Atriz comentou, no Festival do Rio, como surgiu a ideia do projeto com o diretor Esmir Filho
“Minha psicóloga quase desabou hoje, falou: ‘Não acredito que já estou te ouvindo falar dessa mulher há tantos anos e agora você vai anunciar’”, conta Giovanna Lancellotti ao falar de Carmen, a cinebiografia de Carmen Miranda na qual ela está envolvida — um trabalho que, segundo a própria atriz, vem se desenrolando por pelo menos quatro anos.
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“Essa ideia nasceu da minha vontade de começar a produzir, de assumir a responsabilidade por contar as histórias que eu queria ver nas telas”, explicou a atriz durante um evento no Festival do Rio 2026. “Coloquei essa missão com alguns amigos próximos. Um grande produtor e diretor, que é meu amigo, estava passando em frente à casa dela e me ligou: ‘Giovanna, estou na frente da casa de uma mulher e acho que essa é a personagem que você devia produzir, sua grande aventura’. Eu perguntei: ‘Quem?’. E ele respondeu: ‘Carmen Miranda’”.

Lancellotti relata que, a partir daí, se atirou em imagens e materiais sobre a vida da artista — cantora, atriz e dançarina de origem luso-brasileira — que se transformou em uma das mulheres mais bem remuneradas de Hollywood entre as décadas de 1930 e 1950.
“Nem sei ao certo quando começou minha preparação. Há uns quatro anos, quando comecei a me aprofundar nesse universo e a me envolver tanto com a Carmen, passei a cantarolar, a dançar, a reproduzir as coreografias que via na TV”, conta a atriz, descrevendo como foi incorporando elementos da personagem no dia a dia.
Ela ainda ressaltou o papel histórico da artista: “Na época em que a Carmen explodiu, o Brasil ainda não vivia a euforia da Copa do Mundo, não tínhamos aquele grande símbolo de alegria nacional. A Carmen foi responsável por levar a imagem do Brasil para fora como um povo alegre, trabalhador, colorido e cheio de força. Foi ela quem ajudou a forjar essa percepção”.
O diretor Esmir Filho (conhecido por Homem com H) reforça essa leitura e observa que, antes de Miranda, a visão sobre o brasileiro era marcada por estereótipos negativos — a ideia de um povo fruto de “três raças tristes”: o português colonizador, o indígena dizimado e o africano escravizado — que Carmen ajudou a desconstruir ao projetar outra imagem do país.
“Faço até um paralelo com o Ney [Matogrosso, biografado em Homem com H] nesse sentido. Muitas das lutas e bandeiras que discutimos hoje precisaram de corpos que viessem na frente, com desejo e coragem, para que começássemos a interpretar e construir esses conceitos. A Carmen atuou de forma semelhante: trouxe e entregou tudo isso para o público”, afirma Esmir.
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Para Lancellotti, porém, a intenção não é apenas celebrar a força pública de Carmen, mas também expor suas contradições e fragilidades. “Além de ter sido uma figura extremamente potente para a nossa cultura, por trás das roupas, dos enfeites e das cores havia uma mulher sensível, cheia de contradições e vulnerabilidades, vivendo algo que ninguém mais havia vivenciado”, diz a atriz.
Essa faceta humana é justamente o que a equipe quer trazer ao filme, para ampliar e renovar a imagem de Carmen entre as novas gerações. “Temos um grande desejo de apresentar essa mulher às novas plateias. Quanto mais humana a gente a retratar, maior ela se torna”, defende Lancellotti.
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Com roteiro assinado por Mariana Bardan e Eduardo Melo (conhecido por Cangaço Novo), o longa Carmen tem previsão de início de filmagens em 2027 e a equipe mira lançamento nos cinemas no segundo semestre de 2028.
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.