A verdadeira história de La Buse: o pirata francês com um tesouro indetectável que inspirou One Piece, o mangá mais vendido do mundo

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Olivier Levasseur: de Calais ao Caribe

Olivier Levasseur nasce em 5 de novembro de 1695 em Calais, fato excepcional para um pirata cuja certidão de nascimento ainda existe. Órfão de pai numa França devastada por fomes e guerras, provavelmente aprendeu navegação com seu avô marinheiro. Sua partida para o Caribe permanece misteriosa.

Associação com piratas lendários das Bahamas

La Buse frequenta New Providence, efêmera república pirata das Bahamas. Associa-se com Sam Bellamy “O príncipe dos piratas” e Benjamin Hornigold, funcionamento habitual entre os corsários. Esta colaboração fortalece sua eficácia contra navios mercantes e negreiros.

A exasperação britânica face aos piratas de Nassau leva Londres a enviar Woode Rodgers em 1718. Este ex-corsário propõe anistia ou enforcamento aos piratas. Levasseur recusa essa rendição e parte para o Brasil, depois Canárias e África Ocidental.

Conquista do Oceano Índico e fortuna colossal

Levasseur chega ao Oceano Índico em 1720, naufragando providencialmente em Mayotte. Este naufrágio lhe evita a sangrenta batalha de Anjouan onde perecem cem piratas. Junta-se a England e Taylor para novas aventuras indianas decepcionantes.

O ano de 1721 marca o apogeu de sua carreira com a tomada de La Vierge du Cap. Este navio português carregado de diamantes, ouro e prata constitui “a maior presa da história da pirataria”. Os piratas capturam também o conde d’Ericeira, vice-rei das Índias portuguesas.

Queda e execução do pirata mítico

As relações entre Taylor e Levasseur se deterioram após este triunfo. Destituído e açoitado, La Buse parte com La Vierge du Cap para Madagascar onde naufraga. Entre 1723 e 1730, torna-se guia na baía de Antongil para barcos de passagem.

As negociações de anistia com o governador da ilha Bourbon fracassam. Em 1730, La Méduse pede seus serviços de guia. Levasseur embarca sem desconfiança e é capturado pelo capitão Dhermitte. Transferido para La Réunion, é enforcado em 7 de julho de 1730 em Saint-Paul.

Nascimento do mito do criptograma

Charles de la Roncière revela a existência de La Buse em “Le Flibustier mystérieux” (1934). Este bibliotecário sério da Biblioteca Nacional da França conta seu encontro com Rose Savy, vinda das Seychelles reclamar “Les clavicules de Salomon” para decodificar um criptograma.

A tradição quer que La Buse tenha lançado este criptograma à multidão antes de seu enforcamento, declarando: “Para aquele que o descobrir”. Roncière identifica dialeto picardo neste código, coerente com as origens calaisenses do pirata. Esta história forja a lenda moderna do tesouro.

Ceticismo científico face ao mito

Historiadores e arqueólogos contestam a existência do tesouro de La Buse. Michel L’Hour, diretor do Departamento de Pesquisas Arqueológicas Subaquáticas, declara: “Este caso não é sério”. Jean Soulat precisa que “o conceito de mapa do tesouro nunca realmente existiu”.

Charles-Mézence Briseul estima que La Roncière criou “sua própria farsa histórico-literária”. O imaginário pirata do século 19, alimentado por Stevenson e Poe, influencia esta construção mitológica. Os piratas preferiam gastar seu espólio ao invés de enterrá-lo.

Caçadores de tesouro intrépidos e incansáveis

Apesar do ceticismo científico, os buscadores se sucedem. Rose Savy escava Bel Ombre nas Seychelles após 1934. Réginald Cruise Wilkins prossegue com dinamite, seu filho John retoma em 1987. Em Rodrigues, Léon, avô de Le Clézio, consagra trinta anos a esta busca vã.

Joseph Tipveau dito Bibique torna-se o símbolo reunionense do caçador de tesouro. Jogador de futebol tornado contador pirata, embarca turistas em caças ao tesouro espetaculares. Sua morte em 1995 não interrompe a busca. Cyrille Lougnon e Emmanuel Mézino continuam pesquisas em La Réunion.

Herança cultural: da lenda ao mangá planetário

O mito de La Buse transcende a simples caça ao tesouro. Eiichiro Oda inspira-se em sua história para criar One Piece, mangá mais vendido mundialmente. O fim trágico do pirata, tal como contado por La Roncière, alimenta este sucesso fenomenal.

Esta transformação cultural prova o poder da lenda de La Buse. Henri de Monfreid, Robert Charroux e outros aventureiros perpetuam o mito. O tesouro inencontrável torna-se pretexto para sonhos e narrativas cativantes que atravessam séculos.

Conclusão

La Buse ilustra perfeitamente a transformação da história em lenda popular. Este pirata calaisense, tornado figura mítica do Oceano Índico, inspira hoje a cultura popular mundial. Seu tesouro, provavelmente inexistente, continua fascinando buscadores e criadores. Esta permanência do mito, do criptograma de La Roncière ao mangá de Oda, demonstra o poder eterno das narrativas de aventura e fortuna escondida no imaginário coletivo. A busca infinita pelo tesouro de La Buse prova como as lendas transcendem realidade histórica para alimentar sonhos universais.

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