Sexa: Personagens Marcantes Perdidos em Inaptidões Técnicas! Descubra Mais

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Primeira direção de Glória Pires apresenta potencial, mas falha na execução

Bárbara (Glória Pires) e Davi (Thiago Martins) formam um par ideal para protagonizar uma comédia romântica. Eles compartilham uma conexão que transcende a atração física, unidos pela experiência comum de maturidade e perdas, o que os leva a buscar compreensão mútua apesar dos obstáculos que enfrentam. Um ponto particularmente tenso em seu relacionamento é a diferença de idade: ela acaba de completar 60 anos enquanto ele está na casa dos trinta.

Este é o enredo central de Sexa, o primeiro filme dirigido e roteirizado por Glória Pires. A obra busca desafiar a ideia ultrapassada de que mulheres mais velhas não podem vivenciar romances. Pires, ao lado dos co-roteiristas Guilherme Gonzalez (Tônia – A Diva no Espelho) e Bianca Lenti (Amazônia Eterna), posiciona o longa como um sucessor carioca das comédias românticas “adultas” de Hollywood, caracterizadas por filmes de Nancy Meyers como Alguém Tem que Ceder (2003) e Simplesmente Complicado (2008).

A influência do cinema de Meyers é evidente, o que torna Sexa um tanto previsível. A presença da melhor amiga (Isabel Fillardis) liberal e excêntrica, que aconselha a protagonista mais conservadora, e a importância das relações familiares que geram conflitos, tanto para Bárbara (cujo filho dependente critica seu comportamento enquanto depende de seu dinheiro para sustentar o neto) quanto para Davi (um pai solteiro com amigos festeiros e que vive com o pai aposentado que busca novos hobbies), são elementos familiares, mas tratados com um toque de charme.

O filme se destaca por seu ritmo agradável e uma vibe tipicamente carioca, filtrada por um drama que é muito brasileiro. Embora não seja exatamente uma novela das sete, Sexa se beneficia quando se concentra nestes aspectos, graças a atores que entendem e encarnam bem esse estilo. Martins, em particular, é convincente tanto como protagonista romântico quanto como um homem comum, ou pelo menos uma versão idealizada que se encaixaria bem em cenários de novela.

De qualquer forma, o filme encontra seu tom na narrativa, que, apesar de não ser inovadora, não é ofensiva. Os problemas surgem, porém, na transposição do roteiro para as telas – Sexa, infelizmente, sofre com notáveis falhas técnicas, desde a encenação básica (em uma cena de diálogo simples, a disposição dos personagens e os ângulos de câmera tornam difícil acreditar que as duas pessoas estavam realmente juntas) até problemas de som e cenografia.

Em momentos, é possível ignorar essas deficiências devido à química entre os atores ou ao carisma de certas cenas. No entanto, há tantos momentos em que essas falhas tornam difícil se conectar com o filme, que parece não saber como nos atrair. As boas intenções estão presentes, mas faltou habilidade para realizá-las efetivamente.

Nota do Crítico

Ruim

Caio Coletti

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