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Papo Aberto   
Homenagem dilui a obra plural e moderna de Adriana Calcanhotto
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Ricardo, 29/1/19, 13:51       Administração
anos | Ago 2003 | Mensagens: 7217 | Pontes e Lacerda - MT
     

Homenagem dilui a obra plural e moderna de Adriana Calcanhotto

Fonte: https://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/homenagem-dilui-a-obr a-plural-e-moderna-de-adriana-calcanhotto-1.2128404

Parece que foi ontem, mas no primeiro disco de Adriana Calcanhotto, 53, posto no mercado em 1990 e intitulado “Enguiço”, a intérprete, que aparecia numa colorida capa com os cabelos tingidos de loiro, terno vermelho, camisa roxa, calça amarela e sapatos brancos, dava provas cabais de sua modernidade na última das faixas. Ao gravar uma personalíssima versão para “Injuriado”, deliciosa sátira de Eduardo Dussek sobre o momento político do país lançada pelo autor em 1981, a gaúcha levava ao pé da letra o sentido da palavra “irreverência”.

Talvez seja justamente isso o que falte aos participantes do tributo “Nada Ficou no Lugar”, iniciativa do DJ Zé Pedro com Andrea Franco que busca rebobinar o repertório de Adriana sem nenhuma reverência. Não é de hoje que as gerações mais jovens da nossa música popular parecem se levar mais a sério do que a seriedade.

Afora a ausência completa de humor em suas diversas matizes – ironia, sarcasmo, deboche, sátira, galhofa –, que é uma das marcas do trabalho da homenageada, outros sentimentos e sensações também se dispersam em registros que primam pela originalidade da forma e se ressentem de novos olhares para o núcleo das canções selecionadas, que, nesse caso, é o discurso.

Quando Adriana desconstruiu tudo o que se conhecia sobre “Injuriado”, ela o fez portando a mais clássica das formações brasileiras: um banquinho e um violão. E de dentro dela mesma retirou um cartel de personagens para as quais deu voz. Mascando chicletes, com língua presa, imitando um bronco paulista, uma carioca descolada e até um cocainômano, a cantora mastigou, puxou, freou e acelerou o andamento da canção como uma massa elástica, que foi o que de fato ela se transformou nesse registro.

Mas não há transformação em nenhuma das 12 faixas disponíveis até o momento em “Nada Ficou no Lugar” (outras seis ainda serão lançadas). Em vez do espanto diante de algo novo, permanece o tédio de visões monótonas sobre uma mesma obra que deveria oferecer pontos de vista para além do encantamento tecnológico. O ensinamento de Adriana não foi compreendido. Ela permanece muito mais moderna que seus discípulos. E ser moderna demais, ou, nesse caso, a todo custo, é um perigo, pois, como já determinou o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) no século XIX, “fica-se com uma tendência a virar antiquada de repente”.

Repertório

Os deslizes começam com Mahmundi em “Cariocas”. Longe de ser uma das músicas mais inspiradas de Adriana, é, ao menos, um dos maiores sucessos da autora. O charme pop, no entanto, se dilui em batidas soul que nada retiram de inesperado da canção. Em “Por que Você Faz Cinema?”, a má impressão se aprofunda. Aqui o resultado é mais grave exatamente pela qualidade da letra. Falta a Rubel a compreensão do sentido dado por Adriana àquelas palavras, pois perde-se a carga crítica que a cantora preservou ao musicar o texto do cineasta carioca Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988).

Em “Mentiras”, Johnny Hooker troca a melancolia por um virtuosismo estéril: parece mais comovido com o próprio canto do que com a dor da protagonista. A versão do grupo OQuadro para “Negros” imprime alguma pressão ao tema, ainda que distante da real força dos versos. Priscila Tossan dilui toda a dramaticidade de “Vambora”, música de intrincada construção poética que se vale de títulos de livros de Manuel Bandeira (1886-1968) e Ferreira Gullar (1930-2016). Priscila parece compreender pouco sobre as palavras que diz.

O mesmo acontece com Baco Exu do Blues, que chega ao ponto de infantilizar o protesto contra o senso comum de “Senhas”. Nesse ínterim, há dois acertos: Ava Rocha sabe preencher os espaços de “Âmbar”; e Illy identifica o peso do refrão na hora de sambar em “Pelos Ares”. Algo que Alice Caymmi perde em “Metade”, envolta em exagerados aparatos eletrônicos que abafam os questionamentos da letra.

“O Amor Me Escolheu” acolhe tímida interpretação de Mãeana, que não se arrisca a sentir as emoções. “Vai Saber?” se eleva graças ao calor do canto de Larissa Luz. O desfecho é do grupo Àttooxxá, com “Toda Sexta-Feira”, que passa praticamente despercebida.


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