O primeiro encontro entre Glauber Rocha e Geneton Moraes Neto ocorreu em Paris, durante exibição de “A Idade da Terra” (1980). O cineasta baiano já era nome consagrado da sétima arte, e o jovem de Recife era um estudante tentando aprimorar-se com a câmera na mão. A ocasião inspirou o pupilo a voltar ao Brasil e registrar depoimentos com o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e com o ex-líder das Ligas Camponesas, Francisco Julião, sobre os diálogos que tiveram com seu mestre no exílio. O projeto ficou arquivado até 2015, quando Geneton o resgatou e, gravando novas entrevistas, transformou neste longa.

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"Cordilheiras no Mar: A Fúria do Fogo Bárbaro", coprodução do Canal Brasil, aborda a visão de Glauber Rocha sobre a política no Brasil. O filme foge da análise de seus trabalhos e aspirações no cinema – linha narrativa mais comum quando o cineasta baiano está no centro da discussão. Polêmico, o diretor nordestino possuía posições controversas sobre a eterna dicotomia entre conservadores e liberais, e tentava encontrar formas de diálogo e de encontro entre as duas correntes do pensamento político. O ponto de partida desta película são récitas de trechos escritos por Glauber interpretados por Paulo César Pereio, Aderbal Freire-Filho e Ana Maria Magalhães, seus contemporâneos e companheiros de profissão.

Geneton alterna depoimentos de colegas de Glauber e leitura de excertos de sua obra, interpretados por atores e companheiros de trabalho. Além disso, há a interpretação de Cláudio Jaborandy, encenando e dublando entrevistas concedidas pelo cineasta ao seu melhor estilo, gesticulando furiosamente a cada palavra. O diretor reuniu alguns dos maiores nomes da nossa sétima arte como Cacá Diegues, Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto e Arnaldo Jabor, além de figuras fundamentais da nossa cultura como Caetano Veloso e Zuenir Ventura.

"Cordilheiras no Mar: A Fúria do Fogo Bárbaro" estreia dia 21 de março, às 22h no Canal Brasil.

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