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100 Noites de Desejo é aquele tipo de obra cinematográfica que poderia facilmente ser negligenciada por cinemas e plataformas de streaming se não fosse pela presença da diretora Julia Jackman e a adaptação da graphic novel de Isabel Greenberg. O filme se estabelece como uma fábula em um universo de fantasia vagamente delineado, que serve de pano de fundo para uma narrativa sobre opressão feminina e resistência.
A narrativa encanta e confunde na mesma medida. Cherry (Maika Monroe), a protagonista, habita um reino de inspiração medieval dominado por uma seita de homens-pássaro que impõem a submissão e o silêncio das mulheres. Casada com Jerome (Amir El-Masry), que a ignora e se recusa a consumar o casamento – uma situação que poderia levar à anulação do mesmo e à sua execução –, Cherry encontra-se em uma posição delicada.
Recomendações
A trama se complica com a chegada de Manfred (Nicholas Galitzine), um amigo de Jerome que faz uma aposta maligna: ele tem 100 dias para seduzir e engravidar Cherry enquanto Jerome está fora em uma “viagem de negócios”. Durante esse tempo, a única proteção de Cherry vem de sua leal criada Hero (Emma Corrin), que tenta afastar Manfred contando histórias ao estilo de As Mil e Uma Noites.
Os contos narrados por Hero são magistralmente encenados pela diretora Julia Jackman, criando um cenário idílico interrompido por momentos de tensão. 100 Noites de Desejo entrelaça essas duas histórias com uma crítica social sobre as armadilhas mortais criadas para as mulheres pelos homens no poder, e a paralisia insuportável que elas enfrentam ao tentar evitar essas armadilhas.
Jackman busca construir um filme que é “excêntrico” de uma forma desconfortavelmente radical. A direção de arte de Sofia Saccomani e os figurinos de Susie Coulthard são opulentos, mas capturados pela diretora de fotografia Xenia Patricia de uma maneira quase perversa. Os ângulos nas amplas salas da mansão de Cherry são propositalmente “errados”, e a opressão dos espartilhos que ela usa é meticulosamente destacada.
100 Noites de Desejo é visualmente deslumbrante, mas também carregado com uma tensão de violência iminente. Por exemplo, quando Galitzine aparece sem camisa, trazendo de uma caçada um presente sangrento para Cherry, ele personifica tanto a tentação quanto o perigo. Contudo, Jackman também se apoia nesses simbolismos visuais pois reconhece que a narrativa do filme não é particularmente profunda.
Apesar de ser uma fábula, 100 Noites de Desejo apenas arranha a superfície em sua celebração da resiliência feminina e das histórias que permitem às mulheres persistir diante da opressão. Os espectadores dificilmente serão surpreendidos pelos caminhos ou pelo desfecho agridoce da trama. Definitivamente há emoção, mas faltou uma perspectiva mais original que pudesse elevar o filme a outro nível.
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Avaliação do Crítico
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.