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Papo Aberto   
Produção de energia a partir do sol e dos ventos avança no Brasil
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Ademir em 25/2/18, 16:47       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 4528 | Paranavaí - PR
  
 



Energia que vem do céu

Produção de energia a partir do sol e dos ventos avança no Brasil. Como isso afeta a economia e o que esperar?

Fábio Rodrigues Colaboração para o UOL, em São Paulo

De vento em popa

Tem sido uma daquelas histórias "apesar da crise" que vira e mexe dão as caras no noticiário. Nos últimos anos, as fontes de energia solar fotovoltaica (produzida a partir do sol) e eólica (a partir do vento) nadaram contra a correnteza e registraram avanços de encher os olhos.

Apenas em 2017, a capacidade instalada em energia eólica cresceu 28,1%, atingindo a marca de 12,8 gigawatts (GW) distribuídos entre pouco mais de 500 parques de geração. É o equivalente a 8,1% de toda capacidade do Brasil. Os dados são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do governo responsável por estudos sobre o setor energético.

No caso da energia solar, o salto foi ainda mais impressionante: 4.470% em apenas um ano. No começo de 2017, eram somente 21 megawatts, que, na virada do ano, estavam perto do primeiro gigawatt. Esse número, porém, deve ser visto com moderação: a energia solar continua na lanterna do sistema nacional de geração, com apenas 0,6% da potência instalada no Brasil.


Dos grandes parques...

Mais de metade do salto da energia solar veio de apenas dois empreendimentos, inaugurados em setembro:

Juntas, elas têm potência de 546 MW, o suficiente para abastecer quase 570 mil casas. Construídas e operadas pelo grupo italiano Enel, que investiu US$ 700 milhões nos projetos, são os dois maiores complexos de seu tipo na América do Sul.

...aos pequenos lares

Além dos projetos de grande porte, a energia solar também vem se popularizando nas casas, como uma opção para diminuir a conta de luz.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), na virada de 2016, o Brasil contava com 7.000 unidades instaladas. Um ano mais tarde, eram mais de 16 mil.



Um dos motivos que ajudou foi a queda no custo dos equipamentos. Segundo o Atlas de Energia Solar, o preço caiu 90% (os "módulos" por watt instalado passaram de US$ 3,9 para US$ 0,39).

Natureza favorece o Brasil

É até uma vocação natural para o Brasil. Segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro de 2001, seria possível instalar até 143,5 GW em geradores de energia eólica no país.

Para ter uma ideia do que isso representa, hoje o país é capaz de produzir (incluindo as hidrelétricas) cerca de 150,3 GW, segundo o Balanço Energético Nacional de 2017. Ou seja: seria possível praticamente dobrar esse número só com vento.

Vento rápido e constante

Nossos ventos se diferenciam não somente por sua velocidade, mas também por sua regularidade incomum. Ventos constantes aumentam o rendimento dos aerogeradores.

Essa é uma relação expressa pelo chamado "fator capacidade", que, grosso modo, diz o percentual de tempo em que os equipamentos conseguem gerar eletricidade. Enquanto a média mundial é de 25%, no Brasil chega a 50%.

Os ventos brasileiros são os melhores do mundo.

Sol a pino

Em termos de energia solar, o país também não faz feio.

A edição mais recente do Atlas Brasileiro de Energia Solar informa, por exemplo, que no local menos ensolarado do Brasil é possível gerar mais eletricidade do que no ponto mais privilegiado da Alemanha --terceiro maior produtor global, atrás do Japão e da China.

Essa capacidade varia de uma região para outro do Brasil. O "filé mignon" abrange o interior do Nordeste e o norte de Minas Gerais (no mapa, é a região de cor laranja mais intensa).
Reprodução/Atlas Brasileiro de Energia Solar Reprodução/Atlas Brasileiro de Energia Solar



Renda e emprego no sertão

Pequenos agricultores do Nordeste descobriram no vento uma inesperada e bem-vinda fonte de renda complementar

Caçula de uma família de três homens, o agricultor recebeu seu pedaço de terra do pai. Há quase cinco anos, tem perto de casa duas torres para gerar energia eólica e ganha cerca de R$ 3.500 por mês. Com o dinheiro, diz que espera poder ficar mais próximos dos pais, que moram longe e já estão com idade avançada, e dar uma educação melhor para os três filhos. "[Primeiro] vai beneficiar quem tem aerogerador, mas, indiretamente, vai beneficiar as outras pessoas também". Apesar da renda extra, diz que planeja continuar plantando mandioca.

Agricultora e agente de saúde, ela cuida da casa e toma conta da mãe e de duas sobrinhas. Arrenda terra há quase 5 anos. Como os equipamentos precisaram ficar no local onde estava sua casa, recebeu uma indenização e construiu uma casa nova, maior e mais confortável. "No começo eu passei muita raiva [por causa da mudança de casa], mas melhorou a morada. Até a recepção do celular melhorou [risos]". O aluguel da terra para instalar três turbinas rende R$ 5.000 por mês. Com o dinheiro, diz que quer incentivar as sobrinhas nos estudos.

Média de R$ 2.500 por família a cada mês

Pelas contas da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), já são mais de 4.000 famílias que arrendam (alugam) parte de suas terras para a instalação de geradores de energia eólica.

Em troca, essas famílias ganham uma parte das receitas geradas com a venda da eletricidade. A bolada se aproxima dos R$ 10 milhões, o que dá uma média de R$ 2.500 por família a cada mês.

Como a instalação dos geradores não chega a inviabilizar a produção agropecuária, os produtores rurais podem continuar suas atividades normalmente.
Ir aonde o melhor vento está

Os arrendamentos não são caridade. Eles fazem sentido econômico. Uma companhia eólica tem que ir, literalmente, onde o vento a leva.

"A gente depende do melhor vento. É isso o que nos dá competitividade", diz Lucas Araripe, diretor de projetos da empresa Casa dos Ventos (CDV), uma das principais desenvolvedoras de projetos de geração eólica no mercado.

As melhores jazidas de vento estão justamente nas regiões mais carentes, onde as terras valem muito pouco.

Com projetos instalados em 10 municípios distribuídos entre Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, a Casa dos Ventos vem lidando com a realidade dos sertanejos há mais de uma década.

Segundo Araripe, comprar as terras até seria uma possibilidade, mas nem sempre é uma alternativa prática convencer as pessoas que estão instaladas ali há tanto tempo. "Comprar acaba ficando muito complexo, então a gente analisa caso a caso e tenta ir na direção do que os proprietários querem fazer."

Renda que movimenta o comércio das cidades

As hélices que geram energia a partir dos ventos estão transformando a paisagem do semiárido brasileiro e a realidade de alguns dos rincões mais carentes do país.

Segundo Lucas Araripe, diretor da empresa Casa dos Ventos, o arrendamento acaba sendo a principal renda para muitas famílias. E não afeta só aqueles que arrendam suas terras.

Essa renda extra dinamiza a economia local. Ela alimenta pequenos negócios como a padaria ou a farmácias local.

A energia eólica está trazendo desenvolvimento econômico em regiões do semiárido que tinham pouca oportunidade econômica.

O dinheiro não é o único benefício. As propriedades precisam estar com a documentação em dia antes de poder fechar os contratos de arrendamento. Por isso, é feito todo um trabalho preliminar de regularização.

Não se pode ignorar também o efeito dos empregos gerados. Na região da Chapada do Araripe, no Piauí, a empresa Casa dos Ventos instalou seis complexos eólicos, o que atraiu novos negócios.

"Na operação temos 20 pessoas, mas também temos fabricantes de peças que se instalaram para fornecer equipamento e serviços. Isso movimenta alimentação, hotelaria, aluguel de equipamentos etc.", diz Araripe.

Tenha sua própria 'usina'

Mudanças na regulação introduzidas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) ajudaram a aproximar o consumidor das energias renováveis. Por exemplo, há dois anos, foi liberado o "autoconsumo remoto".

Você gera sua energia num local, injeta no sistema e pode consumir em outro, desde que ambos estejam dentro da área de uma mesma distribuidora.

Isso libera os projetos solares de uma amarra importante: a limitação de espaço para instalar os painéis. Quem tem uma área grande disponível, por exemplo em um sítio, pode investir em um sistema maior e mandar essa energia para abastecer sua casa principal ou negócio.

Condomínio solar

É possível, por exemplo, fazer parte de "condomínios solares": sistemas de geração compartilhada que atendem vários consumidores de uma vez só.

"[Os clientes] criam uma cooperativa para investir em um sistema de geração onde cada um dos cooperados é dono de uma ou mais cotas", diz Rodrigo Sauaia. "Em vez de um 'sisteminha' pequeno, tenho a vantagem de uma escala maior, o que reduz meu custo de investimento."

Em dezembro, entrou em operação a primeira fazenda solar. Instalada e operada pela Órigo Energia num terreno de 15 hectares (cerca de 21 campos de futebol) em João Pinheiro (MG), a nova planta de 5 MW trabalha com um modelo de assinaturas que permite aos consumidores "alugarem" partes de uma usina solar. A empresa investiu cerca de R$ 5,5 milhões para viabilizar o projeto.

"Para os clientes, a economia [na conta de luz] pode chegar a 10%", diz o CEO da Órigo, Surya Mendonça. O foco da empresa são clientes comerciais de pequeno porte, para quem faria pouco sentido investir em energia solar por conta própria.
Fazenda solar pronta em três meses

Enquanto usinas de grande porte têm um prazo de desenvolvimento de alguns anos, projetos de menor porte de energia distribuída podem ser completados mais rapidamente. "Consigo implantar uma fazenda solar em apenas 3 meses", diz. "Além disso ter a geração mais pulverizada é bom para a rede de distribuição."

Segundo o executivo, a meta da companhia é chegar a 100 fazendas solares nos próximos três anos, somando 500 MW em potência instalada e atendendo até 50 mil clientes.

Alternativa para períodos de seca

A produção de energia a partir dos ventos tem sido uma alternativa à energia produzida a partir da água. Uma boa pedida em tempos de seca e com os reservatórios das hidrelétricas em níveis alarmantes.

No Nordeste, que concentra cerca de dois terços da potência eólica instalada no país, não é raro que a energia dos ventos atenda a maior parte do consumo. O recorde foi registrado em 14 de setembro, quando 64% da energia consumida pelos nordestinos veio dos ventos.

Nacionalmente, o número é bem menor. Segundo os dados mais recentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de agosto a outubro as usinas eólicas atenderam acima de 10% do mercado. Com exceção das hidrelétricas e das térmicas a gás ?cuja soma representa cerca de 70,5% da oferta?, essa foi a única outra fonte com dois dígitos de participação ao longo desse período, um feito.

A [energia] eólica está salvando o Brasil de um racionamento.

Venta mais quando chove menos

Há uma relação de sinergia entre as fontes hídricas e eólicas. O período mais seco é precisamente o que tem melhores ventos. "A eólica gera mais no período de seca, que é quando tem o maior risco de abastecimento na matriz elétrica brasileira [dominada por hidrelétricas]", diz Lucas Araripe, da Casa dos Ventos (CDV).

A relação entre a baixa umidade do ar e a qualidade dos ventos também explica porque o Nordeste concentra a maior parte dos projetos na área. "Isso é positivo porque a região não tem vocação para a energia hídrica ou a partir de biomassa", afirma.

Anos de investimento

Esse processo não aconteceu da noite para o dia. Foram anos de investimentos e organização de mercados, um esforço que está amadurecendo agora.

O primeiro megawatt de energia eólica entrou em operação em 1994, mas foi só na última década que as coisas realmente engrenaram, com um crescimento acumulado entre 2007 até 2016 beirando os 4.000%.

"Apesar de todo o apelo socioambiental da energia eólica, o que realmente importa é que ela é financeiramente competitiva. Faz todo sentido do mundo investir nela do ponto de vista estritamente econômico", afirma Lucas Araripe, da empresa Casa dos Ventos.

Em leilões de energia feitos pelo governo desde 2009, foram 650 projetos de energia eólica arrematados. O segundo lugar coube às termelétricas com 187 contratações.

Essa é uma história que parece estar se repetindo --com alguns anos de atraso, mas em marcha acelerada-- com a energia solar.

O primeiro leilão que arrematou projetos de energia eólica aconteceu no final de 2009 e as contratações vêm se repetindo de forma mais ou menos regular desde então. Isso permitiu que a cadeia se estruturasse no país.

Segundo Élbia Gannoum, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o grosso do parque industrial que vem dando suporte à expansão da energia eólica no país se instalou entre os anos de 2013 e 2014. "Cerca de 80% dos equipamentos que usamos é nacional. Não ficamos à mercê do câmbio [dólar]."

Domínio chinês nos painéis solares

Ao contrário da eólica, no caso da energia solar a cadeia ainda não está tão bem estruturada e enfrenta forte competição de fornecedores internacionais. Os chineses praticamente dominam o mercado de painéis.

"A competitividade dos [fabricantes de painéis solares] chineses é praticamente imbatível", diz Carlo Zorzoli, da italiana Enel. Mesmo assim, os painéis representam 30% do custo de uma usina solar, o que significa que os outros 70% ainda estão em aberto, e o Brasil pode ser competitivo nesses elos.

Veio para ficar ou é voo de galinha?

Com tanta coisa favor, chega até a ser difícil ver como as perspectivas possam desandar. Acontece que o risco é bastante real.

Até agora, o setor passou ao largo da crise que fez a economia brasileira sangrar em 2015 e 2016. Isso porque a maior parte dos projetos mais substanciais são contratados com anos de antecedência. Os projetos que serão entregues este ano foram leiloados em 2015.

Porém, a crise fez cair o consumo de energia, e o governo acabou cancelando os leilões que estavam previstos para 2016. A situação só normalizou-se em dezembro, quando houve dois leilões --um com entregas para 2021 e o outro, para 2023-- que arremataram 574 MW de energia solar e 1,4 GW de eólica.

Mesmo um pouco mais aliviado em relação ao futuro, está claro que há um período de vacas magras a caminho.

O impacto deverá ser mais duramente sentido pelo setor solar, que tem menos gordura para queimar. "Teremos um abismo depois de 2019, quando terminam as entregas dos projetos que já estão em desenvolvimento. Deixar a cadeia produtiva parada por um ano inteiro teria um impacto muito ruim e pode até inviabilizar investimentos", diz Rodrigo Sauaia, da Absolar.

Para ele, esse tipo de "voo de galinha" pode desestruturar o segmento em seu nascedouro. "Hoje estamos colhendo frutos do que semeamos entre 2012 e 2015. Para seguir nesse desenvolvimento, temos que continuar semeando."

Publicado em 25 de fevereiro de 2018.

Participaram: Maria Carolina Abe (pauta e edição) e Suellen Lima (arte).

https://www.uol/economia/especiais/energia-solar...#de-vento-em-popa


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CRISPIM em 25/2/18, 17:30       Moderação
anos | Fev 2006 | Mensagens: 8268 | Itajaí - SC
  
 

Muito boa matéria e tema, Ademir.

É a energia limpa e renovável para manter os projetos de vida na Terra.
Melhor que no início da exploração petróleo, o homem entrava em guerra por qualquer motivo.

Agora com novas tecnologias de produzir a energia, muitos países pobres, poderão ter este modelo de energia.


Abs.


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Ademir em 25/2/18, 19:28       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 4528 | Paranavaí - PR
  
 

Citação
CRISPIM, Agora com novas tecnologias de produzir a energia, muitos países pobres, poderão ter este modelo de energia.



Com certeza.

Até mesmo a produção dessa energia já se torna uma fonte de renda para municipios pobres do nordeste brasileiro, onde tem sol abundante o ano inteiro.


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stanga em 26/2/18, 7:18       
anos | Mai 2008 | Mensagens: 381 | Florianóplis - SC
  
 

!
Comunicado da Moderação:
[Editado pela Moderação - tópico não é sobre humor. Favor Colaborar.]


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ardoss em 26/2/18, 12:33       
anos | Abr 2006 | Mensagens: 1176 | Craíbas - AL
  
 

Estou estudando usar esse sistema aqui em casa, embora meu consumo seja baixo. Tô a procura de uma empresa séria e que ao mesmo tempo não explore o consumidor.
Vi um vídeo um tempo atrás que chamou a atenção.




Se tiver algum engenheiro elétrico ou conhecedor do tema que puder fornecer informações será bom.


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J.B.F.LIMA em 26/2/18, 21:21       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 2103 | Barreiras - BA
  
 

TABOCAS DO BREJO VELHO/BA: CHEGADA DE PARQUES SOLARES REVOLUCIONA A VIDA DE PEQUENA CIDADE BAIANA



“É algo gigantesco. Me lembra o mar, um mundo de água a perder de vista”. A declaração quase poética é de um morador da pequena Tabocas do Brejo Velho, no Oeste baiano, ao admirar um empreendimento que custou um mar de dinheiro – 110 milhões de dólares – e mudou a história do município de 13 mil habitantes. Durante os dois anos de construção do parque solar Horizonte, que começou a operar no último dia 16, com capacidade instalada de geração de 103 MW, a cidade teve sua rotina totalmente alterada, sobretudo com a chegada de profissionais de fora para tocar o projeto.


Com 810 trabalhadores, ao todo, a maioria deles de outras cidades e estados, o aluguel de imóveis, por exemplo, chegou a inflacionar mais de 1.000% em Tabocas, e muitos moradores foram para a casa de parentes para lucrar com os ‘visitantes’ a serviço da multinacional Enel Green Power, responsável pelo parque. Além disso, teve quem lucrou trabalhando nas obras, que incluem ainda outro parque solar gigantesco – o Ituverava, maior da América Latina, com capacidade de gerar 254 MW.

Apesar da comparação com o mar, feita pelo dono de supermercado Cleiton Vagner Santos, que registrou aumento de até 50% nas vendas, nada na cidade lembra o litoral, que fica a mais de 550 km de distância, em linha reta. “Fiz uns investimentos na estrutura do mercado e aumentei a quantidade de produtos, e foi muito bom”, comentou Cleiton, feliz com a vinda das usinas que usam a luz solar para gerar energia.

A Enel tem ainda um terceiro parque na Bahia, em Bom Jesus da Lapa, batizado de Lapa, com capacidade de 158 MW. Tanto ele quanto o Ituverava entraram em operação entre junho e setembro de 2017. A construção dos três parques gerou, ao todo, 3.527 empregos diretos, 45% deles ocupados por moradores locais.

Juntos, os três parques solares (Horizonte, Lapa e Ituverava) possuem capacidade anual de geração de energia de 1.110 GWh, o que equivale ao consumo anual de 542 mil lares brasileiros, segundo a Enel.

O parque solar de Horizonte é apoiado por um acordo de compra de energia (Power Purchase Agreement - PPA, na sigla em inglês) de 20 anos com a Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE).

“Tabocas nunca tinha presenciado uma movimentação de gente desse tipo. Melhorou tudo, não ouvi ninguém reclamando que não ganhou dinheiro. Foi muito bom e espero que tenha de novo outra empresa dessa aqui na cidade ou na região”, disse a professora de História e também dona de supermercado Sueli Santos Gonçalves, 37.


De olho no futuro

Sueli foi uma das centenas de pessoas que, no tempo em que os trabalhadores do parque se instalaram na cidade, deixaram seus imóveis para residir em casas de parentes ou locais menores. Ninguém estava se importando em deixar o conforto do lar para alugar a casa a ‘forasteiros’, afinal, o aluguel antes de R$ 300 chegou a até R$ 5 mil.

“Deixei minha casa de três quartos e aluguei para quatro engenheiros por R$ 2.500, com os móveis dentro. Saíram em novembro de 2017. No tempo que ficou alugada, fui para um escritório pequeno que tenho, com sala e banheiro, junto marido e minha filha. Fizemos um sacrifício para não perder esse dinheiro e valeu muito”, contou.

Um dos investimentos que ela está fazendo com a grana que ganhou do aluguel é em uma faculdade de Engenharia Civil na cidade vizinha de Santa Maria da Vitória. “É um curso caro e estou no segundo semestre. É um investimento meu que sei que terei muito retorno no futuro”, contou.

Mas o lucro dela por conta da chegada da obra do parque da Enel, onde estão 330 mil painéis solares, ainda não parou. Ela aluga o caminhão basculante para uma empresa terceirizada da Enel – cerca de 30 terceirizadas atuaram em Tabocas, segundo a Prefeitura local.

Caminhão este que o marido dela Mateus Gonçalves de Souza, 41, dirigiu para outra terceirizada por um ano.

“Gostei muito do trabalho. Gente educada que paga direito, nunca teve atraso. Foi muito trabalho, mas não tenho do que reclamar”, comentou Mateus.

Outros investimentos

No supermercado, o casal fez investimentos também. Reformou e passou a fornecer mais itens para atender a demanda. Instalou, por exemplo, um serviço bancário que permite fazer algumas transações financeiras, como saques, pagamentos de boletos, dentre outros. E ainda gerou emprego, colocando mais duas funcionárias para trabalhar, somando quatro no total.

Dona Valdirene Modesto também só tem a agradecer. Ela foi morar na casa da mãe e alugou a dela por R$ 2.500 a primeira vez e depois por R$ 1.500. “Os trabalhadores eram de Salvador. Primeiro ficaram sete pessoas na casa, depois quatro. Nunca me deram trabalho, só lucro”, destacou.

A grana que ganhou ela está investindo na carreira de futebol do filho João Pedro, de 13 anos, e que está no Rio de Janeiro com o pai, Pedro. “Estou pagando aluguel para eles lá. Meu filho está jogando no São Cristóvão, mas deve ir para o Vasco e estou torcendo para ele poder jogar a Copinha [Copa São Paulo de Futebol Júnior], que é uma vitrine para esses meninos. Meu investimento está sendo no meu filho”.

Antenados

Os moradores de Tabocas que conversaram com a reportagem disseram que estão antenados na internet em busca de informações sobre outras empresas que possam vir para a Bahia. Por lá, já circula a informação de que haverá leilões de energia em abril.

E, segundo eles, já teve gente comprando terreno para fazer casa para alugar. Poucos moradores, no entanto, conhecem o parque de dentro, após a conclusão das obras, mas todos acham muito bonito visto de fora. A entrada no local só ocorre com permissão da Enel.

A Prefeitura local informou que a chegada da Enel foi boa para aumentar a arrecadação de Impostos Sobre Serviços (ISS), mas o secretário de Finanças Lucas Renan Santos da Silva, não soube dizer em quantos por cento aumentou.

“Ainda não recebemos nada da Enel sobre geração de energia. Isso só vai ocorrer quando ela passar a comercializar. Vamos ganhar em cima do Imposto sobre Comércio de Mercadorias e Serviços [ICMS]”, comentou Lucas.

Multinacional investe na Bahia mais de US$ 685 mi

A Bahia é um dos estados do país em que a Enel mais investiu nos últimos anos. Considerando apenas os três projetos solares que a empresa possui no estado - Lapa, Ituverava e, agora, Horizonte -, foram cerca de 685 milhões de dólares (cerca de R$ 2,2 bilhões na cotação atual). De origem italiana, a empresa atua no Brasil por meio de sua subsidiária de energias renováveis Enel Green Power Brasil Participações Ltda.

“A entrada em operação de Horizonte representa um novo marco para a presença do grupo no mercado de energia solar do Brasil, onde em apenas oito meses adicionamos quatro novos projetos que somam uma capacidade de 807 MW de energia solar. Entre esses projetos, está a maior usina solar fotovoltaica da América do Sul atualmente em operação, Nova Olinda”, disse Antonio Cammisecra, responsável global da Divisão de Energias Renováveis da Enel Green Power.

“Confirmamos nossa liderança no setor de energias renováveis brasileiro. Dessa forma, estamos contribuindo para a diversificação da matriz de geração do país e para o desenvolvimento sustentável das comunidades locais”, completou.

A Enel informou que, durante todas as etapas do empreendimento, desenvolve ações junto às comunidades para entender de que forma as obras podem auxiliá-las. “Em Bom Jesus da Lapa, desenvolvemos um trabalho específico com as comunidades tradicionais quilombolas. As ações incluíram cursos de capacitação, educação ambiental, workshops de reciclagem para reutilização de materiais utilizados nas obras e a doação de livros sobre a cultura afro-brasileira para escolas”, cita a empresa.

“Parte dessas ações também foi desenvolvida na região de Tabocas do Brejo Velho. Ao todo, mais de 10 mil pessoas foram beneficiadas pelas ações de Sustentabilidade envolvendo os três empreendimentos”, conclui.

Para a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), investimentos como os da Enel na Bahia são o reflexo do potencial natural de regiões do estado para a geração de energia solar e eólica. As de maior destaque são o Extremo Oeste e a região do São Francisco, mas áreas do sertão e da Chapada também têm atraído investimentos.

Essas áreas possuem potencial solar elevado, terrenos disponíveis e topografia favorável. Na divisa com Pernambuco, por exemplo, foi anunciado esta semana que a empresa ABB, outra gigante da energia solar, vai instalar a primeira subestação digital da América Latina na cidade de Juazeiro.

A nova subestação de 230 kV e o bay de conexão na subestação Juazeiro II vão fornecer 156 MW da energia gerada em um complexo solar fotovoltaico em desenvolvimento na região.

O projeto solar de Juazeiro é operado pela Atlas Renewable Energy, braço de energia renovável da empresa de investimentos britânica Actis. A Atlas supervisiona mais de 1.500 MW de ativos solares de PV em operação, construção ou desenvolvimento avançado.

Quando estiver em plena operação, os projetos irão produzir energia suficiente para abastecer mais de 350 mil famílias, reduzindo em cerca de 1,5 milhão de toneladas as emissões de CO2 da geração convencional.

A ABB vai entregar toda a subestação de Juazeiro e fornecer um controle de supervisão e um sistema de aquisição de dados, dispositivos eletrônicos inteligentes para proteção e controle, bem como as merging units SAM600 incorporadas ao barramento de processo da subestação. Os cabos de cobre serão substituídos por cabos de fibra óptica.

Uma subestação funciona como o coração de uma rede de energia, transmitindo e distribuindo energia para locais distantes. Mudando as conexões para fibra óptica é possível reduzir a quantidade de cabos de cobre, com economia significativa de custos.

http://www.barreirasnoticias.com/2018/02/taboca...a-chegada-de.html


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Ademir em 27/2/18, 9:28       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 4528 | Paranavaí - PR
  
 

J.B.F.LIMA, que incrível!

Imagina quanto gera de ICMS uma usina dessa? Revoluciona com certeza uma pequena cidade do interior?


E a quantidade de emprego para manutenção desses painéis?


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J.B.F.LIMA em 27/2/18, 11:47       
anos | Abr 2008 | Mensagens: 2103 | Barreiras - BA
  
 

Ademir escreveu
J.B.F.LIMA, que incrível!

Imagina quanto gera de ICMS uma usina dessa? Revoluciona com certeza uma pequena cidade do interior?


E a quantidade de emprego para manutenção desses painéis?


Surpreendente ! Aqui na região oeste da Bahia nos últimos 30 anos teve grandes investimentos na geração de energia através de duas grandes hidrelétricas, algumas PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) que se interligam com a CHESF....

Mais recentemente tem sido implantados projetos de energia renovável através da queima de eucalipto (plantio comercial) e agora esses 3 parques de energia solar que estão mudando a realidade econômica de municípios como Tabocas do Brejo Velho, Bom Jesus da Lapa e São Desidério.


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ARAF61 em 27/2/18, 16:47       
anos | Jun 2011 | Mensagens: 425 | Teresina - PI
  
 

https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/201...rica-latina/32274

Tenho uma chácara no interior do Piauí, a 1.200 metros da energia elétrica, sem muita pesquisa ou conhecimento, tentei instalar energia solar e percebi que só é viável se eu tivesse acesso à energia elétrica para produzir a energia e repassara à rede, compensando o meu consumo de energia elétrica.
As placa e captação são relativamente baratas, mas o que encarece são as baterias para acumular essa energia para o consumo.
Minha cidade fica bem próxima a essa "maior da América Latina".


Responder com Citação   

ardoss em 28/2/18, 7:44       
anos | Abr 2006 | Mensagens: 1176 | Craíbas - AL
  
 

ARAF61 escreveu
https://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2017/11/piaui-ja-possui-maior-usina-de-energia-fotovoltaica-da-america-latina/32274

Tenho uma chácara no interior do Piauí, a 1.200 metros da energia elétrica, sem muita pesquisa ou conhecimento, tentei instalar energia solar e percebi que só é viável se eu tivesse acesso à energia elétrica para produzir a energia e repassara à rede, compensando o meu consumo de energia elétrica.
As placa e captação são relativamente baratas, mas o que encarece são as baterias para acumular essa energia para o consumo.
Minha cidade fica bem próxima a essa "maior da América Latina".


Sua propriedade não chegou a ser contemplada com o "Programa Luz Para Todos" do Governo Federal? Eles só exigiam , na época, residir alguém na propriedade.


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