Em 4 de setembro de 1972, no 11º dia dos Jogos Olímpicos de Munique, um comando de terroristas palestinos inesperadamente invadiu a vila olímpica e vários integrantes da equipe de Israel foram feitos reféns. No final daquele dia, um resgate dramático e atrapalhado deixou um saldo de 17 mortos: 11 atletas israelenses, um policial alemão e cinco dos oito terroristas.

No 40º aniversário do ataque, sobreviventes da equipe olímpica voltam a Munique pela primeira vez para narrar os trágicos acontecimentos daquele dia sombrio. O especial inédito O Massacre de Munique, que o BIO e o HISTORY exibem simultaneamente, no dia 3 de setembro, segunda-feira, às 22h, acompanha os testemunhos dessas pessoas e reconstrói os acontecimentos daquele dia que chocou o mundo e mudou o espírito olímpico para sempre.

Toda a delegação de Israel foi acomodada em cinco apartamentos vizinhos, que davam para a rua. Isso facilitou a ação dos terroristas, que começaram os ataques por volta das 4h20 da manhã, enquanto todos dormiam. Para muitos, a sequência dos acontecimentos demonstrou a falta de habilidade das autoridades alemãs para lidar com o assunto.

Henry Hershkovitz, atirador olímpico, lembra a emoção que foi entrar no estádio na abertura dos jogos. “Depois do Holocausto, era a primeira vez que israelenses marchavam na Alemanha e isso foi impressionante. O meu técnico estava ao meu lado e choramos muito, choramos de verdade”. Para o esgrimista Don Alon os jogos olímpicos eram perfeitos para expurgar as terríveis heranças do Terceiro Reich. “Todo o evento foi montado para não parecer em nada com os jogos nazistas de Berlim em 1936”, acrescentou.

Para muitos dos sobreviventes que voltaram à Munique para participar do documentário foi um reencontro que também serviu para tentar recompor algumas peças que faltavam sobre a tragédia.