Corrida Contra o Tempo falha em capturar sua própria urgência!

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Gal Gadot é destaque em novo thriller de ação do Prime Video sob a direção de Kevin Macdonald

É comum em narrativas de suspense que uma simples chamada telefônica transforme um dia trivial em um verdadeiro terror. Exemplos como Por um Fio e Bagagem de Risco mostraram que limitar a ação a uma voz misteriosa do outro lado da linha pode intensificar o perigo de cada cena. Corrida Contra o Tempo, a nova aposta de suspense do Prime Video, segue essa fórmula, adicionando uma perseguição frenética pelas ruas de Londres e contando com a presença marcante de Gal Gadot. No entanto, a sensação de urgência não se constrói simplesmente com corridas.

Gal Gadot vive Maia Marten, uma advogada que, durante sua corrida matinal, recebe uma ligação informando que seu filho foi sequestrado. Para salvar sua vida, ela precisa manter-se em movimento constante, seguir as instruções de um estranho e realizar um ato impensável. Com a direção de Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia, Intrigas de Estado), o filme ainda tenta inserir reviravoltas e dilemas morais complexos, embora a promissora premissa rapidamente comece a perder seu ímpeto.

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A tentativa de usar Londres como um elemento de suspense tem sucesso apenas em momentos isolados. Algumas cenas se prolongam mais do que o necessário, enquanto edições rápidas, ângulos inclinados e câmeras instáveis tentam criar uma tensão que o enredo não sustenta. Há muita movimentação, mas escasse pouco suspense ou verdadeira sensação de urgência. A corrida é evidente; o perigo, nem tanto.

Ruas de Londres à noite com um corredor anônimo em movimento
Londres serve de cenário para a perseguição, mas nem sempre acrescenta suspense.

Gal Gadot entrega uma atuação dentro dos limites de seu alcance. Ela possui carisma e convence no desafio físico exigido pelo papel, mas Maia também deveria transmitir medo, desespero e uma complexidade moral que raramente são mostrados com a profundidade necessária. Damian Lewis, como a voz que comanda as ações, traz um elemento de ameaça à narrativa, enquanto Alfred Enoch contribui para dar vida ao universo que circunda a protagonista, embora nenhum dos dois tenha material suficiente para alterar significativamente o desfecho.

O filme até consegue introduzir algumas surpresas que reorganizam temporariamente o enredo, mas não são suficientes para compensar a falta de tensão acumulada. Em um thriller que se baseia na contagem regressiva, não basta apenas apresentar novas informações: é crucial fazer com que o espectador sinta que cada segundo é decisivo. Corrida Contra o Tempo raramente consegue alcançar esse efeito.

Mesmo para os padrões do streaming, que já apresentou boas tramas do gênero como em Bagagem de Risco, o filme falha em entregar os elementos básicos que propõe. Ao tentar traduzir suspense através de estilo, velocidade e câmera trêmula, Corrida Contra o Tempo acaba por esquecer exatamente o que deveria torná-lo eficaz: criar um motivo para que o público se envolva e “corra junto”.

Corrida Contra o Tempo

Crítico escrevendo avaliação de filme em um laptop
Avaliação crítica de Thiago Romariz sobre o filme.

Runner

Duração:
85 min

Direção:
Kevin Macdonald

Roteiro:
Mark Gibson

Elenco:
Damian Lewis, Gal Gadot

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