Euphoria: 3ª Temporada Destrói Tudo o que a Série Construiu!

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O terceiro ano da série se perde em críticas rasas e glamourização do sexo e da dor

É quase surreal lembrar como Euphoria impactou uma geração. Durante os anos de 2019 e 2020, e ainda um pouco em 2022, a série ditou tendências desde a moda até influenciar outras obras audiovisuais. Zendaya evoluiu de estrela da Disney para uma atriz consolidada. Novas referências de estilo surgiram como Alexa Demie, Sydney Sweeney e Hunter Schafer. As maquiagens se tornaram mais coloridas e brilhantes. A estética granulada foi realçada por uma trilha sonora marcante de Labyrinth, que ficou gravada em nossas mentes.

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A terceira temporada, no entanto, é uma grande decepção. Não apenas falha em impactar como suas antecessoras, mas também desvaloriza os trabalhos anteriores. Os episódios são tão superficiais que começamos a questionar se a série realmente era boa. E sim, ela era, mas não nesta temporada.

Neste terceiro ano, a série dá um salto no tempo. Os personagens já não estão mais na escola, mas sim enfrentando os desafios da vida adulta. Aqui, Sam Levinson (criador, roteirista, diretor e produtor da série) se concentra principalmente em duas tramas: a luta de Rue (Zendaya) para se libertar das drogas, caindo porém em um ciclo vicioso, e a tentativa de Cassie (Sydney Sweeney) de ganhar dinheiro vendendo conteúdo adulto.

Por um lado, foi uma decisão acertada manter Zendaya e Sweeney separadas no set – rumores sugerem que elas não se dão bem fora das câmeras e, como consequência, preferem não interagir em cena. No entanto, essa escolha prejudicou o desenvolvimento de outros personagens. Maddy (Alexa Demie) até recebe mais atenção como uma visionária na indústria, com um talento nato para a fama. Mas Jules (Hunter Schafer), Lexi (Maude Apatow) e Nate (Jacob Elordi) são relegados a papéis secundários, apenas preenchendo pequenas funções nas histórias das protagonistas.

Quando esses personagens conseguem algum destaque, isso se deve mais ao talento dos atores do que ao trabalho de Levinson. Em termos de enredo, embora o roteiro saiba para onde quer ir com Rue, com Cassie, ele se perde em cenas que apenas servem para sexualizar ainda mais Sweeney. É surpreendente que a atriz, neste ponto de sua carreira, tenha aceitado fazer algumas dessas cenas. Mesmo quando não está gravando conteúdo adulto, o diretor encontrava maneiras de enfatizar seu corpo, sem nenhuma necessidade narrativa.

Esse é apenas o começo dos problemas, pois a terceira temporada de Euphoria se apoia no sexo e na nudez meramente pelo choque e desejo. A série poderia explorar o tema do Only Fans para discutir a precarização das mulheres que recorrem a isso para sobreviver, como faz Cassie. Mas, ao contrário, o roteiro de Levinson glamouriza a venda do corpo como uma solução para tudo, sempre focando nas personagens femininas. Não só com Cassie e Jules – que se torna uma sugar baby em um enredo que não adiciona nada –, mas também com Maddy, que passa a temporada tentando manipular as situações e, no fim, é forçada a se vender para Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) para ajudar uma amiga.

Até mesmo Rue (interpretada por uma Zendaya com contratos bem definidos) tem uma cena no primeiro episódio que parece feita sob medida para o olhar masculino. Parece que Sam Levinson não sabe como escrever uma personagem feminina a não ser colocando-a em situações de sofrimento. No final das contas, no auge do último episódio, o conflito principal se resume a dois homens, que nunca foram os protagonistas.

A tensão da cena é bem construída, mas perde o impacto devido a uma trilha sonora que não combina. Pior ainda quando percebemos Hans Zimmer tentando imitar o que Labyrinth fez nos anos anteriores, sem nunca realmente conseguir.

O último episódio traz discursos emocionantes de Colman Domingo, que adicionam uma camada extra de emoção. Ver Rue revivendo momentos de sua juventude pode até arrancar algumas lágrimas. Porém, infelizmente, nem mesmo as atuações compensam o roteiro vazio, os personagens negligenciados, a sexualização excessiva, a glamourização do sofrimento e a falta de originalidade da terceira temporada de Euphoria.

Nota do Crítico

Ruim

Bruna Nobrega

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