Foram mais de 30 anos de funcionamento, recebendo cerca de 75% do lixo do Rio de Janeiro em 1.3 milhão de m² no terreno conhecido como Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. O maior aterro sanitário da América Latina foi desativado no início de junho e mais de 1.700 catadores receberam cerca de R$ 14 mil como benefício para mudar de profissão. Nesta terça-feira, dia 24, o ‘Profissão Repórter’ volta ao aterro 50 dias após o fechamento. E ainda mostra os últimos dias de funcionamento e o destino de alguns catadores que deixaram esse trabalho para seguir novos caminhos.

Caco Barcellos acompanha a vida do bairro que funcionava em torno de Gramacho. A vizinhança ainda estranha a falta de movimento, do vai e vem dos caminhões de lixo, e o comércio segue vazio. O jornalista mostra como está a vida dos catadores que antes viviam do lixo e agora se preparam para refazer a vida. Essa é a história do Seu Geraldo, que por 22 anos tirou o sustento da família do lixão. Agora, o ex-catador está feliz com a novo caminho que sua vida tomou. “Realizei o sonho da minha vida e comprei um carrinho de pipoca novinho”, conta.

O jornalista conversa também com Marcio Marciano, um dos líderes da Associação dos Catadores de Jardim Gramacho. Com o dinheiro que recebeu, ele construiu uma casa para a família em cima da casa dos pais. E ainda comprou um carro no valor de R$ 3 mil, que espera o conserto para voltar a funcionar. Ele ainda não sabe o que fará do futuro, mas já tem o plano de aumentar a família com mais dois filhos.

Para resgatar a história desses catadores, o repórter cinematográfico Felipe Bentivegna acompanhou, durante oito dias, os últimos momentos antes do fechamento oficial do local, no dia 3 de junho. No programa, ele mostra a história do Seu Geraldo, que se emocionou no dia do fechamento ao lembrar de todos os anos que trabalhou em Gramacho. “Tudo que consegui, todo o sustento da minha família, tirei do lixão”, diz.

Neste período, o repórter também encontrou Marcio, que na época auxiliou a prefeitura na tarefa de encontrar todos os catadores com direito de receber o benefício. “Esse foi o trabalho que mais me orgulho de ter feito. Conseguimos achar muita gente que trabalhou no lixão anos atrás”, diz. Na reportagem, o jornalista mostra o local onde Marcio viveu enquanto trabalhou em Gramacho. O catador deixou a mulher e o filho pequeno para morar em um único cômodo de papelão, nos fundos de outro barraco.