VisionQuest: encerramento perfeito da trilogia WandaVision — uma das melhores séries do MCU

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Produção investe na ficção científica e aprofunda laços familiares envolvendo Visão, Tommy Maximoff e Ultron

WandaVision foi a série que deu o pontapé inicial do MCU no Disney+. Mais de cinco anos após o lançamento daquela trama que trouxe de volta os personagens de Elizabeth Olsen e Paul Bettany, após os acontecimentos trágicos de Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato, essa sequência de eventos enfim encaminha sua conclusão. Ou será que VisionQuest representa, na verdade, um recomeço, enquanto a Marvel ensaia um reboot no pós-Guerras Secretas?

Curiosamente, dá a impressão de que WandaVision estreou há muito mais tempo. Desde então, foram lançados 15 filmes e 20 temporadas entre séries live-action e animações — um volume enorme de conteúdo. Nesse turbilhão, a própria Wanda Maximoff (Olsen) teve seu arco aparentemente resolvido — ou não — na sua tentativa de ressuscitar a família que perdeu em Multiverso da Loucura. Em seguida, Agatha Desde Sempre expandiu a narrativa da antagonista daquela série e abriu caminho para trazer de volta Billy e Tommy Maximoff, além de recolocar o Visão na mesa — lembrando sua versão “branca” vista no fim de WandaVision.

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Agora sabemos, enfim, qual é o destino do sintozóide interpretado por Paul Bettany. À semelhança de um Pinóquio ou de qualquer entidade que “não é humana”, o Visão tenta entender a condição humana e vive recluso em Edimburgo — cidade que também guarda memórias felizes dele com Wanda em Guerra Infinita. Dividido entre a vida exterior e um universo mental povoado por IAs geradas por Tony Stark e suas Indústrias, o Visão é descoberto pelo Paladino (Todd Stashwick), um caçador de recompensas. Assim começa a ligação dele com alguém conhecido: um jovem (Ruaridh Mollica) que afirma carregar memórias que não são originalmente suas, mas sim de Tommy Maximoff.

Esse é o ponto de partida para a envolvente jornada de ficção científica criada por Terry Matalas (conhecido por Star Trek: Picard). O que à primeira vista poderia se limitar a uma história sobre Visão e Tommy se aproximando e desvendando um ao outro evolui para uma narrativa muito mais abrangente sobre família em várias camadas. Matalas insere um elemento perfeito nessa equação: o Ultron de James Spader. É interessante notar como Vingadores: Era de Ultron ganhou novos contornos no imaginário do MCU sem a necessidade de reedições; a origem da IA que se volta contra seus criadores — Stark e Bruce Banner — e o plano de Tony para proteger a Terra agora ressoa de maneira diferente após as consequências trazidas por Thanos.

Em VisionQuest, a narrativa explora a relação entre Ultron e Visão desde a gênese do herói até o desfecho do antagonista no longa de 2015. Ultron permanece alojado na mente sintética do Visão, confinado num sótão, enquanto o herói divide esse espaço mental com J.A.R.V.I.S. (James D’Arcy), E.D.I.T.H. (Emily Hampshire), Friday (Orla Brady), Dum-E (Henry Lewis) e U (Jonathan Sayer). Mas por que o Visão não eliminou um perigo como Ultron? Essa é a grande questão de VisionQuest e o principal trunfo da trama.

Terry Matalas transforma as inteligências artificiais em protagonistas de uma história essencialmente humana, discutindo amor, vínculo familiar e traumas. Friday, por exemplo, revive lembranças de Ultimato e da perda de Tony, enquanto J.A.R.V.I.S. se dirige ao Visão chamando-o de “irmão” quando o sintozóide entra em crise. Ultron, por sua vez, revela um fascínio pela arte — não apenas pelas técnicas, mas pelo sentimento que move a criação artística. Essa percepção alimenta diálogos sobre a aparência de cada IA, o que o visual representa para cada uma delas e como essas escolhas estéticas se entrelaçam com as razões de suas próprias existências.

No plano real, a série também investe com cuidado na relação entre Visão e Tommy. Paul Bettany entrega uma atuação precisa como o herói que tenta compreender por que sente emoções que pertencem à versão “original” do Visão e como poderia abraçar uma vida que, de certa forma, não se reconhece como sua. Ao seu lado, Ruaridh Mollica transmite de forma correta o espanto e a curiosidade de Thomas, o jovem que herdou memórias e poderes de Tommy após um acidente — um processo que, de modo parecido, recuperamos com Billy (Joe Locke) em Agatha Desde Sempre. As lacunas que ambos precisam preencher — o que foi Westview, quem era Wanda e se eles podem viver como uma família — vão surgindo ao longo dos oito episódios, consolidando um vínculo crível e bem representado pelos atores.

VisionQuest não perde de vista que também é um produto de super-heróis do MCU. As cenas de ação cumprem bem seu papel, sem tentar se sobressair ao quebra-cabeça emocional que Visão precisa resolver. A ação funciona como complemento, sobretudo na segunda metade da temporada, quando Madripoor entra em cena e há confrontos com a Jocasta (T’Nia Miller). A série circula pelo universo compartilhado com naturalidade, pontuando referências e até uma participação-surpresa — que, embora inesperada, não chega a chocar.

Parte do mérito vem da habilidade de Matalas e da equipe de roteiristas e diretores em costurar esses momentos com sequências visualmente inventivas — como a invasão aos sistemas da Interpol, em que aparecem versões físicas de firewalls, bots e até aqueles testes irritantes de “selecione as imagens com ônibus e pontes”. Ou quando acompanhamos o surgimento de um clima romântico entre Ultron e Jocasta, com Visão e as outras IAs espionando o vilão através de câmeras e recriações teatrais dentro da mente do herói. A morada mental onde Visão e as IAs residem traz uma estética que lembra uma mistura entre as pontes de comando de Star Trek e o visual colorido de Speed Racer, das irmãs Wachowski — um trabalho de direção de arte e figurino de alto nível.

Se o MCU vinha recebendo críticas por produções cinéfilas menos inspiradas, na televisão o cenário tem sido mais promissor. Séries como as duas temporadas excelentes de Demolidor: Renascido abordaram política, vigilantismo e saúde mental; enquanto Magnum trouxe um olhar leve e criativo sobre arte e vocação, temperado por uma pitada de heroísmo.

VisionQuest surge para fechar um dos arcos mais bem-sucedidos de todo o Universo Marvel. WandaVision demonstrou que as produções podem arriscar no formato, inovar visualmente e entregar estudos de personagem profundos (mesmo que, no desenlace, tenha cedido a uma ação mais convencional). VisionQuest repete essa maturidade e inventividade ao tratar dos seus temas. Terry Matalas, que já havia dado um desfecho digno a Picard e ao elenco de A Nova Geração em Star Trek, faz agora o mesmo por Visão e sua família — seja ela de carne e osso, seja formada por circuitos. No fim, a distinção entre natural e artificial quase desaparece, algo que Paul Bettany encarna com muita precisão e que merece aplausos.

Se em Era de Ultron o Visão levanta o Mjolnir com facilidade e, depois, Wanda cria um universo inteiro para viver seu amor com ele, fica evidente que ele sempre foi muito mais que um simples receptáculo para uma Joia do Infinito. VisionQuest é uma aventura marcante que explica bem o porquê.

Avaliação do Crítico

Excelente!

Alexandre Almeida

VisionQuest

Representação de inteligências artificiais interligadas em um espaço digital
As IAs de VisionQuest ocupam o centro emocional e narrativo da série.

VisionQuest

Ver ficha completa

NR
Sci-Fi & Fantasy
Criado por:
Terry Matalas
País:
US
Classificação:
NR anos
Elenco:

Paul Bettany, Henry Lewis, Jonathan Sayer, James D’Arcy, Orla Brady, Emily Hampshire, James Spader, Todd Stashwick, Faran Tahir
Data de lançamento:
14 de outubro de 2026
Duração:
1 temporada

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