gnt Uma semana antes do aniversário de 50 anos do golpe militar, o canal de televisão por assinatura GNT faz uma homenagem à luta feminina contra a ditadura. A partir desta quarta-feira, o canal exibe cinco episódios de um especial chamado "Mulheres em luta", sobre militantes que se engajaram na política, pegaram em armas, foram presas e torturadas. "Mulheres em luta" tem direção de Susanna Lira e será exibido às 21h. O especial é uma coprodução do GNT com a Modo Operante Produções.

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Divulgação / GNT [/creditos:e4b752fb0f]

A cada episódio o programa vai mostrar a trajetória de duas mulheres que dão depoimentos com detalhes sobre sua experiência na época da repressão. O primeiro episódio tem como entrevistadas Rita Sipahi que foi militante da Ação Popular, e Fátima Setubal, que foi simpatizante da VAR Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

Rita, hoje aos 76 anos, conta como foi presa e torturada e ainda se viu obrigada a ficar longe de seu filho. "A intenção do torturador é que você seja destruído. Pense, num canto de parede, você totalmente nua, com sapato de salto. Onde fica sua dignidade nessa hora?", diz Rita. Ela lembra que na cadeia tinha que tomar banho em canequinhas de plástico e descreve como o clima era tenso: "Quando alguém mexia na porta, se não era para trazer comida, era alguém que seria levado para a tortura." Hoje ela é advogada e conselheira da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça.

Fátima Setúbal, 60, conta que, quando foi presa, os policiais não encontraram uma arma em sua bolsa e sim uma pílula anticoncepcional. Sobre a tortura afirma: "Não sei quem me torturou, mas eu quero que todos os torturadores sejam descobertos e punidos." Atualmente, Fátima é professora de história aposentada do ensino público.

Entre as entrevistadas estão mulheres que ficaram presas na “Torre das Donzelas”, ala feminina do Presídio Tiradentes, em São Paulo, e conheceram a presidente Dilma Rousseff nessa época. Outras ficaram no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e no Doi-Codi, órgão ligado ao exército, em diversas cidades do país.

"A experiência de ter dirigido a série ‘Mulheres em luta’ me trouxe um outro entendimento sobre a ditadura e principalmente sobre o que é ser uma cidadã. Me fez também refletir sobre minha geração que não fez praticamente nada para o bem coletivo ao longo desses anos. Tudo que eu gostaria é que o exemplo dessas mulheres inspirassem todos nós a acreditar que vale a pena lutar por aquilo que acreditamos e que uma vida sem luta é uma vida sem sentido," comenta a diretora Susanna Lira.

Mulheres em luta” tem também entrevistas com Ana Miranda, bioquímica; Lucia Murat, cineasta; Estrella Bohadana, filósofa; Iná Meireles, médica; Jessie Jane, historiadora; Vera Vital Brasil, psicóloga, entre outras.