Abordando diferentes aspectos do teatro contemporâneo e apresentando temporadas temáticas, a série Teatro e Circunstância exibe novos programas todas as terças, às 22, no SescTV, desta vez mostrando grupos teatrais de todo o território nacional. A série tem pesquisa, roteiro e entrevistas de Sebastião Milaré e direção de Amilcar M. Claro.

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O primeiro episódio a ser exibido, A Ideologia da Rua, estreia no dia 11/09, e expõe o trabalho de importantes coletivos de teatro de rua. São eles: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre – RS; Tá na Rua, do Rio de Janeiro – RJ; e o Grupo Galpão, de Belo Horizonte – MG, que completa neste ano 30 anos de existência. A série, que já tratou dos temas O Teatro e a Cidade; a Desconstrução do Espaço Cênico; Territórios do Imaginário; Entre Técnicas e Estilos; e Paradigmas, coloca em pauta Teatro Infanto-juvenil; A História se Reinventa; Teatro Comunitário e Teatro Étnico; Tradição e Contemporaneidade; Rua, o Grande Encontro do Mundo; entre outros.

No episódio A Ideologia da Rua, coletivos de teatro de rua, que atuam tanto na rua quanto em espaços fechados, discorrem sobre suas trajetórias na cena teatral e o processo de criação de seus espetáculos. Criados nos anos 1970 e 1980, quando a o Brasil vivia a ditadura militar e movimentos pró-democracia invadiam as ruas, atuadores do teatro, insatisfeitos com a situação do país e também do teatro convencional, procuravam as ruas para apresentar suas artes e protestar.

Um destes artistas foi Amir Haddad, diretor, fundador e ator do grupo carioca Tá na Rua. Ele afirma que depois de recolhimento, angustia e muito estudo, sentiu necessidade de sair das salas fechadas para apresentar o teatro em espaços onde não houvesse nada em seus entornos. Para ele, a atuação nas ruas o fez repensar o teatro e “a partir dali a dramaturgia e o ator começaram a se transformar”.

Paulo Flores, ator da gaúcha Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz lembra o início do coletivo, que surgiu em meio às manifestações políticas e populares. Esclarece Flores, que o grupo “experimentou diversas linguagens teatrais em sua trajetória de teatro de rua” e “havia uma crítica não só política, como também com o próprio teatro”.

Eduardo Moreira, ator do Grupo Galpão, criado em 1982, recorda como surgiu o coletivo e diz que, nos chamados anos de chumbo, o grupo esteve ativo nas ruas compartilhando com a sociedade os movimentos contra a ditadura. Moreira fala sobre a construção, nessa época, de uma rede de teatro de rua; e do frequente trabalho do grupo com diretores convidados, resultando em uma linguagem versátil ao coletivo que já esteve se apresentando por diversos países.

O programa ainda contempla, entre outros temas, as pesquisas, o processo de construção de cada grupo e de criação dos textos; os espaços escolhidos para as encenações e as interferências destes nos trabalhos dos coletivos; o encontro do teatro com o público na rua e o trabalho em coletivo. Além disso, o episódio traz comentários sobre e trechos das peças dos grupos.

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