Kogonada volta com tudo em novo filme após fracasso em Hollywood!

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Criado em meio à pressão após um fracasso anterior, o filme é mais um processo criativo do que um produto finalizado

Logo após o lançamento de A Grande Viagem de Sua Vida, que não foi bem recebido por críticos e público, e falhou nas bilheterias, Kogonada retorna rapidamente com uma nova obra. Apesar de evidenciar imperfeições, Zi carrega uma urgência típica de um artista em busca de direção, tornando-se ao mesmo tempo um processo de autoexploração e uma jornada em busca de respostas criativas. Ambientado nas áreas menos exploradas de Hong Kong, longe dos grandes arranha-céus e da iluminação de neon, e filmado sem um roteiro completamente definido, o filme é uma coleção de ideias parcialmente desenvolvidas. O que se destaca, contudo, é que o próprio ato de explorar torna-se o foco central do filme.

A trama gira em torno de Zi (Michelle Mao), uma violinista renomada de Hong Kong que lida com visões perturbadoras. Nessas visões, ela enxerga a si mesma no futuro, seja num futuro imediato ou anos à frente. Durante grande parte do filme, a abordagem transitória de Kogonada permite interpretações diversas para esse fenômeno, como um possível tumor cerebral (Zi já está fazendo exames quando a conhecemos) ou um deslocamento paranormal no tempo. O mais relevante, porém, é a atmosfera criada pelo filme. Zi parece desvinculado de tempo e espaço, flutuando em uma noite sem fim onde há espaço para encontros com estranhos que rapidamente se tornam amigos íntimos. Ao vagar pelas ruas e becos, descobrindo comidas de rua e se divertindo em karaokês, Kogonada e Zi buscam reconectar-se com suas raízes, numa busca desesperada por algo autêntico.

Zi se desdobra como um excelente filme urbano, explorando especialmente a vivência noturna em uma metrópole. E quem melhor para guiar esse passeio senão Haley Lu Richardson, interpretando Elle, uma dançarina que deixou os EUA para se redescobrir na Ásia. A atriz, já conhecida por suas colaborações anteriores com Kogonada em Columbus e After Yang, destaca-se no filme, servindo tanto ao diretor quanto à protagonista como um farol, interpretando alguém que parece já ter completado essa jornada de amadurecimento. A presença de Elle é magnética, fazendo com que Richardson transforme-se no epicentro emocional do filme.

No entanto, essa abordagem traz certos riscos, dos quais Zi não consegue desviar completamente. Enquanto o primeiro encontro entre as personagens é marcado por um surrealismo encantador, as idas e vindas subsequentes estendem a credibilidade do enredo, especialmente à medida que o filme se torna mais pé no chão. Desenvolve-se uma dependência emocional em relação a Elle que é mais facilmente justificada como uma busca do criador por seu refúgio seguro do que como uma progressão lógica para a jovem Zi, e essa situação se complica ainda mais com a chegada do ex-namorado de Elle, Min (Jin Ha), que parece já conhecer Zi e tem conexões com o centro médico que a está examinando. Ele, por sua vez, parece ter algumas respostas.

A introdução de Min traz o filme de volta à realidade concreta. Kogonada se vê, de certa forma, obrigado a explorar, por exemplo, elementos de ficção científica relacionados às visões de Zi, assim como um drama relacional envolvendo Elle e Min, que foram namorados durante uma década e agora se reencontram após anos. Nenhum desses elementos, assim como uma virada romântica inesperada envolvendo Zi, parece completamente desenvolvido. Eles são apresentados de maneira um tanto quanto aleatória, como se jogados contra a parede para ver o que se sustenta. Um final feliz e conclusivo também vai contra a ambiguidade que permeava o restante do filme.

Isso torna Zi um filme frustrante, mas compreensível. Ao ser deliberadamente incompleto, Zi torna-se mais relevante artisticamente para Kogonada, transformando-se em um rico material para análises e críticas. Como um produto, entretanto, ele pode não ser totalmente satisfatório, especialmente para aqueles que não estão particularmente interessados na trajetória do artista. No dilema entre fazer “um filme para eles, um filme para mim”, fica claro que Kogonada é o principal público de sua nova obra.

Crítica escrita como parte de nossa cobertura do Festival de Sundance.

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