Em janeiro, Leona Cavalli apresenta no Canal Brasil, uma mostra especial com o personagem mais sombrio do cinema brasileiro, com exibição de títulos remasterizados, sendo quatro deles inéditos na TV. A "Mostra Zé do Caixão" será exibido a partir do 22 de janeiro, todas as terças, sempre à 0h15.

Nascido numa sexta-feira, dia 13 de março de 1936, José Mojica Marins é um dos maiores nomes do cinema de terror no Brasil. Em 2013, seu personagem mais famoso completa 50 anos de existência. Desde a década de 60, o lendário coveiro Zé do Caixão vaga à procura de uma mulher superior, capaz de lhe dar o tão sonhado herdeiro perfeito. Dotado de chapéu, capa negra, barba e unhas enormes, o homem impiedoso não descansa enquanto não alcançar seu objetivo. O tipo surgiu após um pesadelo macabro de seu inventor: um ser de roupa preta o tirava da cama, o levava até o cemitério, abria um túmulo e o jogava dentro. Assustado, Mojica considerou o acontecimento um sinal.


"À Meia-noite Levarei sua Alma" é o primeiro filme de Zé do Caixão a ser exibido pelo Canal Brasil
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Assim, em 1963, surgia o cruel e sádico Zé do Caixão, que estrelaria, no ano seguinte, o seu primeiro longa: "À Meia-noite Levarei sua Alma", filme que abre a mostra especial dia 22 de janeiro, à meia-noite e quinze. Dirigido e estrelado por José Mojica Marins, o filme foi o primeiro em que apareceu o personagem Zé do Caixão. O coveiro Zé do Caixão (Mojica) apresenta um comportamento sádico e cruel. Seu objetivo é conseguir gerar um filho perfeito, não hesitando em assassinar as mulheres e os homens que involuntariamente impedem a concretização de seu desejo. Assim, desperta o ódio dos moradores de uma pequena cidade. Ao saber que sua esposa não pode engravidar, ele procura uma substituta: a namorada de seu amigo. Após ser violentada por Zé, a moça jura cometer suicídio para retornar dos mortos e levar a alma daquele que a desgraçou.

"Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver" (29 de janeiro, às 0h15) é considerado um clássico do horror nacional, com direção e atuação do protagonista José Mojica Marins. Após sobreviver a um ataque sobrenatural no final de À Meia Noite Levarei Sua Alma, o coveiro Zé do Caixão continua sua busca obsessiva pela mulher ideal capaz de gerar o filho perfeito. Com a ajuda do fiel criado, ele rapta seis belas moças, submetendo-as a terríveis sessões de tortura. Aquela que mostrar mais coragem e sobreviver será eleita progenitora. Zé, no entanto, comete um crime imperdoável ao assassinar uma jovem grávida. Atormentado pela culpa tem um terrível pesadelo no qual é levado para um inferno gelado, onde reencontra suas vítimas.


José Mojica Marins em "O Estranho Mundo de Zé do Caixão"
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"O Estranho Mundo de Zé do Caixão" (05 de fevereiro, às 0h15), foi produzida e assinada por José Mojica Marins, a obra é uma compilação de três contos de horror: O Fabricante de Bonecas, Tara e Ideologia. A canção-título foi escrita pelo próprio diretor, sendo interpretada por Edson Lopes e o grupo de samba Titulares do Ritmo. No elenco, além do cineasta, estão Vany Miller, Veronica Krimann, Paula Ramos, Esmeralda Ruchel, Luís Sérgio Person e Mário Lima, dentre outros. Em O Fabricante de Bonecas, marginais invadem a casa de um velhinho e descobrem o segredo da confecção de suas bonecas, cujos principais detalhes são os olhos realistas. Já Tara retrata um pobre vendedor de balões obcecado por uma garota que ele segue nas ruas, só conseguindo possuí-la após a morte. Em Ideologia, o excêntrico professor Oaxiac Odéz (José Mojica Marins) enfrenta um rival e tenta provar que o instinto prevalece sobre a razão, com direito a fortes doses de canibalismo e sadomasoquismo.

"O Despertar da Besta" (12 de fevereiro, às 0h15), narcóticos, sexo e delírios do personagem Zé do Caixão: tudo isso está presente na trama que é considerada uma das mais radicais da carreira de Mojica. O longa trabalha de forma metalinguística e reflete, dentro da mesma narrativa, questões externas e internas. Com estilo de cinema experimental, o filme foi relançado e renomeado em 1983. De forma não linear, a história conta sobre testes feitos por um psiquiatra utilizando LSD a fim de estudar os efeitos provocados pela macabra imagem de Zé do Caixão. O resultado combina perversão e sadismo em diferentes delírios. A interpretação rendeu o prêmio de melhor ator para José Mojica e melhor roteiro no Rio Cine Festival, em 1986.

Já no dia 19 de fevereiro, às 0h15, vai ao ar o inédito "Finis Hominis", décima terceira obra do cineasta. Carregado pela simbologia do número 13, o longa-metragem conta a história do apocalíptico Finis Hominis, que significa “o fim do homem” em latim. As características físicas de Zé do Caixão se repetem na construção do lunático e profético protagonista: as mesmas unhas vampirescas e o tom de voz funesto. O roteiro entrelaça diferentes situações e personagens que aparecem aos poucos no filme. Inspirado em referências bíblicas, Mojica interpreta um indivíduo que percorre a cidade espalhando milagres em nome da justiça. Passagens como a da mulher que volta a andar, da adúltera e do levantar do morto estão presentes na produção. O título se configura como uma grande crítica aos falsos profetas espalhados pelo mundo.


Cena de "O Exorcismo Negro", destaque no Canal Brasil
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"O Exorcismo Negro" (26 de fevereiro, às 0h15), um encontro inusitado entre o criador e a criatura. José Mojica Marins assina e interpreta seu personagem mais famoso: Zé do Caixão e tem no elenco o protagonista ao lado de Jofre Soares, Geórgia Gomide, Alcione Mazzeo, Walter Stuart, Marcelo Picchi, Wanda Kosmo, Agenor Alves e Ariane Arantes, dentre outros. O filme é uma alusão ao clássico do terror O Exorcista, de William Friedkin, lançado em 1973. O cineasta José Mojica Marins anuncia, em uma entrevista coletiva, seu próximo trabalho: O Tirador de Demônios. Para dedicar-se ao roteiro, viaja com direção à casa de campo de seu velho amigo Álvaro (Walter Stuart), onde coisas estranhas começam a acontecer: um piano de brinquedo toca sozinho, animais selvagens aparecem na árvore de Natal, cadeiras se movimentam e imagens de santos se materializam em diferentes lugares. O diretor compreende, então, que a família de Álvaro está possuída.

Outro filme inédito na TV é "A Estranha Hospedaria dos Prazeres" (05 de março, às 0h15). Numa estranha hospedaria isolada, o proprietário misterioso contrata funcionários para que possam receber pessoas em busca de abrigo. Numa noite de tempestade, aparecem vários clientes, entre eles um grupo de hippies, um casal de adúlteros, um suicida, um gigolô e empresários corruptos. Na manhã seguinte, os desavisados descobrem a verdadeira identidade do dono do local: a Morte! Outro inédito é "Demônios e Maravilhas" (12 de março, às 0h15), anunciado pelo próprio como um registro biográfico da luta do criador para manter a sua criatura, o documentário é a dramatização da história da vida e da batalha do diretor José Mojica Marins para representar seu personagem Zé do Caixão diante de muitas dificuldades – principalmente a censura, em tempos de ditadura militar. O filme mescla cenas reais a passagens adaptadas para a sétima arte. Até então inédita no Brasil, a produção foi lançada em vídeo apenas nos Estados Unidos, no ano de 1996.


"Inferno Carnal" é inédito na TV brasileira
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"Inferno Carnal" (19 de março, às 0h15), Dr. George Medeiros (José Mojica Marins) é um brilhante cientista que trabalha muito e não encontra tempo nem para sua bela esposa Raquel (Helena Ramos). Carente, ela começa a ter um caso com o melhor amigo do marido. Os amantes, então, planejam eliminar George e ficar com sua fortuna. Aproveitando-se da distração do marido no laboratório, ela joga ácido no rosto de George, desfigurando-o. Enquanto ele se recupera no hospital, a dupla de golpistas gasta o dinheiro. Depois de passar meses hospitalizado, Dr. George volta para casa com um sombrio plano de uma vingança lenta e dolorosa em mente. O filme também é inédito na TV.

Finalizando a mostra, "Delírios de um Anormal" (26 de março, às 0h15), o filme compila partes de quatro obras de Mojica: O Despertar da Besta (cujas sequências originais só foram liberadas pela censura na década de 80); cenas não aproveitadas de Exorcismo Negro; além de trechos em preto e branco de Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver e O Estranho Mundo de Zé do Caixão tingidos de cores diversas. Para montar o roteiro, Mojica filmou cerca de 35 minutos com passagens novas, acrescentando elementos à trama. Dr. Hamílton (Jorge Peres) é um psiquiatra aterrorizado por pesadelos nos quais Zé do Caixão tenta roubar sua esposa, a bela Tânia (Magna Miller). Seus colegas médicos decidem buscar ajuda com o cineasta José Mojica Marins, que tenta fazer Hamílton compreender que Zé do Caixão é apenas um personagem e não passa de uma criação de sua mente.

"Mostra Zé do Caixão" será exibido a partir do 22 de janeiro a 26 de março, todas as terças, sempre à 0h15.