinema
"O filme é um reconhecimento da minha luta. E ele deve servir para abrir os olhos e os corações das pessoas, fazer elas refletirem sobre tolerância."
Tímida, elogiou a iniciativa de Marcelo Díaz: “O filme é um reconhecimento da minha luta. E ele deve servir para abrir os olhos e os corações das pessoas, fazer elas refletirem sobre tolerância.” Marcelo interrompeu: “Para estarmos aqui hoje, tivemos antes muitos encontros. A Maria Luiza é muito reservada, tive que ganhar a confiança dela. E ganhei muito mais que isso. A cada filmagem, eu e toda a minha equipe aprendemos muito com ela. Primeiro, a desconstruir estereótipos. Maria Luzia é uma mulher trans, mas também é militar, católica, devota de Nossa Senhora, dona de casa, tímida. Não gosta de balada, não bebe, não fuma. O filme é sobre isso também, a desconstrução de estereótipos”.

Maria Luiza falou ainda do sofrimento com a prolongação de sua ação judicial. “Entrei na Aeronáutica aos 18 anos. Dediquei-me ao meu trabalho, servi às Forças Armadas de maneira exemplar. Fiz muitos cursos e, antes de ser reformada, era professora, ensinava o que sabia. E queria continuar assim, pois, como o próprio laudo da Aeronáutica diz, sou perfeitamente capaz para o trabalho”, ponderou. Marcelo também comentou a morosidade do processo da sua personagem: “Pensei em filmar a história de Maria Luíza quando li as primeiras matérias do Correio. A produção da obra teve início há seis anos. Pensava que, em 2017, poderia filmar Maria Luiza de farda, na Aeronáutica, recebendo alguma homenagem. Infelizmente, não é isso o que vamos ver. É a vida real.”

Com o nome provisório de Maria Luiza, o longa de Marcelo Díaz começou a ser filmado em agosto do ano passado. “Não há artistas. A Maria Luiza é a protagonista. Há depoimentos do promotor (Diaulas), dos juízes e de militares que serviram com ela. Todos, aliás, só a elogiaram. Claro, também houve muita gente que se recusou a gravar. Até hoje, não temos qualquer posicionamento da Aeronáutica. Nem uma nota oficial. Muito menos autorização para filmar onde ela serviu”, conta o diretor. A obra, segundo ele, está 80% concluída. Falta o acabamento. “Temos recursos do FAC (Fundo de Amparo à Cultura, do GDF), mas ainda falta um pouco de dinheiro, por isso, vamos lançar uma campanha de financiamento pela internet”, anuncia Díaz. Ele ainda sonha com uma cena de final feliz. “Seria uma grande oportunidade de as Forças Armadas reverem a sua oposição. Sonho com a cena da Maria Luiza recebendo alguma homenagem, fardada, batendo continência, em um quartel.”

Como ajudar


Informações sobre como participar da campanha de financiamento do filme Maria Luiza na página da produtora Diazul no Facebook: facebook.com/diazuldecinema


ARTIGO


E a vida real virou história de cinema

Marcelo Abreu

Início do ano 2000, quase fim de tarde. Fui chamado à sala do então diretor de redação do Correio. Havia uma missão. O então promotor da Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do DF, Diaulas Ribeiro, estava com um caso inédito. Único no país. E até hoje permanece único. O primeiro caso de transexualidade das Forças Armadas do Brasil. “Essa matéria é muito séria e exclusiva. Você tem uma bomba em suas mãos”, disse-me o diretor. Fui. Sabia que a missão não seria fácil. E não foi.

Diego Bresani / Diazul de Cinema
Em 2010, o juiz Hamilton de Sá Dantas, da 21ª Vara Federal, mandou a Aeronáutica reintegrar Maria Luiza. Porém, ela não voltou à ativa, em função da idade


Na sala do promotor, a primeira das muitas vezes que o encontraria, estava um cidadão magro, tímido e nitidamente acuado, sofrido, mas decidido. José Carlos da Silva, cabo da Aeronáutica, então com 41 anos, separado, uma filha, tinha um laudo na mão. Um laudo que abalou a estrutura militar, tão rígida e conservadora.

No documento do Alto Comando da Caserna, a que o Correio teve acesso naquele fim de tarde, o parecer da junta médica das Forças Armadas: “Atrofia testicular por provável ação medicamentosa. Transexualismo”. E a decisão de afastá-la de vez da corporação, depois de 22 anos de atividades como mecânico de aeronave, condecorado pela corporação, sem nenhuma falta ou mácula na vida militar: “Incapaz, definitivamente, para o serviço militar. Não é inválido. Não está impossibilitado total ou permanentemente para qualquer trabalho. Pode prover os meios de subsistência. Pode exercer atividades civis”.

O Correio contou, então em 2000, com exclusividade, a primeira matéria, que viraria depois uma série de reportagens. Os leitores, ainda num mundo sem rede social, manifestaram-se por e-mail e cartas ao jornal. A maioria foi de apoio ao drama do cabo. A imprensa, local e nacional, correu atrás da história.

Afastado da caserna contra sua vontade, e alegando ter sofrido ameaças se insistisse em tornar a história pública, José Carlos estava ali para começar o processo de mudança de sexo. Seria, certamente, a luta mais difícil da sua vida. Por dois anos, submeteu-se a uma série de exames com psicólogos, psiquiatras e cirurgiões. Tempos depois, a conclusão da junta multidisciplinar do Ministério Público: o paciente era psicologicamente uma mulher aprisionada num corpo de homem. Com a cabeça feminina, rejeitava a genitália masculina. Era, de fato, transexual.

Diego Bresani / Diazul de Cinema
Em 2005, aos 46 anos, veio a cirurgia de mudança de sexo, feita com autorização do Ministério Público do DF, num hospital público de Goiânia

Em 2005, aos 46 anos, veio a cirurgia de mudança de sexo, feita com autorização do Ministério Público do DF, num hospital público de Goiânia. Recuperou-se. E começa uma nova batalha judicial, agora para mudança de nome e sexo, em todos os documentos. Em março de 2007, uma sentença inédita e comovente de uma juíza bem jovem da 4ª Vara de Família, Lília Simone Rodrigues da Costa Vieira, então com 30 anos, autorizou a mudança do sexo no registro civil.

Na sentença, a juíza escreveu: “O sexo é atributo da personalidade, sendo dela parte integrante. Negando-se o direito de alguém ter o sexo correspondente ao órgão que atualmente possui é sonegar o direito de ser feliz, de ter esperança, de acreditar na vida, de viver com dignidade”.

Contrariando inclusive alguns de seus pares, a juíza continuou: “Ademais, rechaçar o direito do requerente em ter seu sexo alterado em seu registro civil é plasmar injustiça flagrante, pois o autor, conforme informado nos autos, sempre se sentiu mulher, se veste como mulher e, além disso, repito, já retirou a genitália masculina que possuía”.

Foi a primeira sentença nesse sentido no DF. José Carlos não mais existia. De fato e de direito, nasceu Maria Luiza. Luiza em homenagem à sua avó. E Maria pela devoção fervorosa à Nossa Senhora. O Correio contou, novamente com exclusividade, mais esse capítulo na vida de Maria Luiza.

Depois, vieram tantas outras matérias. A nova vida fora da Aeronáutica, o recomeço, a luta para ser aceita na sociedade e o desejo de voltar à Aeronáutica, para a mesma função, vestida e aceita como mulher. Essa matéria ainda não foi escrita. E provavelmente nunca será.

Tempos atrás, ainda no início dos anos 2000, o diretor do filme, cineasta Marcelo Díaz, me ligou. Falou sobre a vontade de levar a história ao cinema. No fim do segundo semestre do ano passado, a produtora da Diazul de Cinema, Daniela Marinho, entrou em contato comigo. Contou que a história de Maria Luiza estava sendo produzida. Há pouco mais de um mês, o cineasta marcou o primeiro encontro comigo. No café, ele me disse: “Resolvi contar a história da Maria Luzia depois que li a sua primeira matéria no Correio. Todas as suas reportagens me ajudaram no roteiro”.

E percebi que a saga de Maria Luzia foi mais longe do que eu imaginava. Ganhou cor, luz, música, plasticidade, mesmo diante de tanta dor, sofrimento e, às vezes, completa escuridão. A arte, de verdade, neste caso, imitou a vida com fidedignidade. Ela mesma será a atriz principal da sua história. Não haverá nenhuma ficção. Nem licença poética. Será a vida contada em lágrimas e muita coragem. Uma vida de alguém cuja maior transgressão foi decidir renascer. Que emocione os espectadores.

Tags: Maria Luiza da Silva superação filme cinema estereótipos transexualidade.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/notici...iras-vira-f.shtml


Responder com Citação    










Enviar Mensagens Novas: Proibído
Responder Tópicos Proibído
Editar Mensagens: Proibído
Excluir Mensagens: Proibído
Votar em Enquetes: Proibído






VCVIP
Usuário:  
Senha:  
Lembrar 
Cadastre-se!
Mundosat
E shop Satelite
RGS

Compare no BuscapÉ



SIGA-NOS

Facebook   Twitter   Youtube

VCFAZ.TV NO CELULAR

App Android   Telegram

FALE CONOSCO

E-mail    Fórum Ajuda

ACESSO RÁPIDO

Na Televisão: Últimas Notícias |  Novelas |  Guia de TV
Colunas: Agenda de estreias |  Entrevista |  FabioTV |  No Controle
Fóruns de Debate: Equipamentos |  Esportes |  Feeds |  NET Claro |  Oi |  On Demand |  Papo Aberto |  Política |  Promoções |  Satélite |  SKY |  Tech |  TV |  Vivo | 
Sobre o vcfaz.tv: Fale Conosco |  Parcerias |  Regras de Participação |  Ajuda | 
Powered by phpBB © 2001, 2002 phpBB Group