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O médico e escritor Drauzio Varella percorreu 1.100 km pelo Rio Negro, de São Gabriel da Cachoeira até Manaus, a bordo do barco Escola da Natureza, em junho de 2005. O objetivo era conhecer histórias dos ribeirinhos. A viagem resultou no documentário Histórias do Rio Negro, dirigido por Luciano Cury, que narra histórias de botos, parteiras, curupiras, missões salesianas e borracha. Com trilha sonora original de Cesar Camargo Mariano, a atração estreia no SescTV no dia 27/06, sexta, às 23h.

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Divulgação / SescTV[/creditos:34f5adffef]

Varella recorda a primeira vez que chegou naquela região em 1992. “Eu vi esse rio. Desde aquele dia eu nunca mais parei de vir pra cá”. E completa: “O lugar que eu mais gosto de ficar é no barco pelo rio”. Ele conta que já há algum tempo sentia vontade de fazer essa viagem de São Gabriel da Cachoeira até Manaus; descer o rio sem pressa, entrar nos igarapés, conhecer as comunidades e ouvir suas histórias. “As pessoas quando falam da Floresta Amazônica esquecem que ela é habitada”, comenta.

Entre os personagens ouvidos por Varella está um índio da comunidade de Ananás. Ele era criança quando precisou deixar sua aldeia e família e ficar durante oito meses estudando em regime de internato, no colégio Salesiano. Ali, ele só podia falar português e era obrigado a seguir a religião católica.

Um outro morador da região conta que, seduzido pelo garimpo, vendeu uma carreta e um caminhão e se mudou para lá, onde está há nove anos. Perdeu tudo e hoje não pode procurar outro lugar para morar. Outros entrevistados falam sobre a facilidade de ganhar e gastar dinheiro no garimpo; a violência por conta da disputa por ouro e por mulheres; a vida turbulenta de um garimpeiro; a prostituição; o fim do garimpo; e como vivem hoje alguns desses garimpeiros.

Varella também conversa com parteiras. Uma delas iniciou este ofício aos 22 anos de idade, após ter tido um sonho; e uma outra já perdeu as contas de quantos partos fez. A vida do seringueiro chamou a atenção do médico. Um deles começou a cortar seringa aos 10 anos de idade. “Quem tinha muitos filhos produzia mais porque os filhos ajudavam”, explica o seringueiro.

Histórias de botos e curupiras também são ouvidas por Varella. Alguns dos ribeirinhos acreditam ter visto esses personagens de lendas da floresta, e outros, conheceram alguém que os viu.