A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade”. Foi com este pensamento de Aristóteles que Marília Gabriela apresentou seu convidado desta semana no GNT: Marcio Atalla. O mineiro é formado em educação física e pós-graduado em nutrição, tem 42 anos, e além de apresentador, é um ativista do bem-estar. O “Marília Gabriela Entrevista” com Marcio Atalla será exibido neste domingo, 09 de setembro, às 22h, no GNT.

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Como vai a saúde do mundo?”, perguntou a jornalista. Marcio disse que, para explicá-la, dois lados precisam ser avaliados. “O primeiro, é que a medicina evolui constantemente. Então, ela vai dando condições para as pessoas viverem cada vez mais. Não é à toa que a expectativa de vida vai aumentando. Como estas pessoas estão vivendo estes anos a mais, aí que começamos a dizer que a saúde não vai bem”. Ele ressalta ainda que os índices de obesidade nunca foram tão altos, e que ela é fator de risco para inúmeras doenças: “Então falamos em recorde em diabetes, problemas cardíacos, alguns tipos de câncer como o do intestino, que tem uma relação direta com alimentação e atividade física”.

Quando falamos de saúde, hoje, temos que pensar em nosso código genético”. Com esta afirmação de Marcio, Gabi pediu ao seu convidado para definir uma pessoa saudável. “Tem 20% ali de um componente genético. Você pode ter um código genético que te predispõe para um diabetes, mas, se você faz todo um ambiente para ele não se manifestar, ou ele vai se manifestar tardiamente, ou ele não vai se manifestar. Agora, se você tem um ambiente que nem é favorável ao aparecimento do diabetes, mas você castiga mesmo…”. Marcio deu como exemplo uma pessoa obesa que não pratica atividade física, e completou que o corpo do ser humano é programado para o movimento. “Provavelmente, ela vai apresentar diabetes. A pessoa tem que ser ativa. Quando se faz atividade física, o corpo paga um preço menor para se manter no equilíbrio”.

Durante a conversa, Marcio e Gabi ainda comparam as épocas em que o homem caçava e os anos 60 – quando o uso do automóvel não era comum – com os dias de hoje, para explicar como a movimentação e o esforço entre os homens diminuíram. “Aqueles movimentos não eram naturais, não eram feitos por prazer, e sim, por necessidade”. O convidado citou também que em 1960, os índices de obesidade no Brasil não chegavam a 10%: “As pessoas caminhavam muito mais. Você tinha muito menos automóvel, escada rolante, elevador. Você não tinha o controle remoto”.

E já que o assunto é o controle remoto, Marcio contou uma curiosa pesquisa realizada pela USP, com um objeto, aparentemente, indiferente para a manutenção do bem estar. “O vidro que não é elétrico. São duas mil calorias por ano! Mas ninguém vai chegar na concessionária pedindo um carro com manivelinha”, brinca ele. “O que mudou foi o ambiente. O homem não se movimenta mais. E, na nossa programação, o exercício, o movimento, são fundamentais para mantermos todas as taxas em equilíbrio”.

Quanto tempo é suficiente, por dia, de movimentação, para compensar esse ‘não movimento’?”. “Não adianta inventar. São trinta minutos, cinco vezes por semana. Você tem que ter movimento. Pode ser caminhada, pedalada, natação. Vai do gosto do freguês”, respondeu Marcio. Além disso, ele comentou que as pessoas também podem dedicar meia hora, duas vezes por semana, para atividades que promovam ganho muscular. “Aí você tem pilates, musculação, ginástica funcional”.

Gabi questionou se ele não concorda que academia é sinônimo de “símbolo de qualidade de vida, de status. Tempo e grana”. “Acho que está na hora dos governantes mesmo entenderem que é muito mais barato você promover e incentivar a prevenção da doença, do que enfermidade”, comentou o convidado, que ainda ressaltou que este é um caso de saúde pública. “Você tem que estimular a atividade. Temos que olhar como se previne”.

Na minha opinião, o papel da atividade física não é para ficar com barriga tanquinho, fortão. Ela tem que cumprir os fatores de riscos para ser saudável”. Foi com este comentário do entrevistado que ele e Gabi começaram a falar sobre os quadros do Fantástico “Medida Certa” e “Medidinha Certa”, criados para levar consciência ao público. Ele contou que fez o Época Saúde (na Revista Época) – que foi um sucesso -, e resolveu levar o projeto para a televisão: “O Fantástico tem uma credibilidade absurda jornalística, uma penetração incrível. Arrebentou! Mas, aí, tem o fator Zeca (Camargo) e Renata (Ceribelli), né? Gerou uma curiosidade”.

A obesidade infantil foi outro destaque do bate-papo. “Você pega cinco, seis anos atrás, o Rio de Janeiro era uma das capitais mais saudáveis. Seis anos depois, é a segunda capital mais obesa do Brasil”, disse Marcio. A explicação para este salto foi o aumento da classe C na região: “Foi onde ela mais cresceu”. O entrevistado completa ainda que é questão de status. “Você não vai tirar o barato do cara que agora tem renda. E eles tendo acesso, indo ao supermercado, é natural este deslumbre inicial”.

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