Um dos relevantes nomes na história do Free Jazz, o cantor e saxofonista Archie Shepp, nascido em 1937 na Flórida – EUA, apresenta grandes standards acompanhado pelos músicos Darry Hall, no baixo acústico; Steve McCraven, na bateria; Tom Mclung, no piano; e o paulistano Maurício Takara, na percussão, como convidado.

O espetáculo – que integra o projeto Jazz na Fábrica e foi gravado no Sesc Pompeia, na capital paulista, em maio de 2011 – tem direção para TV de Camila Miranda e estreia no dia 26 de setembro, quarta, às 22h, no SescTV.

Pontuando o show, Shepp comenta a nuances da cultura africana encontrada na brasileira, como o Yorubá e o Candomblé; conta que, durante os mais de 30 anos que leciona nos Estados Unidos, sempre pautou em suas aulas a América do Sul, o Brasil, as Índias Ocidentais, a Jamaica e Cuba, além de destacar a influência das músicas desses lugares na sonoridade das canções norte-americanas.

Shepp é contra a separação e ao rótulo dado para as composições, como jazz e blues. Segundo ele, esses nomes confundem e impedem que a música se desenvolva. “Elementos como chamada e resposta, batida de palmas, pés, tudo isso os negros africanos levaram da África para o Novo Mundo. Através da escravidão, da evolução, do sincretismo, da combinação da religião tradicional africana com as religiões europeias…”, explica. O artista garante que a música tocada hoje, chamada de jazz, é uma combinação de elementos culturais, em especial o africano.

Referindo-se a sua visita ao Brasil, Shepp diz que o sentimento foi o mesmo em relação com a África, pois são lugares que nunca tinha ido, mas que foram essenciais para a formação de sua identidade.

O repertório do show abre com Don´t Get Around Much Anyone, composição de Duke Ellington, e na sequência Hambone, canção oriunda do folclore tradicional negro. Para tocá-la, o baterista Steve McCraven utiliza o próprio corpo como instrumento. O show contempla ainda Revolution; Round Midnight; e Down Home New York.