O convidado do programa “Marília Gabriela Entrevista” do próximo domingo, dia 18, é o ator Marcelo Serrado. Ao todo, ele acumula 12 novelas, 5 minisséries, 9 filmes e 18 peças. O carioca, que já é pai de Catarina – fruto de sua união com Rafaela Mandelli -, espera a chegada de gêmeos, com a bailarina Roberta Fernandes, com quem é casado atualmente.

Depois de dois personagens seguidos, o Crodoaldo Valério de “Fina Estampa” e o sedutor Tonico Bastos no remake de “Gabriela”, Serrado se prepara para interpretar o maestro João Carlos Martins nas telonas. Ainda no cinema, dará vida, novamente, ao Crô, que ganhará seu próprio filme.

Marília comenta que lembra que, na última vez que se encontraram, ele estava se preparando para o personagem caricato. Serrado conta que, na época, frequentou festas gays para mergulhar neste universo, e contratou o preparador de elenco Sérgio Penna. “Como era minha volta (à Rede Globo) e o papel era audacioso, difícil, quis botar alma no personagem para não virar uma alegoria”. Para Marcelo, vários homossexuais da ficção acabam indo por este caminho. “Vira só uma coisa sem alma, que não tem essência. O Crô tinha! Ele tinha verdade”.

Eles sabiam que você estava lá?”, pergunta Gabi, referindo-se ao público das festas. “Não. Colocava um boné. Ia bem fechado, na minha”. Mas, ainda assim, foi reconhecido. O ator relembra uma situação que passou na entrada de uma boate paulista: “Um casal que estava na fila se cutucou e um disse para o outro: ‘Tá vendo! Não falei que o Marcelo Serrado era gay?’”. Serrado conta ainda que Crô foi resultado de pessoas variadas: “Ele foi montado. Na verdade, é uma concha de retalhos”.

O convite para retornar à emissora veio do diretor, Aguinaldo Silva – a quem ele não poupa elogios: “Aguinaldo é um gênio. Sou fã, devo muito a ele! Todos os prêmios que ganhei como ator dediquei a ele. Não só pela inteligência dele para escrever o personagem, mas ele entendeu que eu conseguia dominar o Crô de uma maneira. Ele se aproveitou até dos meus cacos!”, brinca. “Foi incrível! As coisas vêm no momento certo. Esse personagem foi um certo divisor de águas. Acho que as pessoas puderam ter um olhar sobre o Marcelo, talvez, um pouco mais apurado. E eu também, né? Comecei a me arriscar mais”, completa.

O convidado ainda revela que admira a entrega (em cena) de atores como José Wilker, Antônio Fagundes e Laura Cardoso. E para ele, seus últimos papeis se enquadram na competição acirrada que existe na televisão: “Eles me levaram a lugares, mas eu poderia ter me estrepado. É o seguinte: ou você radicaliza, ou vai virar um ator mediano, que é um artista que o público não vai se identificar”.

Além de ator, Marcelo é músico. Toca gaita, violão e piano. E, para quem não sabe, tinha uma banda com Marcelo Novaes, a Los Impossibles. Ele assume que, apesar da música fazer parte de sua vida, não conseguiu continuar com as apresentações. “Era um fracasso. Tô brincando! Mas era uma brincadeira. Tocávamos na Melt (boate carioca), que é do meu irmão”.

Gabi questiona também sobre a vontade de Serrado de ser protagonista. “Uma hora surge. Acho que quem é bom, quem trabalha honestamente, faz o seu dever de casa direitinho, uma hora vai acontecer”, diz ele. E sobre a importância do fator sorte, ele comenta: “Ela está na vida de qualquer pessoa que faz sucesso, que é um detalhe. Hoje, me sinto abraçado pelo público brasileiro. Mas, assim, foi um detalhe que fez isso mudar, o olhar das pessoas”. Marcelo acredita que para se destacar o personagem não precisa ser protagonista: “Tem personagens que são muito fortes”.