Matt Damon e Ben Affleck brilham em nova colaboração cinematográfica
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Em meio a uma era de saturação de super-heróis e filmes de ação formulaicos, é refrescante ver que o destaque de Dinheiro Suspeito reside em sua reminiscência de clássicos anteriores. Sob a direção de Joe Carnahan (A Última Cartada), este filme traz novamente a parceria de Matt Damon e Ben Affleck, tanto na frente quanto por trás das câmeras, evocando o espírito dos thrillers policiais populares nas décadas de 1970 e 1980. Diferente dos lançamentos atuais que dependem de efeitos visuais e grandes explosões, este novo título da Netflix se sobressai pelo retorno às raízes: um enredo bem construído com suspense envolvente.
Carnahan, que além de diretor também é roteirista e tem amizades no meio policial, baseou-se em eventos reais para desenvolver a trama de Dinheiro Suspeito. Com o departamento de polícia de Miami afundado em escândalos de corrupção e assassinatos de oficiais, os personagens tenente Dane Dumars (Damon) e sargento J.D. Byrne (Affleck) comandam uma equipe que, abalada pela morte de sua ex-capitã, decide investigar um depósito abandonado de um cartel de drogas após uma dica anônima. Ao explorarem o local, eles encontram uma enorme quantia de dinheiro do tráfico. A partir desse ponto, Carnahan tece um intricado jogo de gato e rato, levando o público a questionar quem deseja se corromper pelo lucro e quem realmente busca fazer justiça ao tentar retornar o dinheiro para as autoridades fiscais.
Uma das grandes habilidades do roteiro de Carnahan é manipular as expectativas do público sobre a moralidade dos personagens. O diretor utiliza o passado de seus protagonistas e os estereótipos associados a eles para semear dúvidas. Damon, frequentemente o herói em seus filmes, aqui é um agente que lida com a perda do filho e o término de seu casamento, enquanto Affleck, conhecido por papéis mais intensos, interpreta um J.D. consumido pelo ódio após a morte de sua namorada e ex-capitã. A presença de uma fortuna de 20 milhões de dólares é um teste para qualquer um, e é nesta premissa que Dinheiro Suspeito se destaca.
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A crescente tensão do filme é eficiente e surpreendente. Carnahan diverte-se explorando temas de lealdade dentro dessa dinâmica complexa. As pistas falsas de Dane têm o objetivo de confundir sua equipe ou os espectadores? Ro (Steven Yeun) possui um telefone descartável por ser corrupto ou por buscar justiça? Até mesmo Desi (Sasha Calle), que parece inofensiva à primeira vista, pode saber mais do que revela. A constante geração de dúvidas e suspeitas confere a Dinheiro Suspeito um ritmo notável, focando no desenvolvimento do suspense em vez de depender apenas de cenas de ação.
Carnahan mostra grande habilidade em alternar a suspeita entre os personagens enquanto o destino dos 20 milhões de dólares fica em aberto, até que o cerco em torno da equipe de Dane começa a se fechar. Inspirando-se em clássicos como Serpico e Operação França, o diretor enriquece sua narrativa com nuances subtis e não explícitas. Realizar isso com tal precisão é um feito notável, especialmente numa era em que qualquer deslize pode fazer o espectador desviar sua atenção para o celular.
Optar por uma trama que remete aos velhos tempos também é um mérito de Affleck e Damon, que atuaram como produtores de Dinheiro Suspeito. Por meio da produtora Artist Equity, eles alcançaram algo raro: convencer a Netflix a modificar seu modelo de negócios e investir no filme, oferecendo bônus a todos os envolvidos, desde atores até assistentes, em caso de sucesso – uma prática não usual para a gigante do streaming, que normalmente paga apenas pelos direitos de exibição. Isso demonstra a confiança que os astros têm no enredo e na visão de Carnahan, reforçando que, mesmo em uma indústria dominada por grandes franquias, ainda há espaço para projetos autorais.
