O convidado da semana do “Marília Gabriela Entrevista” é o cineasta Fernando Meirelles. De dez anos para cá, ele se transformou em um reconhecido diretor e produtor de filmes premiados e distribuídos no mercado mundial. O programa será exibido às 22h no GNT.


Foto: Divulgação/GNT

Gabi iniciou a conversa com um pensamento indiano. “Aonde vão os meus olhos, vai a minha emoção. Aonde vai a minha emoção, é lá onde eu estruturo meu pensamento”. E o entrevistado brincou sobre suas frequentes participações no programa: “Preciso receber férias e 13º salário!”.

Responsável pela direção de filmes como “Cidade de Deus” – indicado a quatro categorias do Oscar, inclusive para Fernando -, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre Cegueira”, ele retorna em 2012 às telonas com “360”. A produção terá sua primeira exibição nacional na abertura da 40ª edição do Festival de Gramado, no dia 10 de agosto. O filme que, também abriu o festival de Londres e participou de festivais em Toronto e Munique, não recebeu críticas muito satisfatórias. Para Meirelles, isso não significa que o título não será bem aceito pelo público. Ele ainda afirmou que teve receio quanto à estreia em Londres, pois sabia que as pessoas esperariam uma bomba de drama vindo dele. “Não é uma bomba, é um filme bombom”.

Sobre a adaptação cinematográfica da obra de José Saramago, que contou com Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga e Gael García Bernal no elenco, Fernando a definiu como um desafio. “Com atores que não podiam enxergar no filme, não existia troca de olhares e ponto de vista”. Ele ainda assumiu que tirou um peso das costas quando Saramago se emocionou ao assistir a produção.

“Cidade de Deus” também foi assunto entre Fernando e Marília. “Meus outros filmes não tinham o mesmo fôlego mesmo. Para ele, usei meus vinte anos de experiência. Entrei com toda a empolgação”. O diretor afirmou que está com um sentimento parecido em relação a “Nemesis”, projeto orçado em cerca de US$ 36 milhões. O longa-metragem contará a história do milionário Aristóteles Onassis. Para o papel, o diretor pensou nos atores Al Pacino e Javier Bardem.

Fernando, que é formado em arquitetura, explicou à Gabi a semelhança entre as profissões. “O diretor, assim como o arquiteto, tem uma visão do projeto, mas não o realiza com as próprias mãos, depende de uma equipe para tornar aquilo real”. Ele ainda contou que nunca fez filmes em Hollywood – na Europa sim – porque não quer ser marionete de marketing dos estúdios, e que não planeja totalmente as cenas de suas produções. E se ele assiste aos seus filmes depois de concluídos? “Acho insuportável, não aguento mais”.

O convidado também deu sua opinião sobre a ascensão da classe C no cinema. “Isso impede a chegada de filmes mais experimentais, pois é uma linguagem que precisa ser mais simplificada, de televisão”. Apesar de isso desanimá-lo, Fernando acredita que é um incentivo ao público que não ia ao cinema, a não ser pra assistir esses filmes. “O cinema argentino possui mais equilíbrio nesse sentido, por isso, vira mais internacional”. E, para ele, fazer um projeto meramente lucrativo não é interessante.

Ainda sobre o cinema brasileiro, ele comentou que o país está investindo na indústria por meio de um “film comisson”, que são instituições ligadas à prefeitura, que viabilizam gravações de produções. Ele concluiu dizendo que o cinema sempre será de interesse da sociedade. “Tem ligação com o sonho. É o sonho compartilhado”.

O diretor mantém outra paixão além da sétima arte, as árvores. Em sua fazenda, já plantou vinte e cinco mil mudas. E para encerrar a entrevista do dia 29 de julho, Fernando disse: “Desenvolvimento sustentável”.