Para alguns ele é o líder dos pobres; para outros um adversário temido; e, ainda, para outros um terrível inimigo… Este é João Pedro Stedile, coordenador do Movimento dos Sem Terra, que será entrevistado por Antônio Abujamra no Provocações, nesta terça-feira, dia 8 de janeiro, às 22h, na TV Cultura.

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"O MST é um movimento social que procura organizar os pobres do campo para que eles lutem por um direito que está na constituição: o de trabalhar na terra." Essa é a ideologia que norteia o Movimento dos Sem Terra, coordenado por Stedile.

João Pedro comenta sobre a reforma agrária e o desenvolvimento industrial do Brasil, e como ele foi diferente dos países desenvolvidos: "a burguesia brasileira só pensou em enriquecer cada vez mais, nunca pensou no povo. […] A reforma agrária nos países desenvolvidos foi o caminho para poder distribuir renda e criar um mercado interno para a indústria. Aqui a burguesia não pensou assim, só pensou em enriquecer e não pensou numa distribuição de renda para criar mercado interno para suas próprias indústrias."

Além do problema da nossa burguesia, o líder do MST aponta outra falha no planejamento rural brasileiro: “infelizmente há uma lógica de acumulação de capital na agricultura que só favorece a grande escala e a produção para exportação. Hoje, 85% de todas as terras do Brasil são utilizadas apenas para soja, milho, cana e pecuária. Isso é um absurdo.”

Para ele, uma das diversas medidas a serem tomadas para o uso adequado das terras seria o de “uma política agrícola e agrária no país que favorecesse a agricultura familiar e camponesa, que organizasse as agroindústrias em forma de corporativas e não grandes empresas."

Sobre seus inimigos, Stedile comenta: Quem nos considera inimigos são os grandes capitalistas do agronegócio, as empresas transnacionais que estão envenenando a agricultura brasileira e os grandes latifundiários desse país que se apoderaram da terra como um recurso natural e impedem o povo brasileiro de usar esse recurso nacional em proveito de todos: para poder trabalhar, criar sua família e viver dignamente. E mais: "no Brasil, os meios de comunicação, sobretudo a televisão, os jornais e as revistas são instrumentos de poder da classe dominante, dos capitalistas. E cada vez que os pobres se organizam para lutar pelos seus direitos, essa mídia cria uma hegemonia na sociedade para estigmatizar os que fazem a luta social, como se lutar fosse uma coisa errada."

Fala ainda sobre as condições das famílias que estão no movimento: "nós temos hoje ao redor de 800 mil famílias assentadas, que conseguiram terras. E outras 200 mil estão em acampamentos, ou em processo de mobilização, que o governo ainda não atendeu."

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