Nova versão sacrifica o impacto do thriller e acumula cenas de constrangimento
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Passaram-se apenas três meses desde que a primeira adaptação de Colleen Hoover, É Assim Que Acaba, estreou nas telonas, e já veio a confirmação de que outro livro polêmico da autora ganharia versão cinematográfica: Verity. O longa chegou com peso no elenco, escalando nomes de destaque de Hollywood — e, diferente da produção anterior, sem estrelas envolvidas em controvérsias públicas: Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett lideram o time.
As expectativas só aumentaram depois do sucesso recente de A Empregada, adaptação do thriller de Freida McFadden que traz elementos parecidos: um suspense com carga erótica em torno de um casal e uma mulher que surge na história, tudo concentrado basicamente em um único ambiente — uma mansão. Por isso, muita gente não esperava uma obra-prima, mas, ainda assim, aguardava ao menos um entretenimento sólido.
A versão de Verity dirigida por Michael Showalter (responsável por A Ideia de Você) infelizmente não entrega nem isso. O roteiro de Nick Antosca, que fez um trabalho tenso ao adaptar Cabo do Medo para a série do Apple TV, desarma aqui quase todo o suspense original do livro e o transforma em sequências que provocam mais vergonha alheia do que apreensão.
No filme acompanhamos Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora em ascensão contratada para organizar e finalizar a série de sucesso deixada por Verity Crawford (Anne Hathaway), após um acidente que a deixou física e mentalmente debilitada. Para ter acesso ao material da autora — e receber um pagamento que lhe interessa bastante — Lowen vai morar provisoriamente na casa da família, ao lado do marido de Verity, Jeremy (Josh Hartnett), e do filho do casal, Crew (Brady Wagner).
Lá, além das anotações e esboços da série, Lowen encontra um manuscrito autobiográfico de Verity que expõe segredos perturbadores da escritora. Paralelamente, ela passa a duvidar se Verity está realmente inconsciente ou se tudo não passa de uma encenação. Em tese, trata-se de um jogo psicológico carregado; na prática, o filme falha em transformar essa tensão em algo cinematograficamente satisfatório — e as supostas aparições e sinais da presença de Verity pela casa raramente funcionam como sustos. Curiosamente, o único jump scare que se mostra eficaz é uma brincadeira do menino nos minutos finais.
Ao se afastar do núcleo do thriller, Showalter aposta com insistência no erotismo. A sexualização de Lowen é colocada em primeiro plano desde cenas em que ela tira a roupa com pouca cerimônia na frente de um estranho — revelando um sutiã translúcido — até momentos em que ela mistura o café com o dedo e depois lambe a bebida. A relação sexual entre Jeremy e Verity é relevante para a trama do manuscrito, claro, mas a maneira como essas cenas são expostas acaba soando gratuita e, por vezes, cafona.
O filme até poderia se entregar completamente ao excesso e virar uma espécie de thriller camp, o que poderia ser divertido. Há um instante em que Lowen diz algo que brinca com a percepção pública sobre a própria Dakota Johnson, e a sala de cinema riu alto. Contudo, o tema central é pesado demais para essa virada e os atores tratam os acontecimentos com seriedade — o que deixa o tom do filme oscilante e desconexo.
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Dakota Johnson encaixa-se muito bem no papel de Lowen; é fácil acreditar na personagem quando ela aparece na tela. Hartnett funciona como o marido atormentado que desperta empatia e vontade de que ele tenha alguns momentos de paz. E Anne Hathaway entrega uma transformação impressionante entre a figura pública de Verity, a versão catatônica em que a personagem se encontra e a mulher cruel descrita no manuscrito. É uma performance potente, o que torna ainda mais frustrante o fato de Showalter subaproveitar essas camadas, optando por soluções previsíveis.
Verity provavelmente continuará atraindo público aos cinemas e gerando debates nas redes sociais — mas isso tende a ocorrer mais por causa da premissa chamativa do que pela qualidade do resultado final. A curiosidade pelo material de origem e pela reconstituição das cenas polêmicas deve manter a obra em pauta, mesmo que o filme não cumpra sua promessa de suspense psicológico.
No Omelete você sempre encontra mais de uma perspectiva sobre um mesmo lançamento. Se quiser, confira também a análise de Pedro Henrique Ribeiro sobre o filme — ela traz outro ponto de vista.
Verity

Verity
Michael Showalter
Nick Antosca, Colleen Hoover
Dakota Johnson, Anne Hathaway, Josh Hartnett, Ismael Cruz Córdoba, Brady Wagner, Irina Dvorovenko, K.K. Moggie, Michael Abbott Jr., Alex Cooper
30 de setembro de 2026
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Especialista em mídia digital e televisão, Alba Baptista traz uma expertise detalhada para a categoria “TV” do VCFAZ.TV. Natural de Lisboa, ela explora as últimas tendências em programação televisiva, oferecendo críticas e análises que capturam e informam os entusiastas da TV.