O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para investigar as condições pelas quais passam os participantes do reality "A Casa", da Record. A atração estreou na última terça (27) e confina uma centena de pessoas em uma casa de 120 m² preparada para viver quatro pessoas. Ou seja, cerca de 1m² de espaço para cada participante.

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No reality apresentado por Marcos Mion, os participantes ficam confinados de portas abertas. Quem quiser pode desistir do jogo a qualquer momento, mas apenas o último a sair é quem levará o grande prêmio do programa. O grande diferencial é que quem administra o prêmio inicial de R$ 1 milhão são os próprios participantes. Os mantimentos da casa são suficientes apenas para uma pequena família, e são os confinados quem vão determinar o que é necessário comprar para sobreviver dentro da residência. Detalhe: todos os dias, eles, que entrarão na casa com apenas uma caixa contendo seus pertences pessoais, receberão uma cesta básica suficiente para apenas quatro pessoas.

O formato da atração ofendeu alguns espectadores, que fizeram denúncias ao Ministério Público de São Paulo em relação a possíveis violações dos direitos humanos e da dignidade. A assessoria do MPF confirmou que foi instaurado inquérito civil pela Procuradoria da República em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, para apurar o desrespeito ao fundamento constitucional de dignidade da pessoa humana. A emissora afirma que não recebeu qualquer notificação.

Polêmicas

Um participante do programa (que já foi inteiramente gravado) revelou ao site TV Foco, os bastidores da atração. Segundo a fonte, a polêmica se deu desde o inicio. Os selecionados não haviam sido por inscrição, mas através de agências de figuração e modelo. De fato o elenco está cheio de figuras conhecidas como Gustavo Lira, que é apresentado como massoterapeuta, mas é conhecido por sua participação no programa "Raul Gil" e foi por anos garoto propaganda de um produto em ações de merchandising. Dentre outros nomes conhecidos estão a DJ Raphaella, que já foi destaque em um ensaio para o portal R7, a ex-Chiquitita Vivian Nagura (apresentada como professora de pilates) e a filha do ator Gerson Brenner, Anna Haas.

Ainda segundo o site "TV Foco", "os problemas já começaram no pré-confinamento em um hotel de São Paulo, onde os contratos foram assinados durante a madrugada, já em confinamento, e ninguém recebeu a cópia, e as cláusulas são bastante abusivas em tudo."

Segundo o ex-participante, a higiene da casa era totalmente precária de forma proposital "Muitas pessoas desenvolveram doenças, mulheres menstruadas sofreram sem água e sabão suficiente e vários ficaram com herpes nos lábios e segundo a fonte contaminaram a todos… Além disso, dois participantes, um rapaz e uma moça, teriam pego conjuntivite e foram retirados da casa após baterem de frente com a produção.". Segundo a fonte, os dois expulsos do reality.

O site ainda informou que "muitos participantes teriam passado mal por falta de comida, vários tiveram desmaios, convulsões, e teve até um participante que saiu de maca tendo uma parada cardíaca devido à falta de Potássio. Após o incidente, todos passaram a receber dois copos de água de coco por dia." Já segundo o colunista Flávio Ricco, um participantes ousou a puxar uma faca para outro participante e mencionou um esfaqueamento.

Ao "TV Foco", a fonte ainda informou que existiam participantes infiltrados pela produção; a direção ficaria provocando brigas e classificou o reality como um “verdadeiro experimento nazista” (em referência aos experimentos bizarros encontrados durante esse governo da Alemanha, entre 1933 e 1945).

Até o último episódio exibido na quinta (29), seis participantes já haviam deixado a casa. Quatro por desistência, uma eliminada pela dinâmica do jogo e um participante por questões de saúde, após sofre um desmaio por falta de alimentação no programa. "A Casa" vai ao ar às terças e quintas-feiras, logo após o "Jornal da Record".

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