O futebol de praia nasceu em pleno Rio de Janeiro e fez das areias o campo ideal para crescer e se profissionalizar. Um esporte que ao longo do último século atraiu e descobriu novos talentos e tornou o dueto praia/bola a tradução do jeito carioca de viver. A história, as lembranças de alguns de seus principais personagens e o mundo que gira em torno deste esporte fazem parte da série “Ao Som do Mar, À Luz do Céu” que estreia dia 04 de setembro às 0h00 (de terça para quarta), na ESPN Brasil e ESPN Brasil HD, uma coprodução Conspiração e ESPN, realizada com recursos da Lei do Audiovisual, através da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e patrocínio da Petrobras, através da Lei de Incentivo do Estado do Rio de Janeiro.

Dirigida por Pedro Amorim, “Ao Som do Mar, À Luz do Céu” terá quatro episódios de 26 minutos recheados com cerca de 40 depoimentos, imagens de jogos atuais e de arquivo. Tudo para falar da trajetória deste esporte que se confunde com a própria história do Rio. Esse casamento começou no início do século 20, quando Copacabana ainda era um imenso e pouco habitado areal, e o banho de mar, um método terapêutico. A popularização do esporte coincidiu com a descoberta, pelos cariocas, da praia como espaço de lazer. O que se seguiu foi a concretização de um destino que já estava traçado.

Grupos de amigos começaram a se organizar em times, dividindo-se de acordo com a geografia do bairro. Equipes como o Lá Vai Bola, Juventus, Radar, Copaleme e Ouro Preto foram algumas das primeiras a ganhar fama e títulos. A elas foram se somando outras, como Colorado, Areia e Copacabana. As partidas eram realizadas sempre aos sábados sem direito a exceções nem mesmo para casamentos. Os times exibiam seus craques que contavam com muita disposição e também com alguns truques. Os jogadores do Dínamo (incluindo o humorista Tião Macalé), por exemplo, tinham como regra nunca lavarem seus uniformes. Assim, sob o efeito do odor acumulado por inúmeras partidas, os adversários não conseguiam marcá-los no corpo a corpo.

Nos anos 70, no entanto, o futebol de praia caiu em declínio assim como a cidade que era assolada pela violência. Muitos times desapareceram, junto com suas torcidas e os campeonatos. Mas a parceria entre areia e futebol acompanha o momento de retomada que o Rio vive atualmente. Em meados dos anos 2000, o jogo voltou a ocupar diferentes trechos de areia da Zona Sul.

Além disso, gerou filhotes como Beach Soccer que reduziu o número de jogadores em campo, ganhou novas regras e foi abraçado pela Fifa, que já organizou quatro copas do mundo – as últimas três vencidas pelo Brasil. Mas o velho futebol de praia, onze contra onze, permanece vivo nas areias de Copacabana.