A sequência valoriza a energia de suas protagonistas para destacar que a verdadeira força da franquia sempre residiu na irmandade
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Recentemente, o setor audiovisual tem se beneficiado ao revisitar narrativas icônicas com forte presença feminina das décadas de 1990 e 2000. Isso se manifesta tanto em sequências tardias de clássicos daquela época, como as novas versões de O Diabo Veste Prada e Sexta-Feira Muito Louca, quanto em novas leituras de sucessos como Meninas Malvadas e o sucesso recente Wandinha. É neste contexto que a continuação de Da Magia à Sedução (1998) faz sua estreia nos cinemas.
Embora inicialmente não tenha sido bem recebido devido à sua oscilação entre comédia e suspense sombrio, o filme original acabou sendo valorizado com o tempo, transformando-se em um clássico cult sobre irmandade e laços familiares, típico filme confortável para uma tarde descompromissada. A sequência consegue equilibrar bem a nostalgia dos fãs com a evolução do universo apresentado e a maturação da família Owens.
No afã de proteger suas filhas do legado mágico familiar, Sally (Sandra Bullock) decide ocultar delas a verdade sobre sua ascendência e a maldição que as persegue, até que Kylie (Joey King) se apaixona e se depara com a verdade, desencadeando uma jornada para desfazer o encanto. A diretora Susanne Bier evidencia sua intenção narrativa claramente através deste enredo.

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A nova obra reduz significativamente os momentos de suspense em relação ao filme de 98, focando mais em cenas de tensão esporádicas e rápidas. Afinal, a própria magia nunca foi realmente o problema, mas sim um aspecto comum e inerente ao dia a dia das Owens. O medo de Sally origina-se não da magia em si, mas de seu desejo de proporcionar às filhas uma vida normal e protegê-las das adversidades que ela mesma enfrentou no passado devido aos poderes. Bier utiliza planos fechados para dar ênfase a essa intensidade dramática e aos conflitos familiares, apresentando a magia como algo caseiro e íntimo.
Observando o elenco, a sinergia entre Sandra Bullock e Nicole Kidman serve como principal pilar do filme, criando uma dinâmica de opostos que é cativante. É animador ver Gilly engraçada e impulsiva, com sua liberdade magnética – e a reação dela ao ver a irmã reembracing suas raízes mágicas. Por outro lado, Sally oferece o alívio cômico de maneira mais sutil, como uma figura mais contida que demonstra nervosismo facilmente.
O retorno das tias originais adiciona uma camada emocional e nostálgica muito bem-vinda, enquanto a nova geração desempenha um papel crucial na narrativa. A presença de Kylie é o catalisador que realmente impulsiona a história e provoca os conflitos de forma diferente da original. Contudo, o roteiro exagera em certos momentos na ingenuidade da personagem de Joey King e não explora suficientemente Maisie Williams, deixando a desejar uma química mais autêntica entre as irmãs, já que o filme também é sobre irmandade.
De modo geral, a trama é envolvente, e aqueles que têm um carinho especial pelo filme de 98 certamente apreciarão a sequência. O longa compreende perfeitamente o valor da nostalgia e utiliza uma variedade de estímulos visuais e sonoros que remetem ao original, sem parecer forçado. A atmosfera acolhedora é intensificada pela trilha sonora, destacando a presença marcante e astuta de Stevie Nicks e a inclusão contemporânea de Olivia Rodrigo.
A obra honra sua mensagem central: o vínculo entre as mulheres da família Owens é suficiente por si só, relegando o romance a um plano secundário, sem tornar o homem um foco principal ou figura indispensável na vida das mulheres. Apesar de alguns deslizes – pequenos o suficiente para serem ignorados diante da leveza da produção -, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor oferece um retorno maduro, acolhedor e fiel à sua essência, demonstrando que essa tendência de resgatar elementos da cultura pop dos anos 90 ainda tem muito a explorar quando se lembra exatamente por que estamos ali.
