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Papo Aberto   
A foto do menino negro que fala de como vemos um menino negro
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Paulo Frank em 3/1/18, 11:50       
anos | Set 2014 | Mensagens: 1771 | Ijuí - RS
  
 

Um menino negro, na beira do mar, admira de olho grande e boca aberta os fogos da virada do ano na praia de Copacabana. Está aparentemente sozinho, veste uma bermuda molhada, com os pulsos entrelaçados na altura do umbigo, enquanto em outro plano, na areia, a massa vestida de branco comemora a entrada de 2018. Alguns dão as costas ao menino, ao mar e aos fogos para tirar suas selfies, e outros comemoram absortos o espetáculo. A imagem em preto e branco, tirada pelo fotógrafo Lucas Landau para agência Reuters, está tomando as redes sociais de milhares de brasileiros com infinidade de legendas diferentes. A fotografia fala de um menino negro de nove anos numa praia durante uma festa, mas, vista a repercussão, fala também de como a interpretamos.

Os primeiros compartilhamentos da foto, que originalmente foi enviada em cores à agência, viram nela da “invisibilidade do nosso cotidiano” à “imagem da exclusão social”. Muitos enxergaram um menino perdido, pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca. Viu-se até a imagem das “consequências do golpe” e foi um “soco no estômago” de outros tantos. “Essa é a nossa humanidade hipócrita”, “que essa imagem sirva de reflexão para o que podemos ser em 2018: mais sensíveis, mais tolerantes, mais inclusivos”, “de um lado o encanto. Do outro a indiferença”, legendavam os internautas. Houve também quem, fugindo da interpretação racial, viu a autenticidade de uma criança curtindo o espetáculo . E também quem aproveitou a imagem e criou memes exaltando pautas da esquerda.

Enquanto a foto viralizava, ativistas do movimento negro lançavam uma outra questão: enxergaríamos essa foto da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro?

“O problema não é a foto, é a interpretação dela, do seu contexto. As pessoas que olham aquela foto estão pré-condicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra é associada a pobreza e abandono, quando na verdade é só uma criança negra na praia. Essa precondição é , que vem da má educação do povo brasileiro sobre ele mesmo”, lamenta
França vê nesta foto o "fetichismo do preto, assim como há fetichismo pelo nazismo, fetichismo pelo oprimido assim como há fetiche pelo opressor". “Usamos o discurso incoerente de que estamos preocupados com a dor dele, mas na verdade nós sentimos prazer. Por isso nós escrevemos embaixo da foto textos enormes elucubrando sobre o abandono daquele menor, quem possivelmente seria o pai ou a mãe, por que ele fugiu, por que ele passa fome... Nós fetichizamos o sujeito. E ainda há quem queira um souvenir: comprar a foto. Mas não estão comprando a foto, estão comprando o que pensam sobre a foto”.

© Fornecido por El Pais Brasil A foto original enviada por Lucas Landau à agência Reuters.
Sob o apelo “Parem com os estereótipos de crianças negras”, Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de , escrevia: “Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua. Temos que parar de achar um monte de coisas. Inclusive, que é legal expor nossas crianças para a branquitude começar o ano com pena e compaixão de nós. Ah, por favor né, a gente tem essa mania horrível de reforçar os estereótipos de nossas crianças: ‘Que pena!’, ‘É o retrato do Brasil!’, ‘Imagem muito impactante, reforça as desigualdades do país’. Parem! Vocês nem sabem quem é aquele menino. E vocês não querem saber também. Para 2018, menos estereótipos para crianças negras por favor.”

Suzane Jardim, educadora e historiadora e cuja reflexão sobre a repercussão da imagem foi compartilhada mais de mil vezes, sustenta que “a questão é perceber como o corpo negro deixa de ser dotado de individualidade para se tornar um símbolo que dialoga com a culpa de pessoas que o percebem como inferior na primeira olhada”. E alerta: “Não há na imagem qualquer indicação de status social, precariedade ou abandono. Há uma criança sem camisa no mar observando fogos de artifícios maravilhada em uma imagem que de fato é bela, mas nada diz sobre questões sóciopolíticas”. Para Jardim “dar a essa imagem esse caráter de 'retrato da desigualdade' é presumir pela corporeidade do sujeito (no caso criança, negra, sem camisa) que ali há precariedade e sofrimento, o que só pode acontecer em uma sociedade que liga a negritude a esses elementos”.

O fotografo, que preferiu não ampliar o debate com a reportagem até encontrar a família da criança, não sabe o nome do menino. Nem se estava sozinho. Nem se era do Rio. Nem se mora num condomínio de luxo ou numa favela. "Eu estava a trabalho fotografando as pessoas assistindo aos fogos em Copacabana. Ele estava lá, como outras pessoas, encantado. Perguntei a idade (9) e o nome, mas não ouvi por causa do barulho. Como ele estava dentro do mar (que estava gelado), acabou ficando distante das pessoas. Não sei se estava sozinho ou com a família”, disse Landau em seu perfil de Facebook. A fotografia, como completou Landau, abre margem para várias interpretações. “Todas legítimas, ao meu ver. Existe uma verdade, mas nem eu sei qual é”. O fotógrafo foi criticado por expor a criança sem o consentimento dos pais e oferecer seu e-mail a quem se interessou em comprar a fotografia. Landau nega: “Nada foi comercializado por mim, e nem será, sem a autorização da criança e dos responsáveis”.

Pessoas virando as costas para a pobreza ou apenas uma criança?
A complexidade do debate que uma única foto alimentou se explica pela situação atual do país, segundo o psicanalista Tales Ab’Saber, autor do livro Lulismo, Carisma Pop e Cultura Anticrítica. “A foto tem uma vida própria. se inquieta com o clichê e a redução do papel do negro e a esquerda branca –e negra– vê nessa imagem o risco da cisão social brasileira, num tempo em que isso está de volta na pauta política. Vê pessoas festejando a vida e virando as costas para a pobreza, para nossa realidade”, explica Ab’Saber. “São duas correntes progressistas diferentes olhando em níveis diferentes, e a imagem fala das duas. As duas questões importam, não são excludentes”.

O fotógrafo e jornalista Fernando Costa Netto, proprietário da Doc Galeria de fotojornalismo e fotografia documental, enxerga o poder da imagem, . “É a fotografia derrubando presidentes, denunciando superlotação em hospitais, documentando as barbaridades das guerras ou mostrando o que a gente já sabe, o abismo entre os de branco e o pequeno sem camisa nessa foto do Lucas. Mesmo que a foto aponte outra coisa quando encontrarem o menino, o Brasil está muito bem espelhado pela foto em Copacabana”, avalia Netto. “Nós estamos aqui discutindo a força e o papel da fotografia, preconceito, o réveillon no Rio, a estética, a emoção, o documento, questionando... A fotografia está cumprindo o papel”.
https://www.msn.com/pt-br/noticias/virais/a-foto...;ocid=mailsignout


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mauro_directv em 3/1/18, 11:58       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 2688 | Foz do Iguaçu - PR
  
 



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Ademir em 3/1/18, 12:30       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 4077 | Paranavaí - PR
  
 

O que me "chama a atenção" na foto são as pessoas mais preocupadas em tirar sua Self e compartilhar nas redes sociais para serem curtidas...do que aproveitar o espetáculo da natureza (o mar) e do homem (os fogos de artifício) e a companhia das pessoas!

Enfim, o momento!

O menino (não importa a cor da sua pele e da condição), na sua simplicidade demonstra encantamento e com certeza aproveitou aquele momento, que levará por muito tempo na memória.

Recomendo aos amigos aqui do Fórum, assistir a ótima série da Netflix BLACK MIRROR!

Ela faz uma "caricatura" da sociedade atual e daquilo que estamos nos transformando enquanto sociedade.



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waltersandes em 3/1/18, 13:47       
anos | Fev 2006 | Mensagens: 1721 | São Paulo - SP
  
 

Que ótimo que inventaram o celular, Smartphone, não é mesmo???
Eu fui um dos primeiros e comprar um telefone celular Analógico, que só tinha teclado numérico e mais nada. Só servia para fazer e receber ligações. O ano era 1995.

Hoje, no que se transformou o telefone celular??? Numa extensão do corpo humano.
E ainda tem gente que diz que não dorme com o celular desligado, fica conectado 24 horas por dia, mesmo dormindo. E tem gente que leva o celular até ao banheiro, mesmo na hora de fazer as suas necessidades fisiológicas. Que triste não é mesmo???

Eu sou da geração que nunca teve telefone celular. Não precisávamos dele.
Não havia como se comunicar com alguém que havia saido de casa ou do trabalho.
Hoje, todos sabem onde nós estamos e o que estamos fazendo.

Fico imaginando o que será das gerações do futuro, 30, 50 anos à frente, todos no planeta tendo um celular à mão, e sem ele não conseguem sobreviver. Que triste não é mesmo???
Celular não é para se comunicar. Serve pra tudo. Um computador portátil de mão, multifunção, e que sem ele a pessoa pode até adoecer.

Ainda bem que eu sou da geração que não dependia de celular.
Hoje, vivemos pelo prazer de viver cada dia de uma vez, sem pressa e sem a preocupação do "click" e "compartilhe". Como diz a música do Roberto Carlos: "É preciso saber viver..."

Abs,
Walter - thumbright


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Rafa! em 3/1/18, 14:00       
anos | Mai 2006 | Mensagens: 2559 | São Paulo - SP
  
 

mauro_directv escreveu

Para a UNE, MST, CUT, Jornalistas Livres, Psol, Maria do Rosário, a foto representa uma criança sendo oprimida por pessoas brancas, ricas, opressoras, que são manipuladas pelo capitalismo selvagem opressor. Alegre


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Paulo Frank em 3/1/18, 14:42       
anos | Set 2014 | Mensagens: 1771 | Ijuí - RS
  
 

Rafa! escreveu
mauro_directv escreveu

Para a UNE, MST, CUT, Jornalistas Livres, Psol, Maria do Rosário, a foto representa uma criança sendo oprimida por pessoas brancas, ricas, opressoras, que são manipuladas pelo capitalismo selvagem opressor. Alegre


Menos Rafa....
A foto realmente dá margem à muitas e muitas interpretações.
Por isso mesmo, na minha opinião, ela é SENSACIONAL!
Cada qual que tire suas conclusões, de preferência: SEM ROTULAÇÕES.


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Ademir em 3/1/18, 20:31       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 4077 | Paranavaí - PR
  
 

Essa é a magia da fotografia.

Ela eterniza um momento no tempo, através do olhar do fotógrafo.

Dependendo da sensibilidade e do talento do fotógrafo, o resultado poder ser uma obra de arte, inspirar outras pessoas e ser atemporal.









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leco em 3/1/18, 21:31       
anos | Abr 2006 | Mensagens: 900 | Curitibanos - SC
  
 

Será que em tudo tem que colocar ideologia? Isso é exatamente o que sistema dominante quer . Para que se desvie o foco, mantenha a massa sob controle. Já basta os comentários do UOL, tudo que acontece é associado a esquerda ou direita. Virou paranóia , mas no fundo é alienação mesmo.

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Rafa! em 4/1/18, 0:16       
anos | Mai 2006 | Mensagens: 2559 | São Paulo - SP
  
 

Paulo Frank escreveu
Rafa! escreveu
mauro_directv escreveu

Para a UNE, MST, CUT, Jornalistas Livres, Psol, Maria do Rosário, a foto representa uma criança sendo oprimida por pessoas brancas, ricas, opressoras, que são manipuladas pelo capitalismo selvagem opressor. Alegre


Menos Rafa....
A foto realmente dá margem à muitas e muitas interpretações.
Por isso mesmo, na minha opinião, ela é SENSACIONAL!
Cada qual que tire suas conclusões, de preferência: SEM ROTULAÇÕES.

Estou tirando sarro... quero dizer, nem tanto, rs!! Mas realmente a foto é espetacular! Eu particularmente amo a arte da fotografia, principalmente fotografia urbana!!


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stanga em 4/1/18, 11:26       
anos | Mai 2008 | Mensagens: 352 | Florianóplis - SC
  
 

Dica do português

NEGRO = RACISMO

PRETO = NÃO É RACISMO


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